31.3.17


CANSAÇO
  
Cansado.
 
Ele estava cansado.
 
Cansado de tudo, cansado do nada.
 
O nada que virou a sua vida.
 
Apenas nada.
 
Mas, ainda assim, cansado.
 
De tudo e do nada.
 
Muito cansado.
 
Cansado de ser chutado, humilhado, revirado, tumultuado.
 
Cansado de ser ele.
 
Apenas cansado.
 
Apenas cansado.
 
De tudo.
 
De todos.
 
De nada.
 
E o que mais ele queria, o que ele mais queria era ver o mar.
 
O mar...
 
Naquele momento era o que ele mais queria.
 
Ver o mar.
 
Ouvir o som.
 
O som do mar.
 
Ondas, sussurros e espumas.
 
Sentir a brisa do vento e o calor do sol e o cheiro da maresia.
 
O cheiro da maresia.
 

 
SABORES.
 
 
Sabores...
 
Sabores.
 
Vontades...
 
Delícias...
 
E apenas ela.
 
Apenas...
 
Ela.
 
Sabores, vontades e delícias...
 
Nada mais.
 
Apenas isso
 
Desejos e gostos e vontades, e tudo mais. Tudo mais.
 
Tudo mais.
 
Apenas isso.
 
Tudo mais...
 

30.3.17




NADA. APENAS NADA. APENAS NADA. APENAS UMA MANCHA....
Nada.

Apenas nada.

Apenas isso.

Apenas nada.

Evidência?

Nenhuma.

Nenhuma.

Nenhum momento de bruxaria ou feitiço ou seja lá o que for.

Nada.

Nenhum.

Nenhuma.

Nada.

Apenas tudo.

O que quer que isso signifique.

Ou seja?

Nada...

Nada.

Apenas isso.

Apenas nada.

Evidência?

Nenhuma.

Nenhuma.

Prova?

Nenhuma.

Exceto a mancha do delicioso batom de uva no seu colarinho.

Exceto a mancha em seu roupa.

Exceto.

Exceto a mancha de batom.

Deliciosamente culpada.

Deliciosamente culpada...

E muito....

E ele?

Apenas isso.

Apenas nada.

Muito nada...

Nada.....

29.3.17


TUDO ou NADA.
 
 
Tudo ou nada.

Tudo muito ou apenas quase nada.

Apenas quase nada.

Quase nada.

Muito tudo....
 
Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada...

Nada...

Tudo?

Quem sabe.

Nada?

Eu já sei....

Tudo?

Nada?

Apenas eles.

É sempre assim.

Sempre assim.

Tudo ou nada.

Tudo muito ou apenas quase nada.

Apenas quase nada.

Quase nada.

Muito tudo....

Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada...

Nada....

28.3.17


 
O PESO DA MÃO NA HORA DO SOCO.
 
- Como? - ele perguntou enquanto acendia um cigarro com as mãos trêmulas. Trêmulas, muito trêmulas.
Ela o olhou com um olhar doce, sincero, direto e depois de tomar um gole da sua vodka, disparou - Eu te amo. Simples assim. Simples, mas nem tanto assim - completou.
Ele tremeu. Muito. E entre um trago e outro do seu cigarro, ficou em silêncio por instantes que pareceram séculos.
Ela sorriu e disse - Não vai dizer nada? Nada mesmo? - insistiu.
Ele não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Queria apenas terminar o seu cigarro, que ele queria que não tivesse fim.
Ela sorriu.
Ele também.
- Vem - ela disse - Me dá um beijo. Um beijo daqueles nada técnicos.
E o peso da mão na hora do soco surpreende. Sempre.
E a chuva que despencava lá fora não importava.
Apenas o amor.
Apenas eles...
 

FATAL
Fatal.
"1 Que acontece como se fosse determinado ou fixado pelo destino; inelutável, inevitável, irremissível.
2 Que põe fim a; que mata; letal, mortal, mortífero.
3 Que traz infelicidade ou desventura; desastroso, nefasto, ruim.
4 Que não admite prorrogação; final, improrrogável, inadiável."

