31.8.17


ENGANO

- Engano? Como assim engano? – ele perguntou nervoso, áspero, com raiva. Muita raiva. Muita. Muita raiva. Muita paixão. Paixão. Debilitada. Moribunda.
Ela concordou com a cabeça e nada disse. Apenas tentou sorrir. Não conseguiu.
- É isso? – ele insistiu, tentou, procurou.
Sem efeito.
Sem nenhum efeito.
Ela?
Inerte.
- Foi um engano? – ele perguntou – É isso? – repetiu.
Ela assentiu com a cabeça ruiva.
Nada mais disse.
Ele também não.

Enganos?
Acontecem.
Dores?
Ainda mais.
E nada é o que já foi um dia.
Depende dos lábios.
Depende dos lábios...

AURÉLIO
ENGANO
1 - Ato ou efeito de enganar.

2 - Artifício empregado para enganar.
3 - Ilusão.
4 - Burla, logro.
5 - Traição.
6 - Erro de quem se engana.
7 - levar ao engano:  desflorar, desvirginar.

17.5.17


 
NÃO SEI.
 
 
Não sei se te amo.

Não sei se demais.

Não sei de nada.

Nada.

Não sei.

Mas te amo.

E você sabe.

Desejo, delírios e tudo mais.

Não sei se te amo.

Não sei se demais.

Muito, pouco ou o suficiente.

O adequado.

- Quer uma bebida? - ele perguntou sob a música insana do Clube Varsóvia.

Ela apenas sorriu e concordou com a cabeça, com seus lindos cabelos dourados e cumpridos. Lindos.

Desejo, delírios e tudo mais.

Tudo mais.

A noite acabara de começar...

Começar...

10.5.17



ÁGUA...


 Água.

Por todos os lados, por todos os cantos, por todos os poros.

Todos.

Água.

Muita água.

Água demais.

Água que infla, que irrita, que arde, que queima.

Que mata.

Que salva.

Água.

Muita água.
E ele queria saber do beijo, da saliva, dos toques, dos truques, de tudo.

O momento certo de alisar o cabelo dela.

O momento certo de piscar.

De beijar.

De sorrir.

Apenas o momento certo.

E, cores?

Sim. todas as cores.

Todos os sabores.

Todos os aromas.

Todos os amores.

Toda ela.

Toda ela.

E ele?

Apenas queria beber água.

Muita água.

Garganta e lábios muito secos.

Tudo.

Ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo.

Cores.

Todas as cores.

Todos os sabores.

Todos os aromas.

Toda ela.

Toda ela.

Toda ela...

...


FRAGRÂNCIAS E PERFUMES
 
Perfume.

Fragrâncias.

O aroma do perfume.

O aroma das fragrâncias.

Raso, ralo, penetrante, impactante.

Memórias, desejos e vontades.

Aroma.

Puro aroma.

Que o fazia lembrar dela.

De cada fio de seu cabelo.

Aroma que o fazia lembrar dela.

Cada fio.

Cada fio um sonho.

Um desejo.

Uma vontade.

Perfume.

Fragrâncias.

O aroma do perfume.

O aroma das fragrâncias.

Raso, ralo, penetrante, impactante.

Memórias, desejos e vontades.

Vontade dela.

E de seu perfume.

Perfume...

Que ele nunca sentiu.

Nunca sentiu...

9.5.17



 
TUDO.
 
 
- Nem sempre é tudo assim, não? - ele perguntou, todo bobo, meio sério. Todo bobo.

- Não - ela respondeu direta, sorrindo ao som de New Order e do DJ do Clube Varsovia e algumas doses de vodka.

Felicidade.

Nada com nada.

Nada com ela.

Nada com ele.

Nada com eles.

Nada.

- Nem sempre é tudo assim, não? - ele pergunto novamente, ainda mais bobo, ainda mais sério. ainda mais bobo.

- Não - ela respondeu novamente e de forma direta, sorrindo ao som de The Smiths e do DJ do Clube Varsovia e algumas doses de vodka.

Felicidade.

E vodka...

Muita vodka...

E nem sempre tudo é assim.

Tudo é do jeito que tem que ser.

Do jeito que ser que ser....

Para o bem...

Ou para o mal...

Seja o que for...

4.5.17


PERNAS 
Pernas grandes, pernas grossas.
Tatuadas.
Cariocas.
Lindas.
Pernas de uma menina.
Nada moça.
Nada moça.
Adulta.
Pernas grandes.
Pernas grossas.
Tatuadas.
Lindas.
Fluminenses.
As pernas dela.
Deliciosas.
E ele? Pobre tolo. Apenas sonhava em tocar.
Ele? Pobre tolo. Apenas sonhava em beijar.
Pernas grandes.
Pernas grossas.
Tatuadas.
Lindas.
As pernas dela....
Dela...
 


TODAS AS OUTRAS COISAS 
- Pernas? - ela perguntou áspera, irritada, brava, sob o barulho do Clube Varsóvia. Entre um gole e outro de vodka.
- Só te importam as pernas? - ela insistiu.
- E todas as outras coisas? - ela perguntou.
Ele apenas sorriu e tragou o seu cigarro vagabundo.
- E então? - ele perguntou - Pernas?
Ela sorriu e disse - Sim, pernas. Lindas, grossas, bronzeadas e tatuadas. As minhas pernas. As minhas pernas.
Ele deu um trago em seu cigarro um gole da sua vodka e disse - Que eu adoro.
Ela sorriu.
- E que jamais vou tocar- ele emendou - Jamais.
Ela apenas sorriu sob o barulho do Clube Varsóvia. Entre um gole e outro de vodka.
Entre um gole e outro de pernas...
 

28.4.17



CORNUCÓPIA DE NUVENS E TROVÕES

Abundância de desejos, de sonhos e de vontades.

Abundância do que se pode e do que não se pode ter.

Muitas vezes não.

Muitas, mas muitas vezes não.

Uma abundância de nada.

Nada.

- Eu te amo, sabia? - ela disse direta, reta e objetiva.

Ele arregalou os olhos, tomou um gole da sua vodca e ficou em silêncio. Um trago no cigarro na sequência.

- Não vai responder nada? - ela insistiu.

Ele continuou em silêncio apenas deixando as gotas da chuva que explodiam na janela manifestarem. A voz era delas. O barulho e o encanto era delas. Nenhumas das bobagens que ele iria falar.

- Você é um babaca - ela completou -  Nem sei o que faço aqui - concluiu.

Ele tomou mais um gole da sua bebida e disse de forma pausada, certeira, direta - Claro que te amo. Muito. Mas fico triste de você me amar. Não merece tanta estupidez. Não merece um babaca como eu.

Ela suspirou pesadamente e disse - Idiota. - Foge de tudo. Da vida, dos amores, das pessoas. Um verdadeiro imbecil.

E a chuva continuava a cair.

Relâmpagos, raios e trovões.

Mas... abraçaram-se e a noite foi mais feliz.

Ainda que ele soubesse que para ela, cedo ou tarde, não... Não haveria amor e nem mais o que quer que fosse.

Ela sabia disso.

Com certeza.


