28.7.16


AINDA MAIS UMA HISTÓRIA DE AMOR
 
 - Vamos? - ele perguntou, meio sacana, meio safado, muito filho da puta.
Ela olhou com desdém e deu uma boa tragada em seu cigarro antes de responder direta, certa, afirmativa. Cheia de vodka no peito, coragem na cara e força nos punhos - Não! Não vou com você a lugar nenhum. A porra de lugar nenhum.
Ele a olhou com surpresa e respondeu, agora meio tímido, meio constrangido, muito babaca - Mas o Clube Varsóvia é muito legal. E fica ali - apontou - atravessando a rua. Muito melhor que esta espelunca de beira de esquina que só vende pinga.
Ela olhou para trás do balcão e gritou - Ô seu Miguel? Tá ouvindo? O garoto aqui disse que nosso recanto aqui, nestas sextas chuvosas de verão não passa de uma espelunca de beira de esquina que só vende pinga.
Seu Miguel aproximou-se com o olhar raivoso, típico dos europeus orientais. Com seu cabelo molhado, com seu pano de prato imundo pendurado em seu ombro esquerdo, com seu palito no canto da boca perguntou direto e rude - Leticia?
Ela respondeu com a cabeça.
- Que porra de bebida você está tomando? - perguntou com a voz mais ríspida que existe.
Leticia deu um sorriso e respondeu -  Vodka, Miguel, vodka....
- Boa? - Miguel insistiu.
Leticia apenas sorriu e respondeu  - Claro. Como sempre. As usual. Como às sextas feiras.
- Ah - disse Miguel - Boa. Então avisa este filho da puta de seu amigo com um olhar muito sacana, muito safado e muito, mas muito filho da puta, que você só vai ao Varsóvia se quiser. E não por causa de um babaca como ele.
Ela olhou para o dono do bar com muito amor e puxou seu pano de prato sujo perto dela. Sussurrou em seu ouvido - Eu gosto dele Miguel. Eu gosto.
Miguel deu um sorriso discreto e respondeu ainda mais baixo - Então faz este charme e vá logo. Vá antes que acabe de chover. Te prometo que o bar vai continuar aberto até o Varsóvia fechar e vou estar aqui. Para brindarmos o choro ou para para brindarmos o sorriso. Te espero.
Ela deu um beijo em seu rosto e disse, toda esnobe, ao garotinho assustado à sua frente - Vamos?
Ele a olhou com surpresa e respondeu quase gaguejando - Vamos, claro.
E assim o bar continuou aberto enquanto do outro lado da rua, o Clube Varsóvia vivia ainda mais uma história de amor... ainda mais uma história de amor...
 
 
 

21.7.16

 
O LIVRO DA CAPA AZUL
E ele a via todos os dias.
Todos os dias.
No metrô.
Tomava o metrô todos os dias com ela no mesmo horário.
Mesmo.
Sempre.
Todos os dias.
Todos os dias.
Sabe-se lá qual linha.
Mas ele a via todos os dias
Todos os dias.
Todos.
Sempre lendo.
Sempre lendo o mesmo livro.
E observava cada detalhe daquelas coxas lindas e daquele corpo esguio.
O jeito de folhear as páginas.
Lindo.
Sempre lindo.
Lindo corpo esguio.
Lindo.
E acompanhava a sua leitura em seu livro de capa azul turquesa.
Todos os dias.
Página por página.
E acompanhava o seu sorriso e sua satisfação a cada página lida (ou mal lida, tanto faz).
Adorava.
Linda.
Ela era absolutamente linda.
Linda.
E esguia.
Muito esguia.
E ele a via todos os dias.
E sempre com aquela maldito livro de capa azul.
E hoje ele acompanhou a leitura da última página.
Uma lágrima escorreu dos olhos dela, ao terminar seu livro.
Ele percebeu.
Uma longa lágrima.
Triste fim.
Deve ter sido.
O livro da capa azul.
E ele queria muito deixá-la feliz.
Claro que não conseguiu.
Claro.
Pobre idiota.
Apaixonado por livros de capas azuis e leitoras lindas.
Apenas isso.
Apenas...