(Dicionário Micaelis)
Um romance fatal.
Um término de romance fatal.
Um comportamento fatal.
Umas palavras fatais.
Um todo cenário fatal.
Ele não se ajudou.
Muito menos ela.
Muito menos ambos.
Muito menos ambos.
Fatais.
Inconsequentes.
Idiotas.
Arrependidos.
Muito arrependidos.
Muito arrependidos.
Muito.
Fatal.
Um cenário fatal.
Mas não houve morte, não houve sangue, não houve drama, não houve nada.
Houve lágrimas, choros e arrependimentos.
E o término de uma linda estória de amor.
Um romance ideal que chegou ao fim.
Fatal...
Apenas fatal.

INVEJA.


Inveja.
Palavra feia, pesada, malvada e tudo o mais.
Inveja.
Uma palavra. Um sentimento.
Apenas inveja.
A inveja que remete ao ódio.
Que não se deve sentir.
Inveja.
Uma palavra tola, escrota, insensível, irresponsável e tudo o mais que puderem pensar.
Tudo mais e apenas inveja.
Uma palavra.
Um sentimento.
Nenhum argumento.
E todos, mas todos tinham inveja.
Inveja dela.
E muita.
Porque ela era bela, esperta, sensível, inteligente, sagaz.
A inveja dela.
E o mundo é assim.
Cretinos e babacas e intolerantes e condescendentes e nem sabemos de qual lado estamos.
Nem sempre.
Quase nunca sabemos.
A inveja?
Nunca morre.
Nunca deixa de existir.
Nunca deixa de existir.


TUDO O QUE DEVERIA SER. TUDO O QUE PODERIA SER.
 
- Você vai mesmo viajar? - ele perguntou atônito, bobo, aflito.
Um menino.
Um grande covarde.
Ela o encarou com um carinho antigo mas apenas respondeu de forma direta, simples e seca - Sim. Eu vou. Eu vou viajar. Não vai me ver por um bom tempo.
Ele a encarou de forma assustada, indefesa, incrédula - E nós? - perguntou, ainda mais atônito, ainda mais bobo, ainda mais aflito. Um pobre menino covarde.
Ela suspirou de forma entediante e de saco visivelmente cheio - Nós? - retrucou - Nós? - perguntou quase aos gritos.
Ele apenas assentiu com a cabeça. Nada mais disse.
Ela bufou e disse - Não há "nós" - Não há. Existe eu e você. E você é um babaca. Um tremendo covarde e babaca. Te odeio idiota - finalizou, determinada.
Ele apenas chorou. Não sabia o que responder.
- Existia "nós" quando você ficou com aquela vadia? - ela disparou - Existia? - insistiu - Você lembrou de nós? - completou.
Ele ficou em silêncio. Absoluto silêncio.
A noite era a música.
- Não. Não lembrou - ela retomou - Então querido, não há "nós". Nunca mais. Nunca mais. "Nós" não existimos mais. Seu otário e grande filho da puta.
E restou o silêncio das palavras.
E a noite, esta grande trilha sonora, presenciou como se termina um romance, uma estória de amor. Um conto e tudo o mais.
De forma cruel e direta.
Direta.
Muito cruel.
Tudo o que poderia ser. Tudo o que efetivamente deveria ser.
Não fossem os erros.
Os muitos erros.
Por todos cometidos.

27.3.17



SORTE.
Sorte?

Azar?

Ninguém sabe, ninguém nunca vai provar.

Um ajuda o outro.

O outro ajuda o um.

Mas ninguém se entende.

Ninguém se entende.

Ninguém.

E a vida segue.

Com sorte, azar ou a porra que for.

Um ajuda o outro.

Um fode o outro.

A vida é assim.

A vida é assim.

Sobrevivência.

Sobrevivência.

Nada demais.

Nada demais.

Sorte?

Ou não.

Nem tanta.

