31.5.16

 
 
NADA A DIZER QUANDO NÃO HÁ NADA A DIZER. SIMPLES ASSIM... SIMPLES ASSIM...



- Escrever? – ele perguntou antes de acender um cigarro e apenas chorar.

- Sobre o quê? Escrever sobre? – ele insistiu, canalha, cafajeste, bravo. Todo ele..

Ela apenas ficou muda.

Nada a dizer quando não há nada a dizer.

- Eu te amo – ele disse direto.

- Eu não – ela respondeu direta.

E então ... Nada a dizer quando não há nada a se dizer. Simples assim..

Simples assim...





NADA A DIZER QUANDO NÃO HÁ NADA A DIZER. SIMPLES ASSIM... SIMPLES ASSIM...

 
- Escrever? – ele perguntou antes de acender um cigarro e apenas chorar.

- Sobre o quê? Escrever sobre? – ele insistiu, canalha, cafajeste, bravo. Todo ele..

Ela apenas ficou muda.

Nada a dizer quando não há nada a dizer.

- Eu te amo – ele disse direto.

- Eu não – ela respondeu direta.

E então ... Nada a dizer quando não há nada a se dizer. Simples assim..

Simples assim...
 
 




AO MENOS QUANDO O AMOR AVANÇA.... AO MENOS....

Ele?

Um idiota.

Bebia muito. Nada mais.

Nada demais.

Ela?

Fumava. Fumava muito. Nada demais.

Nada a mais.

Beijos?

Não.

Não queriam saber disso.

Ao menos agora.

Ao menos hoje.

Beijos?

Hálitos de hortelã são coisas mentirosas.

Ao menos quando o amor avança.

Ao menos quando o amor avança.

Ao menos....





O TEMPO SUFICIENTE PARA SER FELIZ.



Ela sonhava com flores.

Amava e amava e amava flores.

Muitas.

Muitas flores.

Todas as cores.

Todas as flores.

Margaridas, rosas, orquídeas, lírios, girassóis, enfim, flores. Todo o tipo de flores.

E cores.

E aromas.

Lindos.

Linda.

Ela sonhava com flores.

E as queria todas para ela.

Como numa peça de teatro de amor, como numa peças sinfônica de amor, como em um uma canção de paixão, como em um texto apaixonado, como em tudo. Como no amor.

Flores.

Ela gostava de flores.

Muito.

Ele também.

E no primeiro encontro ele a presenteou.

Um ramo de rosas.

Vermelhas.

Paixão.

Cor.

Febre.

Tudo.

Vermelho.

Paixão total.

Eles?

As rosas?

As orquídeas?

Os lírios?

Os girassóis?

Eles?

Viveram como as flores.

O tempo suficiente do amor.

O tempo suficiente para ser feliz.

O tempo suficiente para ser feliz....

TOLO / TOLA


- Você é tolo? Um idiota completo? – ela perguntou sem cuidado, sem certeza, sem firmeza.

Ele apenas sorriu.

- É? – ela insistiu.

- Bem... – ele começou a responder meio sem nexo, meio sem prumo, meio sem nada – Devo ser. Com certeza.

Ela o encarou com raiva, muita raiva – Seus olhos eram puro fogo. Raiva concentrada.

Ele nada disse.

- Como? – ela repetiu – É ou não? Imbecil.

- Eu te amo – ele respondeu lacônico – Devo ser. Muito imbecil.

Ela apenas chorou e se beijaram, molhados e como se não houvesse amanhã.

Simples assim...



 

SONHANDO COM DIAS BONS...



Tudo tão confuso, tão confuso.

E ele?

Ele, idiota, apenas fumava.

E pensava nela.

Apenas isso.

Um verdadeiro idiota.

Não por pensar nela, claro, que era linda e muito, mas muito desejável, mas por fumar.

Ninguém mais fuma hoje em dia.

Hábito ruim.

Tudo tão confuso e ele apenas fumava.

Não sabia colocar as músicas em seu celular novo.

Panaca.

Mas as fotos dela ele sabia.

E como.

Amor.

Apenas amor.

Sorvete?

Da onde veio isso?

Da cabeça doentia dele.

Ele devia ter, ao menos, tentado, dar um beijo nela.

Ao menos isso.

Tudo tão confuso, tão confuso.

E ele?

Apenas fumava e sonhava com dias bons.

Apenas isso.



