24.1.17


HEY, E SEU ESPARTILHO? 
- Hey? - ele perguntou assustado, sem noção, meio bêbado, meio nada.
- Cadê o seu espartilho? - perguntou novamente. Com a voz bêbada, de madrugada. A voz do nada.
Ela sorriu e apenas respondeu - Eu não estou com ele.
Ele a olhou com espanto e falta de sobriedade
- Pirou? - apenas perguntou.
Ele deu seu sorriso mais bêbado do ano. A ressaca maior do planeta. Apenas sorriu e fechou os olhos.
Ela também.
Dois filhos da puta.
- Hey? Cadê o seu espartilho? - perguntou mais uma vez. Com a voz ainda mais bêbada, ainda mais de madrugada.
Ela sorriu e nada disse.
- Não vai dizer? - ele perguntou em tom provocador.
- Adivinhe - ela provocou.
Ele ficou em silêncio.
O beijo?
Foi espetacular.
De destroçar corações.
O espartilho?
Estava aonde deveria estar.
Aonde deveria estar...
 
 
 

E NADA..
 
E nada.
Nada era assim.
 
Nada era assim.
 
Na realidade.
 
Não.
Nada era assim.
 
Nada.
 
Apenas os lábios molhados.
 
Os suores apaixonados.
 
O tudo.
 
Ou...
 
Nada.
 
Mas, nada era assim.
 
Nada.
 
E ela, com as coxas grossas e suavemente tatuadas, apenas gostava.
 
Nada era assim.
 
Nada.
 
Com exceção dos lábios molhados.
 
Todos eles.
 
E os suores?
 
Eram pura paixão.
 
E delírios que ela adorava ter.
 
Adorava ter.
 
Delírios de som, fúria e paixão.
 
Som, fúria e paixão...

          



AS BOAS VINDAS
 
 
- Mas com um quarteto de cordas? – ele perguntou, surpreso, confuso, todo bobo, sem saber de porra nenhuma.
Porra nenhuma.
Um bobo.
Um tolo.
Ele.
Apenas ele.
Um otário.
Ele.
Apenas ele.
Ela – a maestrina linda e completa - sorriu e respondeu de forma direta e certa – Sim, com um "quarteto de cordas". Simples assim.
Ele bufou aos céus e disse seco e irritado – E como será?
A maestrina respondeu - Eles tocarão noite adentro e ela amará – ela disse – E amará de verdade - Uma serenata moderna e apaixonada. Repleta de violinos e violoncelos.
E ele sorriu.
Apenas sorriu.
Apenas como os corações completamente apaixonados podem fazer.
Apenas eles.
Apenas...
... eles...
E o resto?
Foi noite.
Acordes.
Delírios.
Declarações de amor.
Declarações de amor.
Em forma de notas.
Acordes.
Olhares.
Paixão.
Muita paixão...
Muita...
 

SOTAQUE?
 
 
Sotaque gordo, sotaque largo.
Sotaque intenso.
Lindo.
Jeito de falar lindo.
Delicioso.
Cheio de nuances, cheio de detalhes, cheio dela.
Voltas e voltas nos sons.
Lindo.
Cheio dela.
Assim como as suas coxas.
Assim como as suas tatuagens.
Lindas e largas.
Intensas.
Divinas.
Deliciosas.
Inimagináveis.
- E você? – ela perguntou – Está bem?
Ele sorriu e não respondeu. Ficou em silêncio. O seu silêncio habitual. Gostava de ouvir a voz dela.
Rouca e nova e cheia de detalhes.
Deliciosa.
Especial.
E ele apenas adorava ouvir.
Ouvir.
O sotaque gordo, o sotaque largo. Fluminense.
Intenso.
Delicioso.
Assim como as suas coxas.
Deliciosas e tatuadas.
Assim como suas tatuagens.
Lindas e largas.
E, neste momento, uma conversa por telefone vira algo a mais.
Muito mais...
Muito mais...
E um sorriso se faz.
Simples assim.


MALIGNA
 
Um amigo?
Lindo.
Um show?
Médio.
Uma casa?
A dela.
Coxas?
Aquelas.
E bem, mas bem tatuadas.
Ela?
Maligna.
Pura maldade.
Madrugada?
Dos dois.
Lingerie?
Apenas no chão.
Ela?
Nua.
Ele?
Também.
Madrugada de beijos e desejos.
Coxas deliciosas e um pau delicioso.
Beijos e desejos.
E ela não ia aguentar.
Não.
Línguas deliciosamente afiadas.
Deliciosamente afiadas.
Saborosas e com desejo
Puro desejo.
Ela?
Ensopada.
Ele?
Duro.
Grande?
Ao menos para ela.
Ela?
Deliciosa.
Com certeza para ele.
Lingerie?
Apenas jogada no chão.
Sabores, vontades e aromas.
Tudo o que lhes era necessário.
Uma madrugada, uma manhã, uma tarde.
Um bom beijo e um amanhecer delicioso.
E ela nem lembrou de escrever sobre a canção.
Precisa de mais?
Claro que não.
Claro que não.
 


NADA TÓXICA
 
 
Chuva, muita chuva no céu.
 
Janelas explodindo ao som de gotas gordas e imensas.
E ela sozinha e quase sem luz.
Quase sem luz.
Velas acessas.
Incensos, baseados e cigarros.
Ela sozinha.
Céu carregado e sem pássaros.
Definitivamente sem pássaros.
Nenhum.
Ela?
Apenas o sentimento de "autocomiseração" ou, como se diz mesmo: "o ato ou efeito de sentir pena de si próprio".
Triste.
Tóxica.
Linda.
Errada.
E muita, mas muita chuva caindo do céu.
Ela olhava pela janela e percebia o vento causando os tremores nos vidros.
E nela também.
Não sabia para onde ir.
Definitivamente não sabia.
Assim como os pássaros.
Ela não podia voar.
Ao menos não naquela noite.
Mas ela era livre.
Muito livre.
E não havia maldição em sua vida.
Havia apenas ela...
E ela e ela e ela e ela.
O que era ótimo.
Ela intoxicou-se pelo que pensava, pelo que queria saber, pelo que queria conhecer.
Pelos seus erros.
Mas, na verdade, nada disso intoxica.
Ela o queria.
Desesperadamente ela o queria.
Exatamente naquela noite.
Mas antes, antes de se "achar" tóxica, ou rude ou cruel ou qualquer coisa do gênero, ela precisaria sorrir e desintoxicar.
E assim ela o teria.
E isso ele fazia...
Sorrir...
E muito.
E, depois de tudo, a ela restava beber os seus bons goles de vodka e ouvir boa música nos seus vinis antigos em noites chuvosas e... mesmo sozinha... sorrir sentada em seu velho e maltratado sofá.
Esperando por ele.
Esperando pela mudança dela.
Kings of Convenience dentro...
A chuva lá fora, apenas para disfarçar as lágrimas... apenas para disfarçar.
 
...
 
Mas elas já vão embora.
Já vão embora....
Assim como as nuvens cinzas e os trovôes insanos e barulhentos.
Pode esperar.
Pode esperar.
 
 
 
"Toxic Girl"
In the sky the birds are pulling rain,
in your life a curse has got a name,
makes you lie awake all through the night
that's why.
She's intoxicated by herself,
everyday she's seen with someone else,
and every night she kisses someone new
never you.

You're waiting in the shadows for a chance
because you believe at heart, that if you can,
show to her what love is all about
she'll change.
She'll talk to you with no one else around,
but only if you're able to entertain her,
the moment conversation stops she's gone
again.
 