 
 
 
 
 
 

18.7.16


UM POUCO MAIS
Um pouco mais educado.
Um pouco menos suado.
Um pouco mais... ele.
Apenas ele.
Apenas isso.
Apenas isso.
Simples assim.
Simples assim.
Um perfeito idiota.
Um verdadeiro e perfeito idiota.
O retrato do fracasso.
O reflexo no espelho.
Apenas ele.
Mas ele já sabia disso.
Desde que nasceu e se descobriu.
E se viu no espelho e percebeu.
Assim como todos ao seu redor.
E todos sempre souberam.
E ele sempre soube.
Todos sempre souberam.
Improvável, impossível.
Insano.
Ele.
Tudo ele.
Apenas ele.
Idiota.
Pobre imbecil.
Absolutamente uma besta.
E ele errava os nomes.
E ele errava as falas.
E sempre errou as datas.
E as moças.
E tudo mais.
Ainda mais.
Errava tudo.
Um grande imbecil.
Um grande imbecil.
Mas..
Ele gostava dela.
E ela?
Dançava lindamente todas as sextas no Clube Varsóvia.
Uma princesa outdoor
Uma David Bowie linda e divina de saias.
Longas e deliciosas saias.
Linda e divina.
Todas as sextas.
Todas.
...
Conversaram?
Claro que não?
...
Beijaram???
Humpf.
...
Apenas se observaram e trocaram sorrisos e cumplicidades quaisquer.
E foram ser felizes dentro das suas grandiosas limitações.
Grandiosas limitações.....
Aonde a fronteira não se cruza.
Definitivamente não se cruza.
Sorte deles.
E das pílulas rosas...
e de todos
e, simplesmente, de todos....

 

14.7.16




APAIXONADA
Ela estava apaixonada.
Muito apaixonada.
Muito.
Escrevendo seus textos tolos, bobos, idiotas.
Textos inúteis.
Textos imbecis e sem sentido.
Sem o menor sentido e sem a menor revisão.
Mas.... ela seguia escrevendo.
E ela vivia assim.
Escrevendo e escrevendo e escrevendo.
Os seus textos tolos, bobos, idiotas, imbecis e delicadamente apaixonados.
E ela estava apaixonada.
E muito.
Muito apaixonada.
Muito.
Por quem?
Alguém do Clube Varsóvia?
Alguma loura sueca divina?
Alguma asiática de enlouquecer?
Alguma russa?
Algum russo?
Alguém de verdade?
Não.
Ninguém sabe.
Ninguém viu.
Mas era a mais pura verdade.
Ela apenas estava apaixonada.
E muito.
Muito
E, no final das contas, ela só queria escrever e tocar seu contrabaixo e ser feliz.
É pedir muito?
Contrabaixo?
Sim.
Não.
Definitivamente não.
O que virá depois?
Ninguém sabe.
Ninguém sabe.
Muito menos ela.
Muito menos ela...
Apenas a certeza do gosto pelas palavras mal escritas, os acordes mal tocados e os passos errados.
O resto que se foda.
Simples assim...
O resto que se foda...



13.7.16


OS OLHOS DOS QUE NÃO ENXERGAM


E ela voltou a tocar piano.

Depois de anos e anos e anos.

Linda, divina e soberana.
 
Uma diva.

Depois de muitos e muitos anos parada.

Depois de muitos e muitos anos sem praticar.

Sem estudar.

Sem treinar.

Sem ouvir.

Sem nada.
 
Tocava como... apenas ela.

Nem das batidinhas na mão, quando errava, com um bastão de madeira da sua antiga e adorada professora ela lembrava.

Nem disso.

Nem disso.

Nem dessas malditas e deliciosamente adoráveis lembranças em sua mente.

Ela não lembrava.

Apenas queria tocar.

Apenas queria tocar.
 
E sempre e sempre e sempre.
 
Um eterno looping de amor e satisfação.

E muita.
 
Muita satisfação.

E todas as teclas estavam lá.
 
Todas.
 
Todas as teclas.

Pretas, brancas, de qualquer cor.

Isso era o que menos importava.

Pouco Importava.

Ela apenas queria tocar.
 
Tocar e tocar e tocar.

E um dia, após a aula, ela tocou.

Sozinha.

E tocou e tocou e tocou.

Todas as notas, todos os acordes, todas as cordas.

Sozinha.
 
Foi apenas feliz.

Quando acabou ouviu um respiro e um suspiro às suas costas.

- Quem está aí? – perguntou desconfiada, surpresa, amedrontada.

- Eu – ele respondeu suave.
 
- Apenas eu - repetiu de forma doce.

E ela, que não enxergava, apenas enxergava de forma virtual e lúdica as notas daquele bendito piano, apenas sorriu. Um dos seus mais deliciosos sorrisos.