 

 
 
SINFONIA AMARGA
 
Sinfonia amarga? Azeda? Sabor ruim?
Claro que não.
Sinfonia de sol, de som, de cores, de luz, enfim, sinfonia de um sábado de sol.
Como ela merece.
Como ela sempre mereceu.
Linda.
Alegre.
De coturno ou não.
Sinfonia amarga?
De jeito nenhum.
Nunca.
- Hey? – ela perguntou se jeito, sem graça, sem traquejo.
Ele a olhou com surpresa e apenas respondeu – O quê? Tá tudo bem? – disse sem saber o que dizer.
Ela o olhou linda. O mesmo olhar de sempre – Quer tomar um sorvete? – perguntou.
Ele apenas sorriu.
Ele apenas sorriu.
O início de uma bela amizade.
Sinfonia?
Nenhuma amarga, por favor.
Apenas doces.
Apenas as doces....
As mais doces....
 

30.5.16


APENAS UM GUARDA CHUVA VERMELHO E AZUL... E MUITO MAIS DEBAIXO DELE....


- Tudo bem? – ele perguntou impreciso, quase certo, todo tímido.

Ela apenas sorriu. Nada respondeu.

- Tudo bem? – ele insistiu e emendou – Vai chover o mundo esta tarde. Tem guarda chuva? – perguntou todo bobo, todo tolo.

Ela permaneceu em silêncio, acendeu um Marlboro e ficou quieta. Totalmente quieta.

- Você não sabe falar? – ele provocou – Fala algo, porra! – quase gritou.

Ela deu um nova tragada e o encarou profundamente.

- Diz – ele pediu.

- Você é um babaca – ela respondeu – Um completo e grande babaca. Um tremendo imbecil – emendou.

Ele ficou puto.

- Quem você pensa que é? – ela perguntou, arrogante.

- Vai chover hoje, sabia? – ele disse, bem idiota – Você tem guarda chuva? – perguntou.

Ela sorriu, deu de ombros e apenas respondeu – Não. Me dá carona? – perguntou.

Ele sorriu.

E foram.

Na praia, na chuva e debaixo do mesmo guarda chuva azula e vermelho.

Apenas felizes.

Tem algo melhor?????

Tem?





PALAVRAS. AO VENTO.... APENAS PALAVRAS AO VENTO...



Linda, fofa e culta...



Linda?



Sim.



Fofa?



Sim.



Culta?



Muito.



E ele ficou tímido.



Não sabia o que dizer, o que falar, o que sorrir.



Ficou tímido.



Simples assim.



Linda, fofa e culta.



Ele?



Nada disse.



Ficou constrangido de ter falado tamanha besteira.



Imbecil.



Pobre amador.



Pobre criança.



Tolo.



Ela?



Uma mulher.



Nem se importou...



Sorte dele.



Apenas sorte dele...



Pobre diabo...



Apenas um tolo...



Apenas um...



DECISÕES...


- Então, está tudo errado? – ele perguntou lacônico, cínico, com poucas palavras.

Uma única pergunta.

Cretina, boçal, indócil.

Ela apenas assentiu com a cabeça. Nada disse.

- Está? – ele insistiu.

Ela ficou muda. Apenas acendeu um cigarro mentolado.

Tomou um gole do seu gim tônica.

Muda.

Totalmente muda.

- Te odeio – ele disse, cheio de mentira, cheio de vontades, cheio de trejeitos.

- Eu?- ela rebateu – eu te amo, seu otário – Muito – completou cheia de mentira, cheia de contades, cheia de trejeitos.

Como acabou?

Como sempre acaba....

Do jeito delicioso que ELES decidem...

Apenas ELES decidem...

Só....


27.5.16


ELVIS? QUEM?



Ele a olhou com carinho, afeto e atenção.

Muito carinho, muito afeto e muita atenção.

Muito tudo.

Muito tudo.

Muita paixão.

Coração ao alto.

Explodindo.

Mil vezes por segundo.

Mil vezes tudo.

E ela apenas acendeu um cigarro e sentou-se no chão da sala, sobre os seus tapetes coloridos.

Lindos tapetes coloridos.

Ela estava pronta.

Pronta a ouvir a chuva que começou a desabar na cidade e esmurrar as janelas do seu apartamento.

Muita chuva.

Esmurrar sem dó nem piedade.

Luzes ainda acesas.

Ela apenas o olhou.

