17.3.14


ASTRONAUTAS

Eles flutuavam no espaço, sorrindo. Eles flutuavam no espaço, sorrindo como dois bobos sem motivo aparente. Descobriam os sentidos e impressionavam-se. Dançarinos com movimentos leves, bailarinos com movimentos suaves. Movimentos lindos. Movimentos nada tímidos. Movimentos nada tímidos, definitivamente, praticados com afeto e ternura na ausência da gravidade. Gravidade zero. Eles flutuavam no espaço como dois adolescentes inquietos. Dois adolescentes felizes, alegres, irresponsáveis, adoráveis e apaixonados. Beijavam de forma aleatória e seus corpos, leves, faziam acrobacias de amor. As mais belas e perfeitas acrobacias. A sincronia dos corpos e do amor. Não havia nada além da falta de gravidade, dos corpos flutuando no espaço, do excesso de amor, da intensa paixão, do delirante tesão e da Lua, linda, bela, amarela e indiscreta a os observar. As estrelas brilhantes, coitadas, invejavam o que presenciavam. Eles dançavam a mais bela das danças: a dança da cumplicidade. Seus corpos suados e molhados flutuavam no espaço, exaustos e extasiados. Dois jovens apaixonados. Dois jovens astronautas. Dois jovens dançando de forma sensível a representação do devastador amor. Do inesperado amor. Dois jovens apenas se amando, sem pensar no amanhã, naquela madrugada quente e úmida no quarto dela. A Lua não era grande o bastante para o amor e o tesão flutuando naquela cama...definitivamente não era.

Um comentário:

Lô disse...

*suspiros*.

Somente.