 
 




TUDO ACONTECE À LUZ DA LUA

Ela nada sabia.
Nada respondia.
Nada.
Ele?
Apenas se calava.
Ela?
Nada.
Ele?
Tudo.
Ambos?
Toda paixão.
Toda ansiedade.
Toda vontade.
Desejo.
Muito desejo.
Muito.
Tudo.
Tudo mesmo.
Muito mesmo.
Definitivamente.
Um monumento ao seu...  ao meu.
Desejo...
Ela?
Nada.
Nada queria.
Nada pedia.
Nada falava.
Nada escutava.
Nem mesmo os bons álbuns dele.
Nem mesmo aos excelentes álbuns que ele guardava em casa.
Nem mesmo com seu impecável aparelho de som.
Nada.
Mas...
... ele também não os escutava.
Não.
Não mais.
Lua?
Aquela que costuma beijar o mar.
Mar?
Aquele que adora receber os seus beijos.
Da lua gorda, amarela e linda.
Linda.
Amarela, gorda e linda.
E o amor?
Estava escondido em seus corações...
... e em algum parágrafo daquele livro de nome difícil que ele adorava ler e ler e reler.
Tudo acontece à luz da lua.
Beijos, abraços, desejos e confissões.
Tudo acontece à luz da lua e das bebidas mal bebibdas.
Simples assim.
Simples assim.
Como a lua e o mar.
Simples assim...

 

11.1.17


LUA, LUA, LUA...
-Lua?
- Lua? Que porra de Lua? – ele perguntou.
- Lua de São Jorge. Lua de nada. Lua de nada. Nada.

Definitivamente nada..

Nada.

Uma canção.

Uma música, uma canção imbecil. Apenas isso. Nada demais, concluiu.
- Nada? Simples assim? –ele perguntou.
- Nada. Simples assim. Simples assim – ela confirmou com raiva entre os dentes. Com muita raiva. O fígado em alta.
Fígado em alta.

Altas taxas.

Alto tudo.
Demasiado.
- Nada. Simples assim. Simples assim..
E o mundo termina assim...
- Nada. Simples assim. Simples assim..

10.1.17


O SILÊNCIO



- Tudo bem? – ele perguntou sem graça, sem critério, sem vontade.

Sem nada.

Sem a menor força de vontade e de expressão.

Ela?

Nada disse.

Ela nada disse.

O silêncio.

A melhor das respostas.

A melhor.

Melhor.

A melhor das respostas a afirmações

Nada mais que isso.



 

 

9.1.17




COMO EM TODAS AS NOITES.

 
- Não aguento gente burra. Não. Definitivamente não aguento. – ele disse de forma arrogante, preconceituosa, pretensamente superior. Um bobo.

Um tolo.

Um bobo sem noção e nada mais.

Um bobo, ele.

Apenas todo ele. Apenas todo ele. Apenas todo ele.

Todo bobo. Todo burro. Todo ele.

Babaca.

Ela sorriu e respondeu – Gente burra? Burra? Tem certeza? Você é um trouxa – respondeu em alto som – Simples assim.

- Não entendi o seu sarcasmo – ele disparou.

- Não? - ela respondeu olhando para ele com os seus olhos brilhantes.

Olhos gordos, verdes, brilhantes e lindos. Muito lindos.

Lindos.

- Não aguento gente burra. Não. Definitivamente não aguento. – ele repetiu da mesma forma arrogante, preconceituosa, superior.

Um imbecil.

Ela? – apenas virou a sua tequila e se mandou.

Ele? – apenas pagou a conta e foi embora sozinho. Como em todas as noites... Todas as noites.

Pobres dos dois.

Pobres dos dois....

4.1.17


ACORDES, PALAVRAS TOLAS E NADA MAIS...


- Mas como? Como assim? Não entendi. Nada. Não entendi nada. Nada. Eu, definitivamente, não entendi porra nenhuma. Nada. Não entendi uma palavra do que você falou. Nada. Porra nenhuma – ele repetiu inquieto, insatisfeito, inseguro, com medo.

Muito medo.

- Nada.

- Isto te agrada? – ele perguntou suave e rude.

Tudo ao mesmo tempo.

Ela sorriu e respondeu com a calma dela só. Com a calma e doçura toda dela. Apenas dela e disse – Entenda o que tiver que entender, o que tiver que arrumar, o que lhe fizer efeito. Apenas isso – ela disse, não sem antes emendar – Apenas isso. Nada mais que isso.