Ela, cega, sabia que ele era lindo.

E ficaram juntos.

E ela?

Tocou ainda mais uma canção para ele que chorou e tentou disfarçar.

Mas ela, ainda que cega, sabia enxergar e escutar e sentir.

Sabia muito enxergar...
 
A alma daqueles que se escondem.

Muito.

Muito mesmo...
 


DIFICIL E ESTRANHO
 
Difícil e estranho.
Muito difícil e muito estranho, mas ela queria mais.
Ainda muito mais.
Muito mais.
Mesmo naquele Clube Varsóvia perdido e esfumaçado.
Repleto de odores de bebidas e coisas erradas.
Mesmo lá.
Ainda lá.
Naquele lugar de fim de mundo.
Naquele fim de mundo.
Ela queria ele.
Um pouco dele.
Um muito dele.
Ao seu gosto, ao seu sabor, enfim, ao seu tudo.
Ao que ela tivesse direito.
Da forma como tivesse que ser.
Do jeito...
E ela queria muito mais, considerando o pouco que tinha.
O pouco que sempre teve.
O nada que sempre teve.
O nada que sempre teve.
Muito mais.
Muito mais do que sempre.
Muito.
Muito.
Mais.
Difíficl e estranho, mas aquele era o sabor.
Que ela queria.
Pretendia,
Sonhava.
Ousava.
Muito mais.
Muito mais...
...
 
 
 
 

12.7.16


 
 
ELA PODIA SORRIR MAIS. SEMPRE MAIS.
 
 
Ela podia sorrir mais, ele pensou.
 
Sempre mais.
 
Ela podia mais.
 
Muito mais.
 
Mais beijos, mais calor, mais amor, mais tudo.
 
Tudo.
 
Ela podia sorrir mais.
 
Muito mais.
 
Sem pílulas rosas.
 
Sem álcool barato.
 
Sem cigarros idiotas.
 
Sem drogas batizadas.
 
Sem balas.
 
Sem nada.
 
Sem nada.
 
Ela podia sorrir mais.
 
Muito mais.
 
Ouvindo uma canção, vendo um belo par de olhos, um filme muito bom, enfim, ela podia mais. muito mais.
 
Mas...
 
Ela não queria.
 
Definitivamente, ela não queria.
 
Até ver aquele cara.
 
Até perceber aquele sujeito.
 
Olhos da cor que ela gostava, perfume que chegava antes dele, enfim, alguém que a atraiu.
 
Ela podia sorrir mais.
 
Muito mais.
 
E no hall do elevador ela sorriu.
 
Ele também.
 
Ele podia muito mais.
 
E se deu conta naquela noite.
 
Se deu conta disso naquela noite.
 
Ela podia muito mais....
 
Sempre mais....
 
 

ESTRANHOS CONHECIDOS...
 
 
- De onde você veio? – ele perguntou todo alegre, todo sexy, todo imbecil, todo bêbado, com um copo de cerveja na mão direita e um cigarro na mão esquerda – De onde? – Qual planeta? Não entendo, não sei, não conheço. Outra galáxia?
O Clube Varsóvia estava lotado.
Muito.
Absolutamente lotado para um dia de semana chuvoso.
Um dia de semana normal e comum.
Muito chuvoso.
Muito chuvoso.
E ela apenas sorriu.
Muito tédio, pouca prosa.
Nada disse.
Mudez total.
Nudez da alma total.
Apenas o som do DJ do Clube Varsóvia.
- Então, me conte, de onde veio? – ele repetiu ansioso.
- De lugar nenhum. Não vim de nenhuma outra galáxia, de nenhum outro planeta, de nenhum outro bairro. Porra nenhuma. Eu sempre estive aqui. Sempre. Sempre estive. E você nunca percebeu. Nunca. Acho que  este foi o problema ou o mal entendido. Não sei. Entenda você.
Ele a olhou desconfiado, cético, sem graça. Não respondeu.
Tomou mais um gole da sua cerveja, deu uma tragada funda em seu cigarro barato e apenas sorriu nervoso. Muito nervoso.
Ela sorriu ainda mais.
Nada nervosa.
Um sorriso largo, branco, grande e lindo.
- Da onde você veio? – ele perguntou novamente, como um imbecil.
- Você nunca me viu, certo? – ela perguntou com um sorriso cínico, irônico, lindo. Femme fatale – Nunca? – insistiu.
Ele meneou a cabeça e confirmou de forma negativa.
- Sempre te vi – ela disse direta – Sempre! Sempre mesmo! – pontuou.
Ele a olhou com surpresa e espanto e não entendeu nada. Não alcançou o que ela queria dizer. Nada. Pobre otário.
- Sempre te vi. Sempre. Você que nunca me notou – ela cravou direta, certeira, fatal.
E como em um relance infantil, raso e rasteiro, o flashback veio. Totalmente. E veio com força. Muita força.
E ele lembrou.
Lembrou de verdade.
Lembrou mesmo.
- Você? – perguntou com a voz trêmula, com a voz zonza - Você? - repetiu.
Ela apenas sorriu.
- Vamos conversar? Por favor? Qual seu nome? – ele perguntou.
E ela deu um belo e gordo gole em sua cerveja, sorriu e piscou para ele. Virou as costas e foi embora. Sem dizer adeus, sem dizer nada mais.
E ele nunca mais a viu.
Nunca mais.
Ao menos no Clube Varsóvia.
Ao menos em qualquer outro lugar.
E assim, mais uma história de amor se perdeu. Mais uma história de amor se perdeu.
Ah, os dias de chuva...
Ah, os dias de chuva...
Mistérios e sorrisos surpreendentes.
De cair os queixos incrédulos...
 