Ninguém sabe, ninguém nunca vai provar.

Nunca vai provar....

SUPERNOVA.
- Música velha hein? Típica de um velho tarado - ela provocou.
Ele apenas sorriu.
Ela corou com a piada imprópria.
Ele também.
- Não. Nada tarado. Apenas um velho. Um velho - ele emendou. - Champagne Supernova. Música velha, de velhos, mas bonita.
- Bem, Ok. Mas de tarado - ela respondeu provocativa, ainda mais afiada.
Ele nada disse.
Ela gargalhou.
- Deixa de ser bobo - ela disse - Estou apenas brincando - completou.
Ele tomou um gole de vodca e ficou em silêncio. Queria achar um cigarro.
Nada.
- Deixa de ser bobo - ela insistiu - Estou enchendo o seu saco - disse - Aliás - emendou - Saco que eu queria comigo aqui e agora.
Ele ficou roxo.
Ela não.
- Champanhe? - ela provocou.
Ele sorriu.
Nada disse.
Apenas sabia que mesmo ao telefone estava no lugar certo, com a conversa certa e coma pessoa certa.
Um brinde.
Um brinde a quem é de brindes.
Um abraço a quem é de abraços.
Um beijo...
A que é de beijos....


ENTÃO...
Então;..

Então é então.

Ou seja, nada....

Nada.

Ou quase nada.

Quase nada.

Quase nada.

Mas...

Estamos aí.

Estamos aí.

Para o que der e vier.

Estamos aí.

De uma forma ou de outra.

Pessoas que você nem conhece te odeiam porque têm inveja ou algo parecido.

Muita inveja e coisas ruins.

Mas essas, essas sim, se fodem.

Muito.

Pessoas más.

Ressentidas.

Essas se fodem.

Se fodem.

Muito.

E muito.

Não merecem nada.

Nem uma lágrima.

Nem respeito, nem flores, nem caixão, nem nada.

Nem nada mais.

Se fodem.

Muito.

Muito.

Se fodem e apenas isso.

E então?

E então, nada....

Nada.

Absolutamente nada.

O nada é o que sobra disso.

O nada é o que sobra disso.

Nada....

Apenas um sorriso pequeno em meus lábios.

Apenas um sorriso pequeno em meus lábios.

23.3.17



NÃO SEI. DEFINITIVAMENTE...

- Volta? - ele pediu, meio bobo, meio tonto, todo ele.
Sempre assim.
Ela sorriu enquanto tragava o seu cigarro e respondeu - Voltar? E qual a razão disso? - retrucou de forma irônica, de forma arisca, da forma dela. Toda dela.
Ele abaixou a cabeça e nem chorou. Segurou. Nada disse. Nenhuma lágrima. Nada. Apenas sentimentos represados.
Vontade de voltar.
- Você não respondeu - ela disse - Não respondeu. Você é um filho da puta que não responde nada. Nunca. Quer que eu vá, que volte, o caralho, mas nunca me diz nada. Nada. Nunca diz nada. Só pede e pede e pede.
Em voz baixa e trêmula ele disse - Não Sei. Definitivamente.
Ela respirou fundo e engoliu as palavras. Melhor não dizer nada.
Ele respirou fundo e engoliu as palavras. Melhor não dizer nada.
E após o silêncio de alguns segundos, que pareceram minutos, horas ou dias, ele emendou - Não sei. Definitivamente, mas sei que te amo. E muito.
Ela acendeu mais um cigarro e começou a chorar. Como uma diva, como uma anja, como uma criança. Linda e triste. Verdadeiramente triste.
Ele acendeu um primeiro cigarro mentolado e começou a chorar. Como nunca. Como ele. Como sempre quando cai nessas. Quando cai nessas.
O olhar trocado entre ambos foi insano, doente, intenso e apaixonado.
Delicioso.
O beijo?
Delicioso.
Sabemos. Definitivamente...
Definitivamente...
Assim...