27.4.17


 
 
ESCREVER, ESCREVER E ESCREVER.
 
 
Tudo o que ela fazia era isso.

Além de ir beber no Clube Varsóvia e ouvir músicas indies no celular com aqueles malditos fones de ouvido na cor branca, ela sempre estava no Varsóvia.

Sempre.

No Clube.

Varsóvia.

Sempre com companhias erradas.

Sempre com bebidas erradas.

Sempre com cigarros errados.

Errados.

Sempre.

Daquele jeito.

Tudo o que ela fazia era isso.

Beber no Clube Varsóvia e ouvir músicas indies no celular com aqueles malditos fones de ouvido na cor branca.

Fones de ouvido na cor branca.

E ela sempre estava no Varsóvia.

No Clube Varsóvia.

Companhias erradas, bebidas erradas, drogas erradas.

Tudo errado e muito mais.

Tudo errado e muito mais.

Tudo errado.

Muito errado.

Tudo o que ela fazia era isso.

Coisas erradas.

E no Clube Varsóvia.

Sempre.

Sempre.

E o amor?

Ele sempre existiu.

E ela sempre sorriu.

Ao menos enquanto estava feliz...

Ao menos feliz...
 
 
CANSADO. CANSAÇO. SÓ EU.
 
 
Cansado de ser burro.

Cansado de ser ele.

Cansado de ser só ele.

Só isso.

Só ele.

Só isso.

Só nada.

Nada.

Um burro.

Um nada.

Nada.

Mas cansado...

Cansado de ser burro.

Cansado de ser apenas ele.

Cansado de ser só ele.

Só isso.

Só ele.

Um nada.

Nada.

E aí ele.

Uma noite fria, um beijo uns carinhos e nada mais.

Nada mais...

Nada...?

Mais...

Mas...


26.4.17



CÉU CINZA. MUITO CINZA
É isso.

O céu está totalmente cinza.

Repleto de nuvens e cores assim.

Cinza.

Cores cinza.

Quase pretas.

Quase nada.

Quase nada.

Quase ele.

Quase tudo.

- E você gosta? -  ele perguntou,,após um gole de vodka e um cigarro acesso.

Um grande cigarro acesso.

Ela sorriu e respondeu - Do que? Tenho que gostar de algo?

- De dias cinzas. De chuva. De noite. Noite ao longo da tarde. Cinza. Sombrio.

Ela sorriu e disse - Gosto de cigarros, do Clube Varsóvia, e...

Ele sorriu e emendou -  De mim?

Ela gargalhou e respondeu - Gosto de cigarros, do Clube Varsóvia e de dias cinzas. Presunçoso. Meninos bonitos não vou dizer.

Caíram na gargalhada.

Muito amor, muito tudo, muito eles.

Apenas uma noite de chuva.

E o Varsóvia merece...

Muito...





25.4.17




TUDO

É isso.

Tudo.

Nada mais que isso.

Nada mais que Nada.

Nada.

Tudo.

Tudo é mais que nada.

Nada mais que tudo.

Afinal ninguém lê.

Ninguém sabe.

Ninguém sabe de tudo.

Tudo.

Ou nada...

Um resto de pólvora no gatilho.

De tudo serve.

De nada vale.

Nada...

Tudo...

Absolutamente nada.

Absolutamente tudo.

Tudo?

Mas um beijo?

Este vale.

Muito e muito e muito.

Vale tudo.

Um grande beijo não técnico.

Cheio de amor.

Repleto de paixão.

Inundado de tesão.

Deles.

Apenas deles.

E das tatuagens, batons e marcas no corpo.

Repleto deles...

Deles.

É isso.

Tudo.

Tudo mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada.

Tudo mais que tudo.

Tudo mais que tudo.

Afinal ninguém lê.

Ninguém sabe.

Ninguém sabe de nada.

Nada.

Um resto de pólvora no gatilho.

Um desejo e uma tatuagem a brilhar.

Bendita Lua e seu poder de reflexo.

Seu poder de reflexo.....

Reflexo....

...

24.4.17




NADA

É isso.

Nada.

Nada mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada.

Nada mais que nada.

Nada mais que nada.

Afinal ninguém lê.

Ninguém sabe.

Ninguém sabe de nada.

Nada.

Um resto de pólvora no gatilho.

De nada serve.

De nada vale.

Nada...

Absolutamente nada.

Ninguém sabe de nada.

Nada?

Mas um beijo?

Este vale.

Muito e muito e muito.

Um grande beijo não técnico.

Cheio de amor.

Repleto de paixão.

Inundado de tesão.

Deles.

Apenas deles.

E das tatuagens, batons e marcas no corpo.

Repleto deles...

Deles.

É isso.

Nada.

Nada mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada.

Nada mais que nada.

Nada mais que nada.

Afinal ninguém lê.

Ninguém sabe.

Ninguém sabe de nada.

Nada.

Um resto de pólvora no gatilho.

Um desejo e uma tatuagem a brilhar.

Bendita Lua e seu poder de reflexo.

Seu poder de reflexo.....

Reflexo....

...



TUDO

É isso.

Tudo.

Nada mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada mais que tudo.

O valor que lembra tudo.

O tudo.

O amor que lembra o todo.

Todo.

Nada mais que o todo.

O amor que lembra o todo.

Todo.

O amor que lembra o sempre.

O sempre.

Nada mais.

Nada mais.
Mas...

tudo...

Nada mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada mais que tudo.

O valor que lembra tudo.

Beijos, cortes, sabores e vontades.

Muitas vontades...

Tudo.

Todas.

As vontades...

Todas as vontades.

Todas as vontades.

Tudo.

Nada mais que isso.

Nada mais que tudo.

Tudo.

Nada mais que tudo.

Nada mais que todas as vontades.

O valor que lembra tudo.

O valor que lembra todas as vontades.

Tudo.

Todas.

Vontades.

Beijos.

Delírios.

E vontades...

todas as vontades...

Todas as vontades...

12.4.17




UM BOLINHO DE CHUVA E UM CAFÉ CURTO
 
- Patrícia? - ele perguntou, todo ansioso, todo covarde, todo ele.
Apenas um chamado. Nada mais.
Nada mais que isso.
- Patrícia? - ele insisitiu.
Ela virou para trás, tremendo só de reconhecer aquela voz rouca, aquela voz dele, aquela voz óbvia  que ela conhecia tão bem.
E ficou em silêncio.
E ele?
Ficou com o olhar perdido.
Muito perdido.
- Patrícia? - ele repetiu incauto, sem modo, sem jeito e sem nada. Um tolo.
Um absoluto tolo.
- Patrícia? - ele repetiu.
Ela sorriu sem vontade e disse - Você já disse meu nome muitas vezes. Acho que basta.
Ele abaixou a cabeça sem graça. Não retrucou.
Ela se arrependeu.
Ele também. Não respondeu.
- E então - ela disse.
- E então? Você pode me dizer uma coisa? - ele aproveitou a deixa.
Ela o olhou com surpresa. Muita surpresa.
- Posso? - ele repetiu, ansioso.
- Sim - ela concordou com as palavras, os olhos e a cabeça.
- Quer tomar café curto e comer uns bolinhos de chuva? - ele perguntou, tímido.
Ela começou a chorar.
Ele abaraçou.
Mais do mesmo.
Mais de sempre.
Mais deles.
Mais deles.
Sempre.
Sempre...
Mas nada que um bolinho de chuva, um café quente e um beijo tentador não resolva.
Não resolva....
 

