30.6.16

CAMA DESARRUMADA.
 

Uma cama, um beijo e uma foto.

 

Lindo.

 

Lindo retrato.

 

Um lindo casal.

 

Lindo casal.

 

Ela?

 

Deliciosa.

 

Seios grandes, os quais sempre o autor quis ver.

Bicos duros lindos e grandes.

 

Ele?

 

O ciúme não permite.

 

O autor detesta.

 

E ri porque ele parece ser bem legal.

 

Ele parece ser bem legal.

 

Ela?

 

Cabelos ruivos, curtos, bem cuidados.

 

Lindos.

 

Seios?

Lindos.

 

Ah, os seios que o autor sempre quis ver.

 

Nunca viu.

 

Exceto de relance.

 

Exceto de lampejo.

 

Duros.

Casal lindo.

 

Quer dizer: ela.

Ela lind e ele não. E fica bom assim.

Para todos.

 

Opostos se atraem.

 

E ela fica brava.

 

Cama descuidada, cama mal arrumada. Uma noite de amor.

Um shot de sol ao largo.

Delicioso.

Esquentando o que se tem que esquentar.

 

Ele? Lindo para ela.

 

Ela? Linda para todos. Apenas isso.

 

Contos e contos e palavras nunca vão completar.

 

Menina?

 

Sim.

 

Ainda.

 

Sempre foi e sempre vai ser.

 

Mas virou mulher.

 

Mas virou mulher.

 

Ainda bem...

 

Ainda bem....

29.6.16


CONVERSAS NA MADRUGADA E ALMAS GÊMEAS....
 
Eles conversavam sobre basicamente tudo.
Tudo.
E fumavam.
Juntos.
E muito.
Muito.
Muito mesmo.
A madrugada toda.A mesma marca de cigarro.
Coincidências adoráveis.
Adoráveis.
Surreal nos tempos de hoje.
A mesma marca de cigarro?
Puta que pariu.
Ele falava.
Muito.
Ela ouvia.
Muito.
Ela falava.
Muito.
Ele amava.
Muito.
Ela suspirava.
Deliciosamente.
Coisas em comum.
Muitas e muitas e muitas coisas em comum.
Tirando as deliciosas coxas dela.
As dele?
Vagabundas.
Mas ela amava.
Ainda assim.
Amava demais.
Eles conversavam e fumavam quase a noite toda.
Ela amava.
Ele também.
Ela fofa, uma menina.
Ele?
Também.
Pele?
Entrelaçadas.
Uma sob a outra.
Bem?
Se davam muitíssimo.
Muito em comum.
Pele e entranhas e idéias comuns.
Amor profundo.
Almas gêmeas.
Gêmeas?
Eles achavam que sim.
Amor muito profundo.
O final?
Não haverá tão cedo.
Não haverá tão cedo....
Definitivamente não....
 
Definitivamente...
 

28.6.16

 
 
SÁBADOS....
 
- Porra! –ela falou toda grossa, toda insana, toda tosca. Nada dela. Nada do que ela era. Nunca foi.
Ele apenas a observou e murmurou algo. Nada demais. Nada demais. Nada. Como sempre.
Ele nada disse.
- Porra, seu filho da puta! – ela gritou alto, toda grossa, toda louca, toda insana, absolutamente ela.
Ele chorou.
Ela? Também.
E a vida virou um casco de cerveja velha e de vinho consumido, conforme o gosto do freguês.
Ela chorou?
Sim.
Ele?
Também.
E?
A vida continua a andar.
Como sempre.
Ele?
Apenas queria dançar.
Em um salão de baile estonteante.
Em um salão de baile estoantente.
Lindo.
Como todos os sábados à noite devem ser.
Como todos os sábados à noite devem sempre ser.....
 
 
 
 

24.6.16


POBRES CONFUSOS.



- Quem? – ela perguntou.

Ele nada disse. Nada. Apenas sorriu e ficou em silêncio.

Absolutamente mudo.

Silêncio total e absoluto.

Mudo e mudo e mudo....

Nada disse.

