4.1.17


ACORDES, PALAVRAS TOLAS E NADA MAIS...


- Mas como? Como assim? Não entendi. Nada. Não entendi nada. Nada. Eu, definitivamente, não entendi porra nenhuma. Nada. Não entendi uma palavra do que você falou. Nada. Porra nenhuma – ele repetiu inquieto, insatisfeito, inseguro, com medo.

Muito medo.

- Nada.

- Isto te agrada? – ele perguntou suave e rude.

Tudo ao mesmo tempo.

Ela sorriu e respondeu com a calma dela só. Com a calma e doçura toda dela. Apenas dela e disse – Entenda o que tiver que entender, o que tiver que arrumar, o que lhe fizer efeito. Apenas isso – ela disse, não sem antes emendar – Apenas isso. Nada mais que isso.

Ele tentou fingir entender.

Ela sorriu ao perceber.

Um não e um sim.

Amigos para sempre.

Sempre.

Um finge que é e o outro acredita que há.

Noite?

Repleta de estrelas e desejos e muito mais.

Muito mais.

Bandas de rock com acordes distorcidos?

Claro que não...

Claro que não...

- Mas como? Como assim? Não entendi. Nada. Não entendi nada. Nada. Eu, definitivamente, não entendi porra nenhuma. Nada. Não entendi um acorde do que você tocou. Nada. Porra nenhuma – ele repetiu inquieto, insatisfeito, inseguro, com medo.

Muito medo.

Medo de acordes e de mulheres lindas.

Muito lindas.

- Nada – Não entendi nada – finalizou.

Ela apenas sorriu.

E a noite podia acabar.

Entre goles de cerveja barata e acordes mal tocado e letras mal escritas.

Noite inesquecível.

Inesquecível...



 

 

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