11.4.17


 
 
VIDA QUE NÃO VAI...

Vida que não segue.
Vida que não... nada.
Vida...
Apenas isso.
Apenas isso.
Uma vida.
Inútil.
Apenas inútil.
Uma vida... que não vai.
De forma alguma.
De forma alguma...
Uma vida que não segue.
Uma vida que não vai.
Não...
Não vai...
Vida que não segue.
Vida que não... nada.
Vida...
Apenas isso.
Apenas isso.
Uma vida.
Inútil.

E quem não é inútil?
Apenas para saber...
Apenas para saber...
Saber...

10.4.17


ENTÃO...
 

Então, estou assim.
Então, estou só.
Muito só.
Apenas eu.
Apenas eu.
Só.
Com um bando de babacas ao lado.
Um bando.
Só.
Apenas eu e nada mais.
Nada mais.
Um bando de babacas ao lado.
Um bando.
Então, estou assim.
Então, estou só.
Muito só.
Apenas eu.
Apenas eu.
Só.
E uma garrafa de vodka polonesa ao meu lado.
Uma boa vodka polonesa.
Muito boa.
Muito.
Cheia de graus e de desejos e de delírios e de vontades e de sonhos.
Muitos sonhos.
Então, estou assim.
Então, estou só.
Muito só.
Apenas eu.
Apenas eu.
Só.
E algum piano sendo dedilhado ao longo da vizinhança.
Ao longo da vizinhança.
Roupas íntimas?
Apenas lingeries sexys e roupões de seda e espartilhos de pin up.
Alguém precisa de mais?
Então, estou assim.
Então, estou só.
Muito só.
Apenas eu.
Apenas eu.
Só.
Sem lingeries e nem pianos e nada mais.
Apenas eu.
Apenas eu...
Eu...
 


 
E ELE? ELE NADA SABIA E MUITO MENOS SABIA O QUE DIZER...
MUITO MENOS...O QUE DIZER...
 
 
- Nada? - ela perguntou irritada - Nada? - insistiu.
- Nada - Nada a dizer? - repetiu.
Ele ficou em silêncio.
Silêncio absoluto.
Um moleque.
Um moleque.
Apenas um moleque total.
Total.
Silêncio total.
Absoluto...
Sorte, sorte dos torcedores, de todos que estavama à volta...
- Eu dizia um monte de bobagens, não? - ele tentou.
Ela meneou a cabeça e apenas concordou. Nada disse.
Nada.
Apenas meneou a cabeça.
- Nada? - ela repetiu irritada - Nada? - Nada - Nada a dizer?
Ele ficou em silêncio.
Silêncio absoluto.
Um moleque.
Um moleque.
Total.
Apenas isso...
E as imagens e mosaico e linda daquele filmea invadiam a sua mente.
Cores, formas, diálogos e tudo mais.
Tudo mais...
Tudo...
Mais...

31.3.17


CANSAÇO
  
Cansado.
 
Ele estava cansado.
 
Cansado de tudo, cansado do nada.
 
O nada que virou a sua vida.
 
Apenas nada.
 
Mas, ainda assim, cansado.
 
De tudo e do nada.
 
Muito cansado.
 
Cansado de ser chutado, humilhado, revirado, tumultuado.
 
Cansado de ser ele.
 
Apenas cansado.
 
Apenas cansado.
 
De tudo.
 
De todos.
 
De nada.
 
E o que mais ele queria, o que ele mais queria era ver o mar.
 
O mar...
 
Naquele momento era o que ele mais queria.
 
Ver o mar.
 
Ouvir o som.
 
O som do mar.
 
Ondas, sussurros e espumas.
 
Sentir a brisa do vento e o calor do sol e o cheiro da maresia.
 
O cheiro da maresia.
 

 
SABORES.
 
 
Sabores...
 
Sabores.
 
Vontades...
 
Delícias...
 
E apenas ela.
 
Apenas...
 
Ela.
 
Sabores, vontades e delícias...
 
Nada mais.
 
Apenas isso
 
Desejos e gostos e vontades, e tudo mais. Tudo mais.
 
Tudo mais.
 
Apenas isso.
 
Tudo mais...
 

30.3.17




NADA. APENAS NADA. APENAS NADA. APENAS UMA MANCHA....
Nada.

Apenas nada.

Apenas isso.

Apenas nada.

Evidência?

Nenhuma.

Nenhuma.

Nenhum momento de bruxaria ou feitiço ou seja lá o que for.

Nada.

Nenhum.

Nenhuma.

Nada.

Apenas tudo.

O que quer que isso signifique.

Ou seja?

Nada...

Nada.

Apenas isso.

Apenas nada.

Evidência?

Nenhuma.

Nenhuma.

Prova?

Nenhuma.

Exceto a mancha do delicioso batom de uva no seu colarinho.

Exceto a mancha em seu roupa.

Exceto.

Exceto a mancha de batom.

Deliciosamente culpada.

Deliciosamente culpada...

E muito....

E ele?

Apenas isso.

Apenas nada.

Muito nada...

Nada.....

29.3.17


TUDO ou NADA.
 
 
Tudo ou nada.

Tudo muito ou apenas quase nada.

Apenas quase nada.

Quase nada.

Muito tudo....
 
Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada...

Nada...

Tudo?

Quem sabe.

Nada?

Eu já sei....

Tudo?

Nada?

Apenas eles.

É sempre assim.

Sempre assim.

Tudo ou nada.

Tudo muito ou apenas quase nada.

Apenas quase nada.

Quase nada.

Muito tudo....

Mas tudo que não é nada, de nada vale. Nada é nada...

Nada....

28.3.17


 
O PESO DA MÃO NA HORA DO SOCO.
 
- Como? - ele perguntou enquanto acendia um cigarro com as mãos trêmulas. Trêmulas, muito trêmulas.
Ela o olhou com um olhar doce, sincero, direto e depois de tomar um gole da sua vodka, disparou - Eu te amo. Simples assim. Simples, mas nem tanto assim - completou.
Ele tremeu. Muito. E entre um trago e outro do seu cigarro, ficou em silêncio por instantes que pareceram séculos.
Ela sorriu e disse - Não vai dizer nada? Nada mesmo? - insistiu.
Ele não sabia o que dizer. Não sabia o que fazer. Queria apenas terminar o seu cigarro, que ele queria que não tivesse fim.
Ela sorriu.
Ele também.
- Vem - ela disse - Me dá um beijo. Um beijo daqueles nada técnicos.
E o peso da mão na hora do soco surpreende. Sempre.
E a chuva que despencava lá fora não importava.
Apenas o amor.
Apenas eles...
 