 
 

11.7.16


ESCREVE?


- Escreve? – ela pediu com os olhos meio úmidos, muito tristes.

- Escreve? – repetiu.

Ele a olhou muito sem graça, todo sem jeito, quase sem nada.
 
Absolutamente sem nada.
 
Nada.
 
Como sempre.
 
Como sempre ele.
 
Um nada.

Silêncio total.

Absoluto.

Apenas silêncio.

- Escreve, porra? Preciso gritar – E ela gritou.

Alto.

Silêncio.

Blend.

Vodka.

Bebida artesanal e cheiro de nicotina barata.

Cheiro de nada.
 
Cheiro de tudo.

E ele olhou para o teto, para o céu, para a puta que o pariu, como se pedisse alguma palavra ou ajuda.

Uma luz.
 
Algo.

Algo que nunca veio.

Ao menos naquele momento.

Ao menos naquele momento.

- O que você quer? - ele perguntou - O que você quer de mim? - repetiu - Ainda mais? - prosseguiu.

Ela tomou um gole longo e gordo da porra do copo de vodka vagabunda que estava ao seu alcance e disse de forma fria, seca e sem saco - Escreve?

Ele "titubeou" - se é que alguém ainda conhece esta palavra estranha - e nada disse.
 
Silêncio e palidez.

Olhou para o alto e apenas respondeu – Não. Não. Não escrevo porra nenhuma. Escrevo o que eu quiser, quando quiser, da forma como quiser. E se eu quiser. Ok?

Os olhos já não eram úmidos.

Eram apenas tristes.
 
Muito.
 
Azuis, gordos e tristes.

Olhos mudos.

E ela nada disse.

E ele não escreveu.

Apenas chorou.
 
Ela?

Também apenas chorou...

E nunca mais se viram...

Nunca mais....

Palavras?

Escrevê-las talvez doem demais.

Demais...




SEMPRE ERRAR... SEMPRE...


- Você me ama? Mesmo? – ela perguntou, perversa, irritada, cínica, canalha.

Ele caiu em silêncio.

- Ama? – ela insistiu – Ama mesmo?

Ele nada respondeu.

Ela pegou um copo vagabundo de vidro na pia suja da cozinha daquele apartamento ridículo dela e encheu com uma vodka ainda mais vagabunda. A única que ela ainda podia comprar.

A única que ela ainda podia comprar.

Ela olhou com para ele desdém e desprezo.

Muito desdém.

Muito desprezo.

Sorriu com seus lábios gordos e deliciosos após um gole da porra da vodka vagabunda e um cigarro acesso.

Cigarro de menta....

Que horror.

Ele ficou quieto.

Apenas quieto.

- Ama? – perguntou novamente.

- Ama mesmo? – insistiu novamente.

Ele a encarou trêmulo e perturbado.

Com a voz rouca disse muito perdido - Claro que amo. Claro. Há dúvida? Alguma? – perguntou, cínico, idiota e infeliz.

Um perfeito idiota, um perfeito cínico, um imbecil.

O tapa na cara foi forte.

Ela encheu a mão.

Ele fingiu que não doeu.

O tapa na cara foi muito forte.