O TUDO. O NADA.
- Você é um imbecil, sabia? - ela disse, direta, cruel e rude. Raivosa e raivosa.
Nada mais que isso.
- Posso saber a razão? - ele perguntou sem saber ao certo o que queria dizer. Sem saber ao certo o que queria escutar.
Sem saber nada.
- Imbecil. Entende? - ela insistiu - Você é um canalha e um imbecil -  continuou.
- Não sou - ele tentou se defender - Não sou - disse.
- Beijar e ficar com aquela vaca? - ela gritou - Com aquela vaca? Justo com ela? - repetiu e insistiu.
- Olha... - ele tentou justificar e prosseguiu - Não sei o que aconteceu. Erros, erros e erros. Eu te amo - concluiu.
- Vá se foder - ela gritou - Vá se foder - repetiu, aos gritos.
Ele começou a chorar e nada disse.
Ela começou a chorar e nada disse.
Dois apaixonados.
Dois errados.
Dois.
Dois para o tudo e dois para o nada.
Erros.
Apenas assim.
Apenas assim...










SENTIMENTOS DE VELUDO
Ela o amava.

Ele, também.

Sentimentos de veludo, como azulejos usados e memorabilia.

Veludo.

Veludo nem existe mais.

É o "fax" da nossa geração.

Velho.

Veludo.

Coração.

Mas que bom se os corações fossem de veludo.

Fofos, lindos e imunes.

Imunes a socos, imunes a porradas, imunes a constrangimentos.

Imunes.

Veludo.

Simples assim.

Que bom se os corações fossem de veludo.

Fofos, lindos e imunes.

Imunes a socos, imunes a porradas, imunes a constrangimentos.

Muitos constrangimentos.

Muitos socos.

Muitas porradas.

Imune.

Mas, ele, ainda assim a amava.

Muito.

Com um coração de veludo.

Apenas ele.

Veludo.

E os beijos?

Ah, eles derretiam tudo o que havia lá.

Tudo....

22.3.17



QUANDO TUDO FICA ESCURO

E, de repente, tudo fica escuro.
Tudo.
Muito escuro.
Tudo fica escuro.
Muito escuro.
Mal.
Muito mal.
Errado.
Demasiadamente errado.
Nada.
Apenas nada.
E o que sobra é o sabor do beijo.
O sabor do beijo.
E do batom.
O sabor...daquilo.
O sabor...
Frutas silvestres.
Batom vagabundo.
Bem vagabundo.
E, de repente, os trovões começam.
Fortes, gordos, imponentes.
Os trovões...
Fortes, gordos e, nada, mas nada, imponentes.
E o que sobra é o sabor do beijo.
O sabor do beijo.
O sabor...daquilo.
O sabor...
E, de repente, tudo escurece novamente.
Tudo.
Uma nuvem cinza do nada.
Escuro.
Apenas isso.
Muito escuro.
E, de repente, tudo fica escuro.
Muito escuro.
Exceto pelo sabor das frutas silvestres.
Exceto...

17.3.17


NEM UMA CANÇÃO DO THE CLASH. NENHUMA...

Nada.

Nem uma canção do The Clash.

Nem uma canção do The Clash.

Ou Beatles.

Ou Smtihs.

Seja lá o que for.

Nada.

Apenas adolescentes apaixonados.

Desesperados.

Obcecados.

Chorosos.

Mas nada.

Nada.....

Nada.

Nem uma canção do The Clash.

Nem uma canção do The Clash.

Ou Beatles.

Ou Smtihs.

Ou lágrimas.

Com lágrimas.

Apenas isso.

Simples assim, mas nada disso.

Nada.

Nada disso.

Nada.

Simples assim.

Um grande desastre.

Um grande desastre.

Em definitivo.


NADA. APENAS NADA....

Apenas nada.

Nada.

Ela é...

Ela é o que é.

Nada.

Apenas nada.

Apenas nada.

Nem um sorvete, nem um Bourbon, nem uma sorte, nem um cigarro. Nem.......Nada.

Nada.

Nada.

Apenas isso.