FATAL
Fatal.
"1 Que acontece como se fosse determinado ou fixado pelo destino; inelutável, inevitável, irremissível.
2 Que põe fim a; que mata; letal, mortal, mortífero.
3 Que traz infelicidade ou desventura; desastroso, nefasto, ruim.
4 Que não admite prorrogação; final, improrrogável, inadiável."

(Dicionário Micaelis)
Um romance fatal.
Um término de romance fatal.
Um comportamento fatal.
Umas palavras fatais.
Um todo cenário fatal.
Ele não se ajudou.
Muito menos ela.
Muito menos ambos.
Muito menos ambos.
Fatais.
Inconsequentes.
Idiotas.
Arrependidos.
Muito arrependidos.
Muito arrependidos.
Muito.
Fatal.
Um cenário fatal.
Mas não houve morte, não houve sangue, não houve drama, não houve nada.
Houve lágrimas, choros e arrependimentos.
E o término de uma linda estória de amor.
Um romance ideal que chegou ao fim.
Fatal...
Apenas fatal.

INVEJA.


Inveja.
Palavra feia, pesada, malvada e tudo o mais.
Inveja.
Uma palavra. Um sentimento.
Apenas inveja.
A inveja que remete ao ódio.
Que não se deve sentir.
Inveja.
Uma palavra tola, escrota, insensível, irresponsável e tudo o mais que puderem pensar.
Tudo mais e apenas inveja.
Uma palavra.
Um sentimento.
Nenhum argumento.
E todos, mas todos tinham inveja.
Inveja dela.
E muita.
Porque ela era bela, esperta, sensível, inteligente, sagaz.
A inveja dela.
E o mundo é assim.
Cretinos e babacas e intolerantes e condescendentes e nem sabemos de qual lado estamos.
Nem sempre.
Quase nunca sabemos.
A inveja?
Nunca morre.
Nunca deixa de existir.
Nunca deixa de existir.


TUDO O QUE DEVERIA SER. TUDO O QUE PODERIA SER.
 
- Você vai mesmo viajar? - ele perguntou atônito, bobo, aflito.
Um menino.
Um grande covarde.
Ela o encarou com um carinho antigo mas apenas respondeu de forma direta, simples e seca - Sim. Eu vou. Eu vou viajar. Não vai me ver por um bom tempo.
Ele a encarou de forma assustada, indefesa, incrédula - E nós? - perguntou, ainda mais atônito, ainda mais bobo, ainda mais aflito. Um pobre menino covarde.
Ela suspirou de forma entediante e de saco visivelmente cheio - Nós? - retrucou - Nós? - perguntou quase aos gritos.
Ele apenas assentiu com a cabeça. Nada mais disse.
Ela bufou e disse - Não há "nós" - Não há. Existe eu e você. E você é um babaca. Um tremendo covarde e babaca. Te odeio idiota - finalizou, determinada.
Ele apenas chorou. Não sabia o que responder.
- Existia "nós" quando você ficou com aquela vadia? - ela disparou - Existia? - insistiu - Você lembrou de nós? - completou.
Ele ficou em silêncio. Absoluto silêncio.
A noite era a música.
- Não. Não lembrou - ela retomou - Então querido, não há "nós". Nunca mais. Nunca mais. "Nós" não existimos mais. Seu otário e grande filho da puta.
E restou o silêncio das palavras.
E a noite, esta grande trilha sonora, presenciou como se termina um romance, uma estória de amor. Um conto e tudo o mais.
De forma cruel e direta.
Direta.
Muito cruel.
Tudo o que poderia ser. Tudo o que efetivamente deveria ser.
Não fossem os erros.
Os muitos erros.
Por todos cometidos.

27.3.17



SORTE.
Sorte?

Azar?

Ninguém sabe, ninguém nunca vai provar.

Um ajuda o outro.

O outro ajuda o um.

Mas ninguém se entende.

Ninguém se entende.

Ninguém.

E a vida segue.

Com sorte, azar ou a porra que for.

Um ajuda o outro.

Um fode o outro.

A vida é assim.

A vida é assim.

Sobrevivência.

Sobrevivência.

Nada demais.

Nada demais.

Sorte?

Ou não.

Nem tanta.

Ninguém sabe, ninguém nunca vai provar.

Nunca vai provar....

SUPERNOVA.
- Música velha hein? Típica de um velho tarado - ela provocou.
Ele apenas sorriu.
Ela corou com a piada imprópria.
Ele também.
- Não. Nada tarado. Apenas um velho. Um velho - ele emendou. - Champagne Supernova. Música velha, de velhos, mas bonita.
- Bem, Ok. Mas de tarado - ela respondeu provocativa, ainda mais afiada.
Ele nada disse.
Ela gargalhou.
- Deixa de ser bobo - ela disse - Estou apenas brincando - completou.
Ele tomou um gole de vodca e ficou em silêncio. Queria achar um cigarro.
Nada.
- Deixa de ser bobo - ela insistiu - Estou enchendo o seu saco - disse - Aliás - emendou - Saco que eu queria comigo aqui e agora.
Ele ficou roxo.
Ela não.
- Champanhe? - ela provocou.
Ele sorriu.
Nada disse.
Apenas sabia que mesmo ao telefone estava no lugar certo, com a conversa certa e coma pessoa certa.
Um brinde.
Um brinde a quem é de brindes.
Um abraço a quem é de abraços.
Um beijo...
A que é de beijos....


ENTÃO...
Então;..

Então é então.

Ou seja, nada....

Nada.

Ou quase nada.

Quase nada.

Quase nada.

Mas...

Estamos aí.

Estamos aí.

Para o que der e vier.

Estamos aí.

De uma forma ou de outra.

Pessoas que você nem conhece te odeiam porque têm inveja ou algo parecido.

Muita inveja e coisas ruins.

Mas essas, essas sim, se fodem.

Muito.

Pessoas más.

Ressentidas.

Essas se fodem.

Se fodem.

Muito.

E muito.

Não merecem nada.

Nem uma lágrima.

Nem respeito, nem flores, nem caixão, nem nada.

Nem nada mais.

Se fodem.

Muito.

Muito.

Se fodem e apenas isso.

E então?

E então, nada....

Nada.

Absolutamente nada.

O nada é o que sobra disso.

O nada é o que sobra disso.

Nada....

Apenas um sorriso pequeno em meus lábios.

Apenas um sorriso pequeno em meus lábios.

23.3.17



NÃO SEI. DEFINITIVAMENTE...

- Volta? - ele pediu, meio bobo, meio tonto, todo ele.
Sempre assim.
Ela sorriu enquanto tragava o seu cigarro e respondeu - Voltar? E qual a razão disso? - retrucou de forma irônica, de forma arisca, da forma dela. Toda dela.
Ele abaixou a cabeça e nem chorou. Segurou. Nada disse. Nenhuma lágrima. Nada. Apenas sentimentos represados.
Vontade de voltar.
- Você não respondeu - ela disse - Não respondeu. Você é um filho da puta que não responde nada. Nunca. Quer que eu vá, que volte, o caralho, mas nunca me diz nada. Nada. Nunca diz nada. Só pede e pede e pede.
Em voz baixa e trêmula ele disse - Não Sei. Definitivamente.
Ela respirou fundo e engoliu as palavras. Melhor não dizer nada.
Ele respirou fundo e engoliu as palavras. Melhor não dizer nada.
E após o silêncio de alguns segundos, que pareceram minutos, horas ou dias, ele emendou - Não sei. Definitivamente, mas sei que te amo. E muito.
Ela acendeu mais um cigarro e começou a chorar. Como uma diva, como uma anja, como uma criança. Linda e triste. Verdadeiramente triste.
Ele acendeu um primeiro cigarro mentolado e começou a chorar. Como nunca. Como ele. Como sempre quando cai nessas. Quando cai nessas.
O olhar trocado entre ambos foi insano, doente, intenso e apaixonado.
Delicioso.
O beijo?
Delicioso.
Sabemos. Definitivamente...
Definitivamente...
Assim...