Ainda mais uma vez.

Com carinho, afeto e atenção.

Com muito carinho, muito afeto e muita atenção.

Ele a achava linda, por Deus.

Linda demais....

Ela apenas tragou o seu cigarro lenta e profundamente e levantou-se, apenas com sua camiseta velha do Elvis e foi à cozinha pegar um copo de conhaque.

- Quer? – ofereceu displicente ao que ele prontamente negou.

Ela prosseguiu com seu sotaque forte - Conhaque, cigarro, chuva e inverno combinam demais – ela disse, cínica.

Ele apenas sorriu.

- E você apenas com uma camiseta do Elvis completa a beleza do quadro – ele completou.

Ela sorriu.

- Te amo – ela disse – tímida.

Ele sorriu e apenas disse – Eu também. Muito.

E a chuva?

Continuou a cair desvairada durante toda a noite.

A camiseta do Elvis?

Ficou em um canto qualquer... ficou esquecida em um canto qualquer ao lado de um velho copo de conhaque e bitucas de cigarro...

Canto qualquer...



 


JOVENS... APENAS JOVENS...


- Eu te amo – ele disse tímido, quase mudo.

Ela o observou com desdém, amor e muito, mas muito carinho.

- O que? – ela perguntou, cruel, quase sádica.

Ele tomou mais um gole da sua cerveja e disse tímido – A música está alta hoje no Varsóvia, não?

Ela apenas sorriu. Nada disse.

- Não está? – ele insistiu. – Muito alta? A música.

- Não sei – ela respondeu de besta. Sorriu como nunca.

- Eu te amo – ele quase gritou.

Ela sorriu como uma adolescente boba. Tomou um gole de sua bebida e deu uma baforada no seu cigarro.

Sorriu.
 
Sorriu como sempre.
 
Sorriu como nunca.

- E? – ele insistiu novamente. Ansioso e adolescente. Sempre.

- Eu também, seu imbecil. Eu te amo seu idiota.

E se beijaram.

Lindos.

Jovens.

Loucos.

Sem razão.
 
Sem nenhuma razão.

Sem nenhuma razão a não ser o amor.

A não ser o amor....

E o Clube Varsóvia continuou a existir.

Como sempre.

Como sempre...


LINDA. APENAS LINDA....
 

Linda?

Claro que sim.

Totalmente linda.

Totalmente linda.

Totalmente loira.

Totalmente linda.

E não que as loiras sejam as mais bonitas.

As morenas também são.

As ruivas ainda mais.

Não.

Mas ela era....

Linda.

Apenas linda.

Ele?

Um apaixonado

Um bobo.

Um tolo.

Caído de amor.

Ela?

Linda.

Totalmente.

Uma luz no neon do Clube Varsóvia.

Linda.

E ele apenas disse, de forma idiota – fica comigo?

- Não – resposta curta, resposta grossa, resposta rasa.

E depois?

A chuva caiu severa e eles jamais ficaram juntos.

Jamais....

Pobre diabo.

Linda mulher.....

24.5.16



DANÇANDO...



- Nada – ela respondeu desinteressada, sem vontade, sem tesão, sem paixão, sem nada.

Ele a encarou com surpresa e temor – Nada? – perguntou, incrédulo.

- Sim. Nada – ela insistiu e emendou – Nada. Precisa ter alguma coisa? Precisa ter algum motivo? Precisa ter a porra de alguma coisa? Eu já disse. Não é nada – sentenciou.

Ele ficou em silêncio sem saber o que dizer. Levantou, acendeu um cigarro foi até a cozinha e encheu um copo de vodka. Voltou a sala em silêncio. A observou por alguns instantes. Sabia que nada deveria dizer. Ao menos naquele momento. Ao menos naquele específico momento.

- Porra, será que não posso ter dias ruins? – ela perguntou puta, muito puta, muito brava. Muito brava mesmo – Não? Insistiu.

Ele nada disse. Nada. O silêncio se fez som naquele apartamento ridículo dela. Apenas tomou mais um trago e deu mais uma baforada no seu cigarro de menta.

- Olha – ela disse, quase vencida – Eu te amo, mas não dá para ser assim, ok? Não dá. Cansei de flores e telas e quadrinhos coloridos. Quero mais. Quero muito mais que isso – disse.