Apenas eles.

Apenas nada.

Nada.

E quando o sol brilhar forte.

Apenas  brilhar.

O que sobra?

Nada.

Apenas nada.

Somente o brilho.

Somente Varsóvia.

Apenas eles...

Apenas eles....

16.3.17


ELA APENAS É.....


- Oi - ele disse, todo tonto, todo bobo.
Ela o encarou e apenas respondeu - Oi. Tudo ótimo.
Sorriram.
Ambos.
Sorrisos comuns.
Sorrisos.
Comuns.
E viraram uma pequena dose de vodka.
Uma e outras duas.
Pequenas, mas suficientes.
Suficientes.
Para o que for necessário.
O que fosse necessário.
Absolutamente necessário.
Sorrisos comuns.
Mas... apenas sorrisos.
Apenas sorrisos.
E a vida nunca é assim.
Nunca.
Nunca é como desejamos que seja.
Como queremos que aconteça.
Ela é...
A vida.
Simples assim.
Apenas isso...
Ela é....
A vida..
E beijos não se transforma em contos de fada.
E nada vira o que não deve ser.
A vida.
Ela é assim.
Simples assim.
Simples assim...


15.3.17



CANSA. CANSA DEMAIS


Cansa, quando todo mundo quer mais.
Mais e mais e mais de você.
Muito.
Muito mais.
E isso cansa....
Cansa.
Demais.
Apenas isso.
Mas cansa demais.
Não quero suor, não quero a dor, não quero nada.
Mas...este excesso cansa demais.
E se você estivesse desempregado?
E se você estivesse desamparado?
E se você estivesse fodido?
Se?
Se?
Se?
Foda-se.
Estou do jeito que estou e você sabe disso..
Sempre soube.
Maldade usar o argumento ao contrário.
Maldade usar o argumento ao contrário.
Maldade.
Pura maldade.
Não sou grande, não sou alto, não sou lindo, não sou nada.
Sou apenas eu....
Apenas eu.
E apenas cansa, quando todo mundo quer mais.
Mais e mais e mais de você.
Muito.
Muito mais.
E isso cansa....
Cansa.
Demais.
Apenas isso.
Vontades?
Aos montes.
Desejos?
Ainda mais.
Verdade.
Bem, vamos ver as realizações.
As realizações.

10.3.17



FOTOS. APENAS FOTOS. NEGATIVOS E NADA MAIS.
 
- Fotos? - Ela respondeu surpresa, rápida, ágil, sem avisar, sem pensar. Do nada. Respondeu sem pensar. Apenas sem pensar e avisar. E sem falar nada mais profundo. Nada. Simples assim.
Como um negativo apenas respondeu sobre as fotos.
As fotos que ele havia pedido.
Inadvertidamente.
- Isso - ele reiterou e disse mais uma vez - Fotos. As nossas fotos. Das nossas viagens e de tudo mais - Eu queria algumas. Adoro lembrar de você no Uruguai, Argentina, enfim, adoro lembrar de você na vida. Seus cabelos congelados. Lindos e congelados. Tenho direito a uma ou duas? - ele perguntou
Ela sorriu e disse - Sabe de uma coisa? Sempre me odiei nas nossas fotos. Não saio bem.
Sorriram.
Fotos?
Momentos e detalhes.
A vida deles eternizada em um negativo ou em um pendrive.
Simples.
Simples e romântico.
Simples assim.

9.3.17



SEM CHÃO. APENAS SEM CHÃO...