O TUDO. O NADA.
- Você é um imbecil, sabia? - ela disse, direta, cruel e rude. Raivosa e raivosa.
Nada mais que isso.
- Posso saber a razão? - ele perguntou sem saber ao certo o que queria dizer. Sem saber ao certo o que queria escutar.
Sem saber nada.
- Imbecil. Entende? - ela insistiu - Você é um canalha e um imbecil -  continuou.
- Não sou - ele tentou se defender - Não sou - disse.
- Beijar e ficar com aquela vaca? - ela gritou - Com aquela vaca? Justo com ela? - repetiu e insistiu.
- Olha... - ele tentou justificar e prosseguiu - Não sei o que aconteceu. Erros, erros e erros. Eu te amo - concluiu.
- Vá se foder - ela gritou - Vá se foder - repetiu, aos gritos.
Ele começou a chorar e nada disse.
Ela começou a chorar e nada disse.
Dois apaixonados.
Dois errados.
Dois.
Dois para o tudo e dois para o nada.
Erros.
Apenas assim.
Apenas assim...










SENTIMENTOS DE VELUDO
Ela o amava.

Ele, também.

Sentimentos de veludo, como azulejos usados e memorabilia.

Veludo.

Veludo nem existe mais.

É o "fax" da nossa geração.

Velho.

Veludo.

Coração.

Mas que bom se os corações fossem de veludo.

Fofos, lindos e imunes.

Imunes a socos, imunes a porradas, imunes a constrangimentos.

Imunes.

Veludo.

Simples assim.

Que bom se os corações fossem de veludo.

Fofos, lindos e imunes.

Imunes a socos, imunes a porradas, imunes a constrangimentos.

Muitos constrangimentos.

Muitos socos.

Muitas porradas.

Imune.

Mas, ele, ainda assim a amava.

Muito.

Com um coração de veludo.

Apenas ele.

Veludo.

E os beijos?

Ah, eles derretiam tudo o que havia lá.

Tudo....

22.3.17



QUANDO TUDO FICA ESCURO

E, de repente, tudo fica escuro.
Tudo.
Muito escuro.
Tudo fica escuro.
Muito escuro.
Mal.
Muito mal.
Errado.
Demasiadamente errado.
Nada.
Apenas nada.
E o que sobra é o sabor do beijo.
O sabor do beijo.
E do batom.
O sabor...daquilo.
O sabor...
Frutas silvestres.
Batom vagabundo.
Bem vagabundo.
E, de repente, os trovões começam.
Fortes, gordos, imponentes.
Os trovões...
Fortes, gordos e, nada, mas nada, imponentes.
E o que sobra é o sabor do beijo.
O sabor do beijo.
O sabor...daquilo.
O sabor...
E, de repente, tudo escurece novamente.
Tudo.
Uma nuvem cinza do nada.
Escuro.
Apenas isso.
Muito escuro.
E, de repente, tudo fica escuro.
Muito escuro.
Exceto pelo sabor das frutas silvestres.
Exceto...

17.3.17


NEM UMA CANÇÃO DO THE CLASH. NENHUMA...

Nada.

Nem uma canção do The Clash.

Nem uma canção do The Clash.

Ou Beatles.

Ou Smtihs.

Seja lá o que for.

Nada.

Apenas adolescentes apaixonados.

Desesperados.

Obcecados.

Chorosos.

Mas nada.

Nada.....

Nada.

Nem uma canção do The Clash.

Nem uma canção do The Clash.

Ou Beatles.

Ou Smtihs.

Ou lágrimas.

Com lágrimas.

Apenas isso.

Simples assim, mas nada disso.

Nada.

Nada disso.

Nada.

Simples assim.

Um grande desastre.

Um grande desastre.

Em definitivo.


NADA. APENAS NADA....

Apenas nada.

Nada.

Ela é...

Ela é o que é.

Nada.

Apenas nada.

Apenas nada.

Nem um sorvete, nem um Bourbon, nem uma sorte, nem um cigarro. Nem.......Nada.

Nada.

Nada.

Apenas isso.

Apenas eles.

Apenas nada.

Nada.

E quando o sol brilhar forte.

Apenas  brilhar.

O que sobra?

Nada.

Apenas nada.

Somente o brilho.

Somente Varsóvia.

Apenas eles...

Apenas eles....

16.3.17


ELA APENAS É.....


- Oi - ele disse, todo tonto, todo bobo.
Ela o encarou e apenas respondeu - Oi. Tudo ótimo.
Sorriram.
Ambos.
Sorrisos comuns.
Sorrisos.
Comuns.
E viraram uma pequena dose de vodka.
Uma e outras duas.
Pequenas, mas suficientes.
Suficientes.
Para o que for necessário.
O que fosse necessário.
Absolutamente necessário.
Sorrisos comuns.
Mas... apenas sorrisos.
Apenas sorrisos.
E a vida nunca é assim.
Nunca.
Nunca é como desejamos que seja.
Como queremos que aconteça.
Ela é...
A vida.
Simples assim.
Apenas isso...
Ela é....
A vida..
E beijos não se transforma em contos de fada.
E nada vira o que não deve ser.
A vida.
Ela é assim.
Simples assim.
Simples assim...


15.3.17



CANSA. CANSA DEMAIS


Cansa, quando todo mundo quer mais.
Mais e mais e mais de você.
Muito.
Muito mais.
E isso cansa....
Cansa.
Demais.
Apenas isso.
Mas cansa demais.
Não quero suor, não quero a dor, não quero nada.
Mas...este excesso cansa demais.
E se você estivesse desempregado?
E se você estivesse desamparado?
E se você estivesse fodido?
Se?
Se?
Se?
Foda-se.
Estou do jeito que estou e você sabe disso..
Sempre soube.
Maldade usar o argumento ao contrário.
Maldade usar o argumento ao contrário.
Maldade.
Pura maldade.
Não sou grande, não sou alto, não sou lindo, não sou nada.
Sou apenas eu....
Apenas eu.
E apenas cansa, quando todo mundo quer mais.
Mais e mais e mais de você.
Muito.
Muito mais.
E isso cansa....
Cansa.
Demais.
Apenas isso.
Vontades?
Aos montes.
Desejos?
Ainda mais.
Verdade.
Bem, vamos ver as realizações.
As realizações.

10.3.17



FOTOS. APENAS FOTOS. NEGATIVOS E NADA MAIS.
 