Ele tentou fingir entender.

Ela sorriu ao perceber.

Um não e um sim.

Amigos para sempre.

Sempre.

Um finge que é e o outro acredita que há.

Noite?

Repleta de estrelas e desejos e muito mais.

Muito mais.

Bandas de rock com acordes distorcidos?

Claro que não...

Claro que não...

- Mas como? Como assim? Não entendi. Nada. Não entendi nada. Nada. Eu, definitivamente, não entendi porra nenhuma. Nada. Não entendi um acorde do que você tocou. Nada. Porra nenhuma – ele repetiu inquieto, insatisfeito, inseguro, com medo.

Muito medo.

Medo de acordes e de mulheres lindas.

Muito lindas.

- Nada – Não entendi nada – finalizou.

Ela apenas sorriu.

E a noite podia acabar.

Entre goles de cerveja barata e acordes mal tocado e letras mal escritas.

Noite inesquecível.

Inesquecível...



 

 


SORVETE
 
 
Calor.
Muito calor.

Muito mesmo.

Termômetros a mil.

Mil.
Mas, ele não sabia.

Não, ele não sabia.
Definitivamente ele não sabia.
Não.
Ela?
Tampouco.
Ela também não sabia.
O sabor do sorvete não importava.
Não importava.
Ele não sabia o sabor do sorvete naquela tarde tão absurdamente quente de verão.
Absolutamente quente.
Definitivamente.
Ninguém sabia.

Nenhum dos dois.
Ele?
Não.
Ela?
Tampouco.
Ela também não sabia.
O sabor não importava.
Não importava.
Importava apenas os olhares, os gestos, as vontades e o suor escorrendo pelas frestas da testa.
Tudo o que não se fez.
Tudo o que não se fez.
Sabor?
Apenas o do batom.
Que ele jamais provou.
Jamais.
E o sorvete se fez único.
Com um sabor jamais provado.
Jamais provado.
Jamais...
 
Sorvete de batom...

Calor insuportável.

Desejos também...

Também...


 

3.1.17


MADRUGADA

 
Ela tinha receio das madrugadas.

Muito.

Muito receio ou muito medo?

Receio?

Medo?

Que diferença faz?

Tudo ao mesmo tempo.

Tudo ao mesmo tempo sempre.

Sem explicação.

Sem definição.

Que diferença faz?

Tudo o que se pode ter.

Tudo o que se pode ter.

Tudo o que não se pode ver.

Ao menos em uma noite de tempestade.

Forte tempestade.

Porrada de chuva.

Insônia e janelas castigadas pelas gotas gordas caindo do céu.

E os olhos abertos em plena escuridão.

Absolutamente abertos.

Olhos abertos e tristes.

Bastante abertos.

Bastante verdes.

Bastante tristes.

E ela tinha receio.

Muito receio.

Receio das velas acesas que ela espalhou em seu quarto, sobre aparadores vagabundos e baratos. Bem baratos. Ainda mais vagabundos.

Receio da chuva, do vento que castigava as janelas e, talvez, se fosse o caso, da falta de luz.

Da total falta de luz, que sempre vinha.

Implacável.

E, assim, ela tinha receio das madrugadas.

Muito receio das madrugadas.

Muito, mas muito receio mesmo, pois quando se deita, se sabe o que fez.

Em cada minuto do dia.

Você tem a exata certeza do que fez e de todas as burradas que fez.

Todas.

Todas as burradas.

Basta um travesseiro e uma cama solitária.

E nem precisa ser quente.

Nem precisa.

E entre relâmpagos, tempestade insana e uma noite escura, ela ficou deitada ouvindo seu vinil antigo do The Clash.

Algo raro e démodé.

Nada de mais.

Nada de mais.

Nada de menos.

Pensamentos e vontades e arrependimentos.

Muitos pensamentos, muitas vontades e muitos arrependimentos.

Uns mais e outros muito menos.

E, de madrugada, à luz de velas em seu quarto, o telefone tocou.

Uma, duas, três, quatro vezes.