- Eu? Eu não sei. Não sei de porra nenhuma - ele respondeu cândido, doce e suave - Definitivamente não. Não sei - prosseguiu..
- Não? Você não sabe, seu filho de uma puta. Cretino dos infernos - ela prosseguiu - Como não? - insistiu.
Ele apenas sorriu.
Ela não.
Definitivamente, ela não.
Nada.
Ele sim.
- Eu? - ele repetiu - Eu não sei. Não sei de porra nenhuma - respondeu ainda mais cândido, ainda mais doce e ainda mais suave - Definitivamente não. Não sei.
- Não? Você não sabe? - ela proferiu - Seu filho de uma puta. Cretino dos infernos. Como não? - insistiu.
Ele ficou sem graça.
Ela ficou sem chão.
Nada.
Nada voltaria ao normal.
Nada.
Ela?
Ele?
Quem haverá de saber.
Quem?
Ele ficou sem graça.
Ela ficou sem chão.
Nada.
Apenas nada.
Nada voltaria ao normal.
Nada.
Nada...
E eles?
Apenas um puta beijo e a falta de chão.
Falta de chão.
Falta de chão...
Como se flutuassem.
Sem gravidade.
Nenhuma gravidade.
Exceto pelos seus atos.
Exceto por isso.


 

8.3.17




CANSAÇO

Cansa.

Demais.

Cansa demais.

Nada novo.

Nada de novo.

Nada.

E isso cansa.

Muito.

Cansa.

Demais.

E os beijos ficaram para trás, os beijos ficaram distantes, o passado ficou lá atrás.

Sorte dele.

Ou azar???

Muito azar...

Isso cansa.

Muito.

Demais.

Demais....

Apenas cansaço e olhos inchados....

De tanto chorar...

7.3.17


TUDO LÁ FORA. TUDO LÁ FORA. PRINCIPALMENTE O MEDO.
Medo? - ela perguntou. Um tanto ansiosa, um tanto nervosa. Muito pó.

Puro pó.

Daqueles.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer sentir.

Nem ver.

Nem sentir.

Nada.

Nada

Puro pó.

Puro nada.

Nada...

Nada.

Medo? - ela repetiu, ainda mais ansiosa, ainda mais nervosa.

Muito nervosa.

Muito pó.

Puro pó.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer sentir.

Nem ver.

Nem sentir.

Medo? - ela se perguntou. Um tanto ansiosa, um tanto nervosa. Muito pó.

A cabeça sequer respondia.

O cérebro muito menos.

Puro pó.

Muito pó.

Muito menos.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer ver.

Nunca...

Nunca

E tudo fica lá fora.

Tudo.

Principalmente o medo.

Principalmente o medo.

Muito.

Medo...

6.3.17


E AS GOTAS LÁ FORA...

Tudo.
Nada.
Apenas lágrimas.
Apenas amor.
Apenas nada.
Muito tudo.
Muitas lágrimas.
Muito amor.
- E você me ama? - ele perguntou.
- Ama?- insistiu de forma severa.
Ela apenas ficou em silêncio.
Silêncio.
Total.
Silêncio.
Total.
Tola.
Boba.
Apenas ela.
Como sempre.
Apenas lágrimas.
Sal e amor.
Sal e nada.
Apenas amor.
Apenas nada.
Muito tudo.
Muitas lágrimas.
Muito amor.
- E você? Você me ama? - ela perguntou.
Ele apenas ficou em silêncio.
Nada.
Silêncio.
E as gotas de chuva lá fora.
Caindo como deveriam cair.
Caindo como deveriam cair.
Sempre...
Sempre...

1.3.17



DISFARCE DE LÁGRIMAS.
Chovia.
Muito.
Chovia, para caralho.
Gotas grandes, grossas, gordas.
Gotas...
Muitas gotas.
Muitas.
Chovia.
Muito.
Para caralho.
E, na verdade, bom.
Bem bom.
Disfarce de lágrimas.
Muito disfarce.
Muitas lágrimas, muito bom.
Muitas lágrimas.
Muito bom.
Gotas grandes, gotas grossas, gotas gordas.
E chovia.
Muito.
Para caralho.
Bom.
Bem bom.
Bem bom.
Disfarce de lágrimas.
E há coisa melhor?
Há?
E ele?
Tolo.
Apenas pensava aonde ela estaria naquela hora.
Aonde?
Longe.
Longe demais.
Chovia.
Muito.
Para caralho.
E ela estava longe.
Longe demais.
Longe demais.