- Fotos? - Ela respondeu surpresa, rápida, ágil, sem avisar, sem pensar. Do nada. Respondeu sem pensar. Apenas sem pensar e avisar. E sem falar nada mais profundo. Nada. Simples assim.
Como um negativo apenas respondeu sobre as fotos.
As fotos que ele havia pedido.
Inadvertidamente.
- Isso - ele reiterou e disse mais uma vez - Fotos. As nossas fotos. Das nossas viagens e de tudo mais - Eu queria algumas. Adoro lembrar de você no Uruguai, Argentina, enfim, adoro lembrar de você na vida. Seus cabelos congelados. Lindos e congelados. Tenho direito a uma ou duas? - ele perguntou
Ela sorriu e disse - Sabe de uma coisa? Sempre me odiei nas nossas fotos. Não saio bem.
Sorriram.
Fotos?
Momentos e detalhes.
A vida deles eternizada em um negativo ou em um pendrive.
Simples.
Simples e romântico.
Simples assim.

9.3.17



SEM CHÃO. APENAS SEM CHÃO...

- Eu? Eu não sei. Não sei de porra nenhuma - ele respondeu cândido, doce e suave - Definitivamente não. Não sei - prosseguiu..
- Não? Você não sabe, seu filho de uma puta. Cretino dos infernos - ela prosseguiu - Como não? - insistiu.
Ele apenas sorriu.
Ela não.
Definitivamente, ela não.
Nada.
Ele sim.
- Eu? - ele repetiu - Eu não sei. Não sei de porra nenhuma - respondeu ainda mais cândido, ainda mais doce e ainda mais suave - Definitivamente não. Não sei.
- Não? Você não sabe? - ela proferiu - Seu filho de uma puta. Cretino dos infernos. Como não? - insistiu.
Ele ficou sem graça.
Ela ficou sem chão.
Nada.
Nada voltaria ao normal.
Nada.
Ela?
Ele?
Quem haverá de saber.
Quem?
Ele ficou sem graça.
Ela ficou sem chão.
Nada.
Apenas nada.
Nada voltaria ao normal.
Nada.
Nada...
E eles?
Apenas um puta beijo e a falta de chão.
Falta de chão.
Falta de chão...
Como se flutuassem.
Sem gravidade.
Nenhuma gravidade.
Exceto pelos seus atos.
Exceto por isso.


 

8.3.17




CANSAÇO

Cansa.

Demais.

Cansa demais.

Nada novo.

Nada de novo.

Nada.

E isso cansa.

Muito.

Cansa.

Demais.

E os beijos ficaram para trás, os beijos ficaram distantes, o passado ficou lá atrás.

Sorte dele.

Ou azar???

Muito azar...

Isso cansa.

Muito.

Demais.

Demais....

Apenas cansaço e olhos inchados....

De tanto chorar...

7.3.17


TUDO LÁ FORA. TUDO LÁ FORA. PRINCIPALMENTE O MEDO.
Medo? - ela perguntou. Um tanto ansiosa, um tanto nervosa. Muito pó.

Puro pó.

Daqueles.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer sentir.

Nem ver.

Nem sentir.

Nada.

Nada

Puro pó.

Puro nada.

Nada...

Nada.

Medo? - ela repetiu, ainda mais ansiosa, ainda mais nervosa.

Muito nervosa.

Muito pó.

Puro pó.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer sentir.

Nem ver.

Nem sentir.

Medo? - ela se perguntou. Um tanto ansiosa, um tanto nervosa. Muito pó.

A cabeça sequer respondia.

O cérebro muito menos.

Puro pó.

Muito pó.

Muito menos.

Daqueles que você nem quer ver.

Daqueles que você nem quer ver.

Nunca...

Nunca

E tudo fica lá fora.

Tudo.

Principalmente o medo.

Principalmente o medo.

Muito.

Medo...

6.3.17


E AS GOTAS LÁ FORA...

Tudo.
Nada.
Apenas lágrimas.
Apenas amor.
Apenas nada.
Muito tudo.
Muitas lágrimas.
Muito amor.
- E você me ama? - ele perguntou.
- Ama?- insistiu de forma severa.
Ela apenas ficou em silêncio.
Silêncio.
Total.
Silêncio.
Total.
Tola.
Boba.
Apenas ela.
Como sempre.
Apenas lágrimas.
Sal e amor.
Sal e nada.
Apenas amor.
Apenas nada.
Muito tudo.
Muitas lágrimas.
Muito amor.
- E você? Você me ama? - ela perguntou.
Ele apenas ficou em silêncio.
Nada.
Silêncio.
E as gotas de chuva lá fora.
Caindo como deveriam cair.
Caindo como deveriam cair.
Sempre...
Sempre...

1.3.17



DISFARCE DE LÁGRIMAS.
Chovia.
Muito.
Chovia, para caralho.
Gotas grandes, grossas, gordas.
Gotas...
Muitas gotas.
Muitas.
Chovia.
Muito.
Para caralho.
E, na verdade, bom.
Bem bom.
Disfarce de lágrimas.
Muito disfarce.
Muitas lágrimas, muito bom.
Muitas lágrimas.
Muito bom.
Gotas grandes, gotas grossas, gotas gordas.
E chovia.
Muito.
Para caralho.
Bom.
Bem bom.
Bem bom.
Disfarce de lágrimas.
E há coisa melhor?
Há?
E ele?
Tolo.
Apenas pensava aonde ela estaria naquela hora.
Aonde?
Longe.
Longe demais.
Chovia.
Muito.
Para caralho.
E ela estava longe.
Longe demais.
Longe demais.


15.2.17


ATENDENDO A SUA DESILUSÃO


"...Atendendo a sua desilusão
Atendendo a sua desilusão..."
(uma canção antiga.... Finis Africae)


E ele não sabia de nada.
Absolutamente nada.
Um bobo.
Um tolo.
Otário.
Um apaixonado por um amor vão.
Um amor em vão.
Em vão.
Um apaixonado por um amor de nada.
Nada.
Um amor de nada.
Um amor em vão.
Muito em vão.
Um tolo.
Um bobo.
Ele.
Sempre ele e seus cabelos longos e morenos.
Muito.
Um mouro.
Um americano.
Um ele....
Sempre atendendo a desilusão.
Desilusão alheia.
Alheia.
Sempre assim.
Mas ele ainda era apaixonado por ela.
Apaixonado.
E ela?
Não.
Definitivamente não.
Apesar da pele de princesa, das tatuagens insanas e de tudo mais.
Não...
Definitivamente não.
E...
mais uma noite claro.
Muito em claro...
Muito em claro...

10.2.17



 
NADA...
 

Não.
 
Nada.
Chuva?
Nenhuma.
Nada.
Porra nenhuma.
Porra alguma.
Nada.
Nada.
Como uma canção da banda Felini.
Que você sequer conhece.
Inútil.
Otária.
Nada.
Apenas nada.
Nada.
Exceto a chuva.
Que caía como um castigo.
Como um trágico castigo.
Demasiado forte.
Demasiado tudo.
Forte.
Tudo.
Não.
Nada.
Chuva?
Nenhuma.
Nada.
Porra nenhuma.
Porra alguma.
Nada.
Nada.
Como uma canção da banda Felini.
Que você sequer conhece.
Inútil.
Otária.
Otário.
Os dois.
Nada.
Apenas nada.
E o sentimento?
Apenas amor e canções afins.
Apenas amor e... o que for.
O que seja.
O que seja...

