21.3.14


AMORES E AEROPORTOS

- E você sabe me dizer como isso vai funcionar? – ela perguntou a ele, com um aperto no peito, com uma agonia imensa, logo após se abraçarem e se beijarem loucamente naquele frio e triste saguão de aeroporto.
Ele sorriu. Nada disse.
- Não sabe, né? Seu filho da puta – ela disse – Sabia que você não sabia – ela insistiu dando-lhe um leve soco no peito.
- Sei, claro que sei – ele respondeu seguro e prosseguiu – Vamos ser muito felizes. Muito felizes. Não importa se estamos neste exato momento em um saguão de aeroporto nos despedindo, insanos e loucos de amor esperando a próxima vez de nos encontrarmos. Não importa. Eu amo você e você me ama. Isto é suficiente para muita coisa, não acha? Para muita coisa.
Ela sorriu com os olhos cheios de lágrimas – Detesto despedidas. Detesto você – brincou.
Ele sorriu um sorriso ainda mais largo e feliz.
- Também estou triste para caralho – ele disse – Mas, pensa, foi bom este final de semana, não foi? – perguntou.
Ela o beijou de uma forma terna, apaixonada, deliciosa. Mordeu os seus lábios suavemente, com amor – Nos vemos em duas semanas? – perguntou.
- Claro – ele respondeu.
- Eu te amo – ela disse.
- Eu te amo – ele respondeu.

- Ainda bem que existe carta, correio, pombos correio, internet, celular, enfim, que existe o MUNDO de hoje para que eu não fique longe de você.
Ele a abraçou com muito carinho e sussurou suavemente em seu ouvido – Tenha calma. Paciência. O futuro está aí. O futuro está logo ali. E ele é nosso. Paciência. É tudo o que ele nos pede. Vamos ficar juntos.
E desabaram a chorar como dois adolescentes apaixonados naquele triste e frio saguão de aeroporto, sem se importar com nada ou ninguém ou coisa alguma.
- Sabe de uma coisa? – ela disse se recompondo, secando as lágrimas, logo após ouvir a última chamada para o seu vôo pelo alto falante.
- Diz – ele pediu.
- Quando estivermos juntos mesmo. Mas juntos de verdade. No mesmo espaço e tempo, de forma real, eu nunca, mas nunca mais mesmo vou querer pisar em um saguão de aeroporto – sorriu apaixonada.
Ele a abraçou com força e despediram-se com amor, ternura e paixão. Como apenas os amantes podem fazer e a geografia, coitada, não se atreve a deter.

Um comentário:

Lô disse...

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Lindeza!