Ele deu o último gole e a última tragada no cigarro de menta. A encarou como se não houvesse amanhã. A despiu na alma com seu olhar infame. Levantou a pegou pelas mãos, de uma forma suave, sutil, delicada e gentil. Um lorde, se é que ainda existe algum. Perguntou sem disfarces – Quer dançar?

Ela sorriu como há muito não fazia. Como há muito não fazia.

- Claro – respondeu, tímida.

E ele começou os movimentos.

Conduziu e conduziu e conduziu.

O que dançaram?

O bom e velho Sinatra.

O bom e velho Sinatra.

E não importa se ficaram juntos depois da última dança.

O que importa é que a noite foi mágica.

Como todas as noites de casais apaixonados devem ser.

Todas as noites devem ser....


6.5.16

OUTONO E CRIANÇAS LINDAS...



E ele estava triste.

Arrasado.

Magoado.

Devastado.

Ela disse apenas e tão somente a ele que seu talento havia morrido.

Só isso.

Nada demais.

Nada de drama.

Nada demais.

Você escrevia bem - ela disse. Cruel, sádica, bombástica..

Ele ficou em silêncio.

Não mais.

Sem talento algum.

Acabou.

Coisas de amor.

Fim.

Pílulas rosas e brisa.

Brisa?

Brisa de outono.

Talento nenhum.

Talento nenhum.

Talento de nada.

Talento nenhum mesmo.

E ele chorou novamente.

Agarrado a um copo de vodka barata.

Ainda mais uma vez..

Chorou como uma criança boba, como uma criança tola.

Apenas chorou e esqueceu o que já tinha vivido.

E numa loja de conveniência vagabunda apenas escutou nas suas costas uma voz suave, doce e pequena - Hey? Você escreve aquele site de contos? – a garota perguntou direta, reta e clara. Sabia o que dizia

Ele a olhou com surpresa e sequer tirou os seus óculos escuros.

Nada respondeu.

- É? –a moça insistiu – Minha mãe aqui ao lado tem certeza. É você mesmo?

- O quê? – ele perguntou irritado – É comigo? – retrucou.

Ela, linda, baixa e de cabelos claros e vermelhos apenas sorriu . Nada disse.

- É comigo? – ele insistiu imbecil.

- Te adoro – ela disse, doce e linda quebrando todos os ossos d idiota.

Ele ficou sem graça.

Obrigado por escrever – ela emendou.

Ele, bobo e pueril disse sem pensar e sem ser doce. Um verdadeiro idiota – Mas você é cega. Percebi e consigo perceber. Como sabe quem sou ou o que escrevo?

A garota apenas sorriu e disse – Bengalas, óculos escuros e gente que a gente ama está em todos os lugares. Todos os lugares. Um beijo. Continue a me fazer feliz.

E partiu sorridente depois de dar a ele um beijo delicioso em sua bochecha caída..

Ele?

Chorou como uma criança boba.

Apenas mais uma vez....

Apenas mais uma vez.

E decidiu nunca parar de escrever...

Nunca...

Ainda que não se importem com ele.

Ainda assim...

Ainda assim..




BANDAS E SONS.... E CORAÇÕES PARTIDOS...
 
Esta noche me despierto y pienso en el tiempo perdido.
Cuantas noches me despierto y pienso en el tiempo perdido.
Quiero mirarte y que me mires.
Quiero hablarte y que me mires.
Quiero mirarte y que me mires, que me mires.
Ya nada va a ser igual, vos no vas a ser igual.
El fin de las vacaciones, de las mejores
.



Canções burras e tolas e de dor de cotovelo.

E cantadas em versões estrangeiras.

Lindas.

Outro sotaque.

Outro amor.

Lindo.....

Versões diferentes do mesmo.

Lindo.

Mas canções burras e tolas e de dor de cotovelo.

Canções adoráveis.

Canções de amor.

Canções erradas.

Canções erráticas

Canções lindas.

Erradas..

Tudo errado.

Tudo.

Tudo certo.

Tudo.

Idiota.

Idiota?

Ele?

Claro.

Idiota as usual.

Sempre.

Um verdadeiro imbecil.

E ele apenas chorava.

Só.

Vida de lágrimas e chuva.

Muito.

Ela?

Nada.

Foda-se.

E tudo o que ele queria era lhe dar uma camisa do Suede.

Pobre imbecil...

Pobre imbecii...



Quem ainda ouve Suede hoje em dia?????



Quem?????



Apenas as pessoas lindas.....