O que seja...

9.2.17


NÃO. NÃO...
 

Não.
Não se pode pensar assim.
Não.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.
Não.
Não se pode pensar assim.
Não.
Sem
Definitivamente não.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.
 
Não se pode pensar assim.
Nem com vodka ou cerveja ou algum outro destilado.
Não.
Não se pode pensar assim.
Não.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.
Deve mirar seu estilo. Deve mirar seu conceito. Deve mirar seu foco.
Deve mirar...
Tudo.
Não.
Não se pode pensar assim.
Não.
Não mais.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.Não.
Apenas você e nada mais.
Nada mais.
Não se pode pensar assim.
Não.
Não mais.
Não mais.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.
E ele?
Apenas estava morto em seu carpete.
Sem ida.
Sem vinda.
Sem culpa.
Sem nada.
E, não.
Não se pode pensar assim.
Não.
Sem preconceito, sem jeito, sem dúvida, sem defeito.
Sem PORRA nenhuma.
Nada.
 
 

O ESPARTILHO. E TUDO O MAIS. TUDO O MAIS. QUE SE PODE MOSTRAR E DESEJAR.
TUDO.
O QUE PODE EXISTIR A MAIS...
A MAIS...
 

Tudo mais.

Tudo.

Tudo a mais.

Tudo à mostra.

Tudo muito à sobra.

Tudo sobra.

Tudo e nada.

Tudo.

Nada.

Vontades e desejos e frestas.

Muitas frestas.

Tudo mais.

Tudo a mais.

Tudo o que se desejava ver.

Coxas, pernas, calcinhas, lingerie.

Meias.

Tudo o mais.

Tudo a mais.

Tudo.

Mais do mesmo.

Muito de tudo.

Muito do mesmo.

Muito de tudo...

E ele?

Apenas um bobo que não sabia o que fazer.

Não sabiar para onde correr.

Um bobo.

Um tolo.

Mais do mesmo.

Muito de tudo.

Muito do mesmo.

Muito de tudo...

Apenas ele.

Apenas...

ele...



O QUE SE PRECISA PARA SER FELIZ. TUDO... apenas tudo

Tudo.
Tudo permitido.
Tudo consentido.
Tudo consentido.
Tudo permitido.
Consentido.
Muito consentido.
Muito.
Liberado.
Lindo.
Lindo e liberado.
Livre.
Eles.
Mas, apenas um amor.
Apenas um.
Incondicional.
Um amor incondicional.
Apenas um amor.
Apenas um.
Incondicional.
Lindo.
E deles.
Do casal.
Apenas deles.
Tudo.
Tudo permitido.
Tudo consentido.
Consentido.
Muito.
Lindo.
Liberado.
E livre.
Muito livre.
Muito livre.
E apenas...
feliz...
muito feliz...


TUDO. APENAS TUDO.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
Vontade de beijar.
Vontade de sangrar.
Apenas ela.
Apenas ele.
Dois doidos.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
Ela?
Apenas ela.
Apenas pernas deliciosas.
Lindas.
Gordas e grossas e deliciosas.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
Vontade de beijar.
Vontade de sangrar.
Vontade de tudo mais.
Deliciosamente tudo mais.
Tudo mais.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
E nada disso era muito.
Nada disso era pouco.
Delírios, desejos e vontades.
Ele.
Apenas ele.
Vontade de beijar.
Vontade de sangrar.
Sangrar...
Muito...
 

8.2.17





NADA. APENAS... NADA...


E ela apenas não queria isso.
Nada disso.
Nada.
Nada disso.
Beijos, forças e vontades.
Muitas beijos.
Muita força.
Pouca vontade.
Muito pouca.
Muito pouca vontade
E ea apenas não queria isso.
Não.
Definitivamente não.
Não.
Vontade era o que sobrava.
Muita vontade...
Muita vontade...

7.2.17



E, DE REPENTE, NADA SE FEZ.
NADA. ABSOLUTAMENTE NADA....
APENAS KILTS E UÍSQUE ESCOCÊS...


E o alarme da alfândega tocou.
Forte.
Aeroportos insanos
Loucos,
Loucos e adoravelmente perturbados.
Adoravelmente perturbados.
Alarme forte, brusco, severo, direto, enérgico,
Chato.
Apenas isso: Chato.
Adorável, mas chato.
Um alarme.
Apenas isso.
As usual...
As usual..
Apenas isso.
E apenas chato....
Muito chato.
Muito whatsapp.
Muito nada.
Barulho para a galera ouvir.
Bobagem.
E o alarme da alfândega tocou.
Forte.
Aeroportos insanos
Loucos,
Loucos e adoravelmente perturbados.
Adoravelmente perturbados.
Alarme forte, brusco, severo, direto, enérgico,
Chato.
Apenas isso: Chato.
Para todos serem felizes e se sentirem bem.
Bem.
Pobres babacas.
Pobres.
E o alarme da alfândega tocou.
Aeroportos insanos
Loucos e adoravelmente perturbados.
Adoravelmente perturbados.
Alarme forte, brusco, severo, direto, enérgico,
Chato.
Apenas isso: Chato.
E a vida?
Segue assim.
Firme, forte e chata.
Pobres alarmes...
Pobres alarmes...
Pobres...
E saias escocesas são as mais bonitas.
Definitivamente...


TUDO AO MESMO TEMPO...

Delícia.
De nada.
De tudo.
Apenas delícia.
Muita.
Muita delícia.
Muita delícia.
De nada.
De tudo.
Muito.
E o beijo - lindo - sumiu no todo.
Contexto insano e delicioso.
Delicioso.
Mas o beijo apenas sumiu.
Sumiu.
Na cena do bar.
Na cena da noite.
Na canção do DJ.
Na bebida mal tomada.
Ele apenas sumiu.
Sumiu.
Apenas sumiu.
E ela, linda, vinha com garra e força e tesão.
Um lindo delírio.
Furacão.
Desejo e tesão.
E o beijo?
Lindo?
Apenas sumiu.
Sumiu como um todo.
Contexto insano e delicioso.
Delicioso e inacabado.
Um desejo.
E ele apenas sumiu.
Sumiu.
Na cena do bar.
Na cena da noite.
Na canção do DJ.
Na bebida mal tomada.
Ele apenas sumiu.
Sumiu.
Apenas sumiu.
E os lábios?
Molhados e secos ficaram.
Sozinhos.
Apenas sozinhos....
Muito sozinhos...


SALIVA E TUDO ASSIM. TUDO ASSIM...

