15.11.14


PERVERSAMENTE LINDA

Linda. Absolutamente linda. Cabelos castanhos meio grandes, meio finos, muito bagunçados. Muito organizados. Dependendo do vento. E ele? Ele amava. Simplesmente amava. Muito. Um quadro único e sem igual. Único. A beleza é perversa e ele amava aquele quadro. Amava. Apenas isso. Com todas as suas forças. Com todas as suas forças.
Linda. Absolutamente linda. Cabelos castanhos meio grandes, meio finos, muito bagunçados, muito organizados. Vento. Este filho da puta. Este tremendo filho de uma puta.
- Você vai ficar comigo? – ele perguntou – Ainda dá? - insistiu.
Ela sorriu com desdém e troça. A troça de quem sabe que tem o poder. De quem pode. Tomou um gole da sua cerveja e não respondeu. Apenas acendeu um Marlboro.
- Vai? – ele insistiu em súplica, em desespero, em paixão e amor.
Ela se manteve e não respondeu. Apenas ajeitou os tais cabelos castanhos completamente desgrenhados pelo vento da mesa de bar ao ar livre. Tomou mais um gole da maldita cerveja. Nada disse. Ficou quieta.
- Sabe de uma coisa? – ele perguntou ingênuo e inocente. Um bobo, como sempre. Um velho adolescente de tantos muitos anos.
- Não – ela respondeu seca. Sem sentimento.
Ele respirou fundo e engoliu vários golpes de ar – Você me fode, sabia? Muito. Muito mesmo.
- Será? – ela retrucou – Não sei a razão.
Ela suspirou e respondeu – Não. Não faço nada do que você já me fez antes. Nada além disso.
Ele, puto, perguntou – Por que você está aqui? Qual a razão?
Ela respondeu serena – Você me convidou para tomar uma cerveja, não convidou? Então... não disse nada sobre discutir passado ou paixões mal resolvidas. Quem tem a reclamar aqui você bem sabe quem é. O mal não foi feito por mim. O erro não foi meu. Definitivamente.
Ele olhou para o céu em desespero e arrependuimento. Levantou, disse que ia ao banheiro, passou no caixa, deixou a conta paga e foi embora. Simples assim. Simples assim. Sem bilhetes, sem despedidas, sem arrependimentos, quer dizer, com MUITOS arrependimentos.
Ela não se importou.
Ele sim.
Beleza. Uma perversa beleza que ele JAMAIS esquecerá.
Apenas isso.
Simples assim.
O que importa nesta vida?
Cabelos castanhos meio grandes, meio finos, muito bagunçados. Muito organizados. Dependendo do vento. Um quadro inesquecível. Simples assim.
E assim foi.
E assim foi.
Mulher perversamente linda.
Perversamente.
Para todo o sempre...
Para todo o sempre...

Nenhum comentário: