4.1.17



SORVETE
 
 
Calor.
Muito calor.

Muito mesmo.

Termômetros a mil.

Mil.
Mas, ele não sabia.

Não, ele não sabia.
Definitivamente ele não sabia.
Não.
Ela?
Tampouco.
Ela também não sabia.
O sabor do sorvete não importava.
Não importava.
Ele não sabia o sabor do sorvete naquela tarde tão absurdamente quente de verão.
Absolutamente quente.
Definitivamente.
Ninguém sabia.

Nenhum dos dois.
Ele?
Não.
Ela?
Tampouco.
Ela também não sabia.
O sabor não importava.
Não importava.
Importava apenas os olhares, os gestos, as vontades e o suor escorrendo pelas frestas da testa.
Tudo o que não se fez.
Tudo o que não se fez.
Sabor?
Apenas o do batom.
Que ele jamais provou.
Jamais.
E o sorvete se fez único.
Com um sabor jamais provado.
Jamais provado.
Jamais...
 
Sorvete de batom...

Calor insuportável.

Desejos também...

Também...


 

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