Mas... na alma.... foi ainda pior.

Ainda pior...

Imbecil.

Pobre imbecil.

E foi embora.

Sem saber exatemente o que fazer, mas tendo a certeza de que iria sempre errar.

Sempre errar.

Sempre errar...


DAQUELE JEITO... DAQUELE JEITO E COM AQUELE BRILHO...


Daquele jeito.
Tudo daquele jeito.
Um jeito errado, um jeito ferrado, um jeito completamente sem propósito.
Um jeito.... deles.
Absolutamente deles.
Um casal sem sentido.
Sem nenhum sentido ou qualquer coisa similar.
Sem nexo, sem curva, sem verso, sem nada.
Um casal incomum.
Adorável, mas incomum.
Daquele jeito.
Tudo daquele jeito.
Um jeito errado, um jeito ferrado, um jeito completamente sem propósito.
Um jeito.... deles.
Absolutamente deles.
E nada, mas NADA usual.
Próprio e absolutamente não usual.
Um casal sem sentido.
Completamente sem sentido.
Sem nexo, sem curva, sem verso, sem nada.
Sem nada.
Amor?
Sim.
Muito.
Talvez sim.
Talvez não.
Mas, eles....
Amor poderia haver.
E havia.
Amor.
Apenas e muito amor.
- Você pode parar de me ofender? – ele pedia de forma irritada, desesperada.
Ela olhava com ironia e apenas respondia – Vá se foder.
E viviam.
Daquele jeito.
Viviam daquele jeito.
Um jeito errado, um jeito ferrado, um jeito completamente sem propósito.
Um jeito.... deles.
Apenas e tão somente deles.
Um casal sem sentido.
Sem nexo, sem curva, sem verso, sem nada.
Se nexo, sem curva, sem nada.
Talvez apenas com muito amor.
E o amor entra aonde nisto tudo?
Apenas quando ela o olhava e o brilho dos olhos dele invadia sua alma.
Brilho nos olhos.
Olhos verdes.
Não há nada mais amoroso e lindo que isso.
Nada mais.
Apenas uma porra de um brilho sincero nos olhos.
No fundo dos olhos.
E como eles viviam?
Daquele jeito.
Tudo daquele jeito.
Um jeito errado, um jeito ferrado, um jeito completamente sem propósito.
Um jeito.... deles.
Um casal sem sentido.
Sem nexo, sem curva, sem verso, sem nada.
Mas com um brilho nos olhos.
Um maravilhoso brilho nos olhos.
De dar inveja em muitos filhos da puta por aí.
Muitos por aí...
Muitos por aí...
Muitos...
 

5.7.16




IMBECIS APAIXONADOS

 
E ele nem sabia por onde caminhar.
Não.
Não sabia por onde ir.
Definitivamente não.
Não sabia nada.
Nem sequer caminhar.
Sozinho.
Nem sequer isso.
...
Ela?
Menos ainda.
Uma vaca.
Uma idiota.
Ele?
Um idiota.
Simples
Simples assim.
Vacas e idiotas e imbecis sempre são comuns nos teclados vagabundos nossos.
Vaca.
Idiota.
Imbecil.
E no fim?
Todos beberam e cantaram e se divertiam.
E a noite foi das mais divertidas naquele condomínio.
Pobres imbecis...
Pobres imbecis...
Pobres...
Imbecis...
 
 

 

 
 
BALAS SORTIDAS
 
Talvez nada.

Talvez apenas o som das palavras rudes.

Ele?

Pouco se importava.

Pouco se importava.

Som?

Grunhidos,

Berros.

Gritos.

Ele pouco se importava.

Tentou de tudo.

Tentou de nada.

Pinga, cachaça ou vodka.

Baseados, balas.

Enfim, tentou de tudo e tentou de nada.

E nada aconteceu.

Nada.

Talvez nada.

Muito nada.

Talvez apenas o som das palavras rudes.

Ele?

Apenas chorou.

Queria mais.

Muitos mais.

Queria a cor das balas sortidas.

Queria apenas a cor das balas sortidas....
 
Pobre coitado.....
 
 



4.7.16


PESSOAS VAZIAS

Ela pensava que podia, que queria, que mandava.

Tinha tudo ao seu redor a às suas mãos.

Ela pensava que era poderosa, fodona, esperta e talentosa.

Ela pensava em tudo.

Pensava em tudo o que fosse necessário para se dar bem.

Ridícula.

