9.5.15


E TUDO O QUE ELA QUERIA ERA SER COMO MOLLY RINGWALD... APENAS ISSO...

- Rosa? – ele perguntou incrédulo – Não acredito! - concluiu, zombando.
Ela o olhou com desdém e retrucou irritada – Qual o problema? Não posso usar rosa? Imbecil.
Ele acendeu um Marlboro e sorriu com ironia fina – Pode. Pode usar o que você quiser minha querida. O que quiser. Você fica bem até vestindo amarelo. A mais horrível de todas as cores. A pior, mas a pior mesmo de todas as cores. Mas diz, a fumaça horrenda do meu cigarro vai estragar o seu belo vestido? – perguntou irônico.
Ela mostrou o dedo do meio para ele, visivelmente irritada.
Ele conseguiu irritá-la.
Ela não.
Ele sorriu.
Ela não.
- Calma querida, parece até que vai ser o encontro da sua vida. O grande momento da sua vida – ele disse, com sarcasmo – O seu grande amor.
- Você não quer ir se foder? – ela disse irritada, enquanto terminava de experimentar o seu vestido – Seria tão bom. Vá, por favor. Vá lá dar meia hora de bunda que pode te fazer bem. Muito bem, seu imbecil.
Ele sorriu ao dar mais uma tragada de seu cigarro e disse, irônico – Você bem sabe que de imbecil não tenho nada.
- Sei. Infelizmente. Mas é mal. Muito mal. Uma pessoa má, seu cretino. Vai embora, por favor – ela pediu.
- Não – ele respondeu – Alguém tem que te defender. Alguém tem que te defender daquele otário que você escolheu como O grande cara da sua vida e que você vai encontrar em instantes e mesmo te defender deste seu péssimo gosto para vestidos – cutucou – Rosa? Vá se foder, que cor escrota – emendou.
Ela levou as mãos à cabeça e começou a chorar. Copiosamente. Estava realmente abalada.
Ele engoliu em seco e percebeu a burrada que fez. Apagou o cigarro e chegou junto a ela.
- Sai para lá seu idiota – ela gritou, afastando-o com as mãos – Sai para lá. Vai embora porra.
Ele abaixou a cabeça e tentou pensar em alguma palavra de desculpa, alguma palavra de perdão, alguma palavra de conforto. Ficou sem saber o que dizer, o que fazer, como se mover. Ficou mudo. Inerte. Lento.
- Vai embora daqui seu filho de uma puta – ela gritou – Você entende alguma coisa? – perguntou – Você não entende nada de coisa alguma, nada de coisa alguma. Nada de nada. Cai fora da minha casa, do meu canto, do meu santuário, do meu lar. Vai embora – gritou.
Ele assentiu com a cabeça, constrangido, e pegou sua mochila.
- Bem, qualquer coisa que voc... – foi interrompido – ... vai embora seu filho da puta. Vai agora – ela gritou interrompendo-o.
Ele virou as costas sem graça. Não disse nada. Apenas abriu a porta e partiu.
Ela, sozinha, começou a chorar como uma criança. Chorou por vários minutos. Vários. Parou, enxugou as lágrimas, levantou-se e tirou o vestido. Jogou o mesmo em um canto qualquer da apertada sala. Sentou-se ao chão com seu cigarro já acesso e apenas pensou por qual razão ele não percebia que não havia ninguém. Não havia absolutamente ninguém além de jogo de cena e ciúme. Por qual razão ele não percebia que não havia ninguém. Maldito cretino. Havia apenas ele e ele e ele... o eterno imbecil na sua vida... o eterno amor da sua vida...  
Idiota...