4.7.16


PESSOAS VAZIAS

Ela pensava que podia, que queria, que mandava.

Tinha tudo ao seu redor a às suas mãos.

Ela pensava que era poderosa, fodona, esperta e talentosa.

Ela pensava em tudo.

Pensava em tudo o que fosse necessário para se dar bem.

Ridícula.

Não queria saber dos outros ou mesmo dar o braço a torcer quando estivesse visivelmente errada.

Ela pensava que podia tudo.

Ela pensava.

Apenas isso.

Mas "pensar" é diferente de ser.

E pessoas rasas morrem no raso da mesma forma.

Ela era fraca e de inteligência mediana.

Atacava para se defender.

Existem tantas pessoas assim.

Ela era apenas limitada na sua arrogância.

Apenas limitada, e muito, na sua arrogância.

Quem muito quer, tudo quer e em proporções monumentais.

Mas, na verdade, quem muito quer, com desprezo e sem medidas, nada tem.

Nada.

E lá estava ela, com os olhos vermelhos e o choro nada contido., sozinha na mesma porra da mesa do mesmo bar.

Fumando como qualquer um – não era especial - e sabendo que jamais, jamais, seria uma pessoa amada.

Jamais.

Nem por qualquer tolo menino.

Pobre idiota.

E as noites são tão vazias quando solitárias.

Tão vazias...

E o que lhe restava era pedir fósforos para seus malditos cigarros, pois sequer fósforos ela tinha.

 

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