Não queria saber dos outros ou mesmo dar o braço a torcer quando estivesse visivelmente errada.

Ela pensava que podia tudo.

Ela pensava.

Apenas isso.

Mas "pensar" é diferente de ser.

E pessoas rasas morrem no raso da mesma forma.

Ela era fraca e de inteligência mediana.

Atacava para se defender.

Existem tantas pessoas assim.

Ela era apenas limitada na sua arrogância.

Apenas limitada, e muito, na sua arrogância.

Quem muito quer, tudo quer e em proporções monumentais.

Mas, na verdade, quem muito quer, com desprezo e sem medidas, nada tem.

Nada.

E lá estava ela, com os olhos vermelhos e o choro nada contido., sozinha na mesma porra da mesa do mesmo bar.

Fumando como qualquer um – não era especial - e sabendo que jamais, jamais, seria uma pessoa amada.

Jamais.

Nem por qualquer tolo menino.

Pobre idiota.

E as noites são tão vazias quando solitárias.

Tão vazias...

E o que lhe restava era pedir fósforos para seus malditos cigarros, pois sequer fósforos ela tinha.

 

1.7.16



FINAIS TRISTES I
- Você queria? – ele perguntou todo tímido, todo bobo, com um cigarro mentolado na mão direita e um copo americano de vodka na esquerda.
Um verdadeiro tolo.
E a chuva desabava lá fora.
Como uma tormenta.
Ela nada respondeu.
Nada.
Suas mãos tremiam e os olhos estavam vermelhos.
Ele insistiu - Mas me diz, por favor. Preciso saber. Preciso saber? Porra. Você queria? – quase gritou.
Ela permaneceu em silêncio com seu escudo impenetrável de bebida e cigarros.
E seus maravilhosos cabelos pretos e longos.
E, às vezes e na verdade, beijos errados, lúdicos e sem compromissos dados em noites malucas do Clube Varsóvia podem ter consequências.
E finais nada felizes.
Nada felizes
Absolutamente nada felizes.
FINAIS TRISTES II
- Você queria? – ela perguntou toda brava, toda irritada, com um cigarro mentolado na mão direita e um copo americano de vodka na esquerda.
Absolutamente em fúria
E a chuva desabava lá fora.Como uma tormenta.
Ele nada respondeu.
Nada.Suas mãos tremiam e os olhos estavam vermelhos.
Chorava.
Como uma criança.
Ela insistiu aos berros - Mas me diz, por favor. Preciso saber. Preciso saber? Porra. Você queria? – gritou.
Suas mãos tremiam e os olhos estavam vermelhos.
Ela insistiu - Me diz seu filho da puta, por favor. Preciso saber. Preciso saber? Porra. Você queria? – gritou.
Ele permaneceu em silêncio com seu escudo impenetrável de bebida e cigarros.
E seus ridículos cabelos curtos e mal cortados.
E, às vezes e na verdade, beijos errados, lúdicos e sem compromissos dados em noites malucas do Clube Varsóvia podem ter consequências.
E finais nada felizes.
Nada felizes
Absolutamente nada felizes.




 
 

 
FELIZES ELES

 
Talvez o medo, talvez o caos.
Talvez tudo.
Nada.
Medo e caos em noites de trovoadas.
Chuva e vontade de ficar junto.Delícias de uma noite de verão.
Ela?
Ela gostava das noitadas e das cervejas.
Amigos e conversas.
Ele?
Também, mas mais vodka e conversas mal construídas.
Mas, talvez não.
Não demonstrava.
Cigarros?
Para ambos talvez.
Talvez ele apenas gostasse dela.
E muito.
Completamente apaixonado.
Ela sim.
Demonstrava e amava e exibia sua alegria com seu sorriso largo e carioca.
Muito largo.
Muito carioca.
Ela tinha apenas cara de mau.
Mas era boa pessoa.
Ele?
Ninguém sabe.
Ela?
Cheia de coisas boas, qualidades internas e coxas e seios deliciosos.
Tatuagens indeléveis e inesquecíveis.
Ele?
Ninguém sabe. Ninguém viu.
E as noites avançavam com os dois fazendo amor como loucos e sendo felizes.
Entre bebedeiras, cigarros e declarações de amor.
Alguém pode falar alguma coisa?
Quem não quer o mesmo?
Não?
Felizes eles...
Felizes eles...
Muito felizes, aliás....
Em mais uma noite de inverno.
Ainda que carioca....
Ainda que carioca...