Nada.

Palavra alguma.

Apenas silêncio.

- Então? – ela insistiu.

Ele apenas sorriu.

- Nada? – ela provocou.

- Nada seu filho da puta? – ela insistiu irritada.

Ele apenas sorriu.

Novamente.

- Quem? - ela repetiu.

Quem é a vaca? – afirmou.

- Apenas eu – ele disse, cínico.

- Somente eu. Como sempre – concluiu.

Sorriram.

E talvez o nada virou alguma coisa.

Apenas alguma coisa.

Ela sorriu.

Ele também.

E muito....

Muito...

Pobres diabos confusos.

Pobres confusos.

Pobres.

De tudo...

De tudo

Principalmente amor....



 

NADA SEI. NADA....


- Quem? – ela perguntou.

Ele nada disse. Nada. Apenas sorriu e ficou em silêncio.

Absolutamente mudo.

Silêncio total e absoluto.

Mudo e mudo e mudo....

Nada disse.

Nada.

Palavra alguma.

- Então? – ela insistiu.

Ele apenas sorriu.

- Nada? – ela provocou.

- Nunca nada? – ela insistiu.

Ele apenas sorriu.

- Quem? - ela repetiu.

- Apenas eu – ele disse, cínico.

Sorriram.

E talvez o nada virou alguma coisa.

Apenas alguma coisa.

Ela sorriu.

E muito....

Muito...


 
POBRES IDIOTAS...



E ele morreu.

Com um tiro certeiro.

Com um tiro no coração.

Idiotas?

Muitos.

Idiotas vagos.

Simples.

Sem sal.

Ele?

Nada disse.

Apenas um velho adolescente bêbado.

Nada mais do que isso.

Nada mais do que isso.

Odiava os cretinos ao seu lado.

Nada mais do que isso.

Nada mais.

Pessoas imbecis que sequer sabem falar português.

Ele?

Silêncio e medo.

Raiva e gana.

Nada mais que isso.

Nada mais.

Pessoas idiotas cansam.

Ele sabia disso.

Muito.

Nada mais.

Nada menos.

E ele morreu.

Com um tiro certeiro.

Pobres idiotas.

Pobres idiotas...

Ele?

Apenas morreu...

Apenas isso...



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

23.6.16

 
FIOS DE SORRISOS.
 
 
Enquanto todos festejavam lá embaixo, ela entrou de mansinho no quarto dele.
Bem de mansinho, mais suave e leve do que a meia luz dos abajures vagabundos daquele quarto pudessem registrar.
Ele nem notou.
Leve e linda ao entrar naquele quarto grande e sem sal.
Quarto grande, bagunçado e completamente sem sal.
Sem vida e pessoas bonitas.
Um quarto.
Repleto de nada, pôsteres babacas e discos de vinil.
Vazio.
Vácuo de emoções.
E ele estava na cama.
Sentado e chorando.
Cabisbaixo. Bastante cabisbaixo.
Olhos vermelhos e fundos.
Apenas triste.
Ela sentou-se ao seu lado.
Ele percebeu e deixou.
Nada disse.
Ela afagou os cabelos curtos dele e disse com carinho, com muito carinho – Ei, seu bocó, é seu aniversário hoje. Estão todos festejando lá embaixo e você aqui? Virou prima dona agora? Depois de velho? Não vai ser anfitrião? Não quer? Virou babaca? – provocou.
Ele apenas a olhou com doçura com os seus olhos verdes, vermelhos e marejados. Nada disse.
Silêncio.
- Você acha que tem problemas, né? – ela perguntou, com uma certa dose de ironia, com uma certa dose de suavidade. Com uma grande dose de amor.
Ele não respondeu.
Silêncio.
- Sabe – ela prosseguiu – Você precisa pensar mais nas coisas, pensar mais na sua vida. Não pode ficar sentado em uma cama de um quarto, chorando como um babaca como se não houvesse amanhã. Hoje é seu aniversário caralho. Mude! – determinou.
Ele a encarou em desafio – E há? – perguntou – Há algum amanhã para babacas como eu? Que estragam tudo, que só fazem besteira? Há? – insistiu.
Ela sorriu e disse com carinho, muito carinho – Claro que há. Sempre há amanhã. Só não vê quem não quer. Lembra da música? "...a solidão é pretensão de quem fica, escondido, fazendo fita...". Pára de fazer fita idiota – completou.
Ele desviou o olhar para as sombras da meia luz idiota do abajur.
Ela, de forma rápida, passou as mãos em seus próprios cabelos e retirou rapidamente a sua peruca. Ficou nua para ele. Completa e totalmente nua.
Brincou com os poucos fios que estavam recomeçando a nascer e disse com um sorriso – Tá vendo? Eles crescem de novo. Estão crescendo. O tratamento não vai me matar. Ao contrário. Tudo renasce nesta vida. Tudo.
Ele a encarou com um amor jamais visto e a abraçou ternamente. Como irmãos, como amigos, como grandes amigos.
Ele nunca havia a visto assim depois do início do tratamento.
Percebeu o quão babaca era.
Chorou copiosamente.
Problemas?
Todos têm.
Resolvê-los?
Poucos sabem.
O final?
Desceram para a sala e a festa foi longe. Foi muito longe.
Repleta de risadas, piadas, amigos e coisas boas.
Como se não houvesse amanhã. Como se não houvesse amanhã.
Mas sempre há.
Sempre há.
Sempre...
 