E o beijo delas era sagaz.
Sagaz.
Cruel, sagaz e delicado.
Duas bocas, dois lábios, um amor.
Grande...
Muito grande.
Dois amores.
Um amor maior.
Um amor sob a chuva que despencava lá fora.
Desabava lá fora.
Muito.
Muito forte.
Mas o beijo delas era sagaz.
Sagaz.
Demais.
Cruel, sagaz e delicado.
Duas bocas, dois lábios, um amor.
Grande...
Muito grande.
Dois amores.
Um amor maior.
Muito maior.
E não havia trovão ou relâmpago ou raio que as afastasse.
Não.
Definitivamente não.
Um beijo sagaz.
Sagaz.
Apaixonado.
Cruel, sagaz e delicado.
E apaixonado.
Muito apaixonado.
Duas bocas, dois lábios, um amor.
Grande...
Muito grande.
Dois amores.
Um amor maior.
E os trovões?
...
Fodam-se eles.
apenas fodam-se eles...

Duas bocas, dois lábios, um amor.
Grande...
Muito grande.
Dois amores.
Um amor maior.
Maior que tudo...

tudo...



E ELA TOMAVA CERVEJA...

E ambos queriam chegar a algum lugar.
A algum lugar.
Ambos.
Ambos.
Ele?
Ela?
Os dois.
E ambos tomavam cerveja.
Muita.
Muita e muita e muita.
E sorriam e gritavam e comemoravam.
Como sempre.
As usual.
Muita cerveja.
Muito amor.
Paixão.
Amizade.
E ele mal sabia onde ela estava.
Mal sabia.
Mas ambos queriam chegar a algum lugar.
A algum lugar.
Ambos.
Ambos.
Ele?
Ela?
Os dois.
Apenas os dois.
Apenas os dois...
E ela apenas tomava cerveja.
Ele?
Também...
Também...
 

6.2.17


AMBOS QUERIAM... AMBOS

E ambos queriam chegar a algum lugar.
Ambos.
Ele.
Ela.
Os dois. Eles.
Eles.
Ela.
Ele.
Ambos queriam chegar.
A algum lugar.
A algum lugar.
Suor.
Corrido.
Apaixonado.
Misturado.
Com história.
Com a história deles.
Dos dois.
De ambos.
E ambos queriam isso.
Ou o mais próximo disso.
Mais próximo disso.
Ambos queriam chegar a algum lugar.
Ambos.
Ele.
Ela.
Os dois.
Ou seja, eles.
Apenas eles.
Lutas.
Forças.
Cores.
Cortes.
Socos.
Tapas.
Sangue.
E tudo o mais.
Ambos queriam chegar a algum lugar.
Ambos.
Ambos mesmo.
Ele.
Ela.
Os dois. Eles.
Apenas eles.
E, no fim, apenas a dança acabou.
A música deixou de tocar.
Ele?
Ela?
Não.
Nenhum dos dois.
Ambos sentaram e choraram.
Sentaram e choraram.
Derrota e a vontade que ambos queriam chegar a algum lugar.
Ambos.
Ele.
Ela.
Os dois. Eles.
Não chegaram.
Não...
Não...
mesmo.

NADA DEMAIS.

E tudo fluía mal.
Muito mal.
Sem nexo, sem sentido, sem vontade, sem nada.
Nada.
Nada demais.
Nada demais.
E tudo fluía mal.
Muito mal.
Ela não o amava e ele, sabia, aceitava.
Nada demais.
Nada demais.
Muito mal.
Ele não entendia o que acontecia ao seu redor.
Muito menos ela.
Muito menos ela.
Nada demais.
Nada demais.
E tudo, mas tudo mesmo, fluía mal, muito mal.
E se ele não a amasse?
E ela não soubesse?
Nada demais.
Dois mentirosos, dois canalhas, dois babacas.
Estúpidos.
Tem tanta gente assim.
Nada demais.
Nada demais.
E tudo fluía mal.
Muito mal.
Sem nexo, sem sentido, sem vontade, sem nada.
Nada demais.
Apenas um casal de jovens que mal conheciam a vida.
Mal conheciam tudo.
Apenas o que não queriam da vida.
Apenas o que não queriam do futuro.
Nada demais.
Nada demais.
E tudo fluiria ainda pior.
Muito pior.
Sem nexo, sem sentido, sem vontade, sem nada.
Nada demais.
Nada demais...



O BEIJO ERRADO

- E então? - ele perguntou, muito tímido, muito sem força, muito sem graça.
Muito nada... apenas ele.
Ela apenas sorriu. E sorriu o seu sorriso mais fraco.
Amarelo.
Desagradável.
Constrangedor.
- Não? - ele insistiu. Um tolo. Muito tímido, muito sem graça. Muito nada... apenas ele.
Ela sorriu antes de emendar - Olha, acho que um beijo não significa muito. Não significa tudo. Não significa nada.
Ele ficou em silêncio.
Otário.
- Entende? - ela perguntou.
Ele concordou com a cabeça e nada disse em troca.
- Veja - ela prosseguiu - Um beijo é um beijo. Eu podia ter bebido, podia ter fumado, cheirado, sei lá. Podia apenas estar com vontade. Mas nada demais, certo? - tentou consertar.
Ele sorriu e disse - Foda-se. Apenas isso. Foda-se.
Ela o olhou com surpresa e indignação - Como assim? - disse.
- Foda-se - ele repetiu e prosseguiu - Apenas isso. Foda-se - disse antes de se virar e ir embora. Forever.
E um beijo mal dado, mal explicado, mal colocado, mal situado, transforma uma amizade em algo rude, ruim, tosco, errado.
Apenas isso.
Um beijo errado...Muito errado...
Muito errado.

24.1.17


HEY, E SEU ESPARTILHO? 
- Hey? - ele perguntou assustado, sem noção, meio bêbado, meio nada.
- Cadê o seu espartilho? - perguntou novamente. Com a voz bêbada, de madrugada. A voz do nada.
Ela sorriu e apenas respondeu - Eu não estou com ele.
Ele a olhou com espanto e falta de sobriedade
- Pirou? - apenas perguntou.
Ele deu seu sorriso mais bêbado do ano. A ressaca maior do planeta. Apenas sorriu e fechou os olhos.
Ela também.
Dois filhos da puta.
- Hey? Cadê o seu espartilho? - perguntou mais uma vez. Com a voz ainda mais bêbada, ainda mais de madrugada.
Ela sorriu e nada disse.
- Não vai dizer? - ele perguntou em tom provocador.
- Adivinhe - ela provocou.
Ele ficou em silêncio.
O beijo?
Foi espetacular.
De destroçar corações.
O espartilho?
Estava aonde deveria estar.
Aonde deveria estar...
 
 
 

E NADA..
 
E nada.
Nada era assim.
 
Nada era assim.
 
Na realidade.
 
Não.
Nada era assim.
 
Nada.
 
Apenas os lábios molhados.
 
Os suores apaixonados.
 
O tudo.
 
Ou...
 
Nada.
 
Mas, nada era assim.
 
Nada.
 
E ela, com as coxas grossas e suavemente tatuadas, apenas gostava.
 
Nada era assim.
 
Nada.
 
Com exceção dos lábios molhados.
 
Todos eles.
 
E os suores?
 
Eram pura paixão.
 
E delírios que ela adorava ter.
 
Adorava ter.
 
Delírios de som, fúria e paixão.
 
Som, fúria e paixão...