Ela?

Não atendeu.

O sono a pegou.

Cruel e cruel.

Do outro lado da linha?

E desligou e jurou que a esperaria.

Pelo tempo que for.

Sem tempestades relâmpagos e noites escuras.

Apenas velas e olhos acesos.

Muito acesos.



PROBLEMS É O NOME DE UMA CANÇÃO DOS SEX PISTOLS. E NADA MAIS. NADA MAIS.



Filosofia de boteco. No caso filosofia do Varsóvia. O Clube.

- O problema do mundo são as pessoas. Os problemas do mundo são causados pelas pessoas. Sempre. Sempre as pessoas. Os relacionamentos, a política internacional, a economia, a internet, enfim, tudo, tudo o que importa e nos move nesta vida, mas.... principalmente os relacionamentos. Esses são foda. Muito foda – ela ressaltou – Sempre os relacionamentos. Temos que perceber e notar que não há mais um David Bowie vivo no mundo e nem um Prince. Não. Não há. Infelizmente. Muito infelizmente – ela disse, completamente chapada, completamente tonta, completamente ela, não sem antes de fechar os olhos e dar uma bela e forte tragada do seu cigarro mentolado. E, óbvio, um gole a mais de sua Margarita. Forte. Deliciosa. Verão.

E ele sorriu.

Apenas sorriu.

Sorriu como um bobo. Um imbecil encantado. Um imbecil apaixonado.

A música alta do novo DJ do Clube Varsóvia confundia e afetava os pensamentos e misturava felicidade, prazer, alegria, esperança, cores, desejos, delírios e outras coisas.

Muitas outras coisas.

Muitas outras.

Coisas.

Tudo confuso.

Todo confuso.

Ele.

Um caleidoscópio de ideias e pensamentos distorcidos e desconexos.

Desconexos.

Entorpecidos.

- E mais um ano começou – ele disse de forma imbecil e imatura antes de virar mais um copo de Margarita – Mais um ano, quem diria – insistiu sem vergonha de ser tão estúpido - E minha conta bancária continua no vermelho, sem nenhuma perspectiva razoável para o ano que chega. Nenhuma – emendou.

Ela sorriu e percebeu que além de tolo ele era bem... gentil.

Boa pessoa.

Bobo, mas uma pessoa boa.

Uma pessoa boa, apesar das bebidas baratas, do sexo não usual, das drogas vulgares e da total falta de talento com as mulheres. Total falta de talento.

Uma pessoa... boa.

Isso.

E tola.

Uma pessoa tola por achar razoável acreditar que era pior que os outros.

Tola por achar razoável acreditar que não sabia das coisas mais básicas.

Tola por achar razoável acreditar que não era capaz de nada.

Mas ele era.

Ele era.

E muito.

Muito mesmo.

Muito mais do que pensava.

Tolo.

E ele respondeu devagar – Pensando bem, mas muito bem mesmo, o problema do mundo não são as pessoas – disse direto, não sem antes dar uma bela e forte tragada roubada do cigarro dela, além de um gole da sua própria Margarita - O problema somos nós – ele prosseguiu – Nós. Nós causamos toda esta confusão – Apenas nós. Problems é o nome de uma canção dos Sex Pistols. Uma deliciosa canção dos Sex Pistols. E nada mais. Nada mais.

- Você está bêbado? - ela perguntou direta, seca e reta.

Ele sorriu e depois de mais um gole profundo de Margarita – a sua própria - apenas respondeu – Como não estar?

E enquanto terminava suas últimas palavras a contagem regressiva começou ao fundo, a música abaixou e os fogos – lá fora - começaram a estourar.

Ano novo?

Ano novo.

- Seja feliz – ele disse, meio tímido.

Ela sorriu e apenas respondeu com um lindo sorriso no rosto - você também. Seja feliz. E espero que comigo – completou linda, sarcástica, irônica, bela e tudo o mais.

Os fogos?

Continuaram.

E esconderam de forma bárbara o ritmo das batidas do coração de ambos.

O ritmo insano do coração de ambos.