 

22.6.16

 
TODAS AS CANÇÕES...
 
 
Todas aquelas canções?

Todas?

Cansativo.

Exaustivo.

Idiota.

Muitas canções perdidas.

Muitas.

Tangos.

Boleros.

Canções de amor.

Tudo perdido.

Nas mãos de imbecis.

Nas mãos de imbecis.

Tudo perdido e inutiliizado.

Uma bobagem.

Das grandes.

Das maiores.

Idiotas.

Imbecis

Infelizes.

Eles?

Apenas beijaram nos fundos do condomínio.

Pecado?

Nenhum.

Prazer?

Muito....

E assim a vida segue....



17.6.16

 
FRANCO ATIRADOR
 
por achar que você era doce
virei salgado
virei amargo
virei mofado
enrugado
para me contrapor
para me opor
para ser o que eu sou
apenas ser o que eu sou
por achar que você era amarga
virei doce
virei pólen
morango e o que mais delicioso houver
chocolate
virei o que virei
mel e nada
apenas para me contrapor
para me opor
para ser o que eu sou
apenas ser o que eu sou
por achar que você era contente
fiquei zangado
furioso
um porre
dor de cabeça e ressaca
enojado
apenas para me contrapor
para me opor
para ser o que eu sou
apenas ser o que eu sou
por achar que ela era linda
me fiz feio
me fiz bonito
me fiz tudo
qualquer coisa
e me transformei
o quê?
em quê?
nada
apenas um tolo sozinho que escreve palavras esparsas
e atira a esmo
como um tolo
porque ela podem ricochetear
e podem voltar
palavras são assim.
sempre assim.
sempre.....

 
 

1.6.16





AMAR? QUEM? NUNCA TE VI, SEMPRE GOSTEI....



Linda.

Perversamente linda e adorável.

Destroçando corações.

Apenas destroçando.

Linda demais e ele sequer sabia seu nome.

Lindo?

Não.

Um verdadeiro idiota.

Um verdadeiro tolo.

Um ogro.

Tosco como sempre e sempre e sempre.
 
Ogro.

Desde que existiu.

Desde sempre.
 
Desde que nasceu.

Escondido através das palavras e das teclas.
 
Apenas escondido.

Sempre escondido.

Sempre.

Ela?

Linda.

Linda demais.

Sempre.

E?

Não ficaram juntos.

Ela o quis.
 
Ele também.

Ele ficou com medo.

Ela não.

Simples assim.

Como todas as estórias de amor que dão errado terminam.

Como todas terminam errado.

Lindo e linda, apenas separados...

Apenas separados....

Como nunca devia ser.

Nunca devia ser...