7.2.14



UM BRINDE. FAZER O QUÊ?


- Será? – perguntou Artur, tentando entender exatamente o que estava escutando da sua amiga – Será que você tem razão? – perguntou inseguro.

- Claro – respondeu Ana – Claro que sim. Pode confiar no meu taco.

- Mas e se não for realmente assim? – ele perguntou novamente, enquanto matava seu último gole de vinho na taça – E se for apenas algo da sua cabeça. Um delírio – riu nervoso - Algo que você realmente deseja e que você realmente torça e quer que seja verdadeiro, mas que no final do dia, não é real. Ilusão apenas.

Ana balançou a cabeça negativa e disse – Pode apostar. Falei com a Clara sobre. Não diretamente, claro, mas entendi exatamente o que ela quer. Confia em mim. Ela não quer mais o Paulo. Não ficarão mais juntos. Tenho quase certeza disto.

Neste instante Clara entrou na sala com Paulo que carregava mais uma garrafa de bom vinho tinto e uma excelente sobremesa repleta de Nutella, morangos e sorvete.

- Então – disse Ana – Sei que adoravelmente bebemos demais hoje, mas esta última garrafa será para brindar o quê? – perguntou, divertida, com um sorriso rosa no rosto, tentando descontrair.

Artur a encarou com amizade e afeto, entendendo aonde ela queria chegar e apenas respondeu, complementando a amiga – Coisas simples, porém valiosas. Nossa amizade? Que tal? É uma boa idéia? – sorriu.

Paulo concordou com a cabeça e encaixou o sacarrolha para abrir a garrafa de vinho.

- Podemos brindar a este novo ano, que tal? – sugeriu Clara – Velhos amigos, novos momentos. Nova vida. Novos planos. A etiqueta ainda permite celebrarmos um ano novo em fevereiro.

- Gostei Clarinha – disse Ana – Você sempre acerta em cheio.

- Bem, eu tenho uma idéia em complemento ao que a Clara disse e acho que vocês vão adorar.

- O quê? – perguntou Ana.

Paulo abriu a garrafa e sorriu um dos seus sorrisos mais lindos. Deus, ele era realmente lindo – Vamos brindar a uma novidade.

- Qual? – perguntou Artur, sem disfarçar a ansiedade e enquanto recebia a taça repleta de vinho das mãos de Paulo.

- À nossa viagem – disse Clara – A minha viagem e a do Paulo. Comunico, com muita felicidade – disse solene – que vamos passar os seis meses do meu curso em Paris juntos. Nós nos acertamos, finalmente – sorriu.

- Como? – perguntou Ana com surpresa – Vocês vão embora juntos? – perguntou.

- Sim – disse Paulo – Mas relaxa. Nossa amizade vai continuar a mesma. Quem sabe vocês não conseguem nos visitar naquelas bandas? – finalizou – vamos adorar, completou, não sem antes disparar um beijo delicioso em Clara.

Após alguns segundos de silêncio e goles de vinho tinto Ana disse - Parabéns –completamente sem graça, completamente entristecida.

Artur apenas levantou a taça de vinho tinto. Fez tanta força para segurar as lágrimas que seus olhos pareciam querer explodir.

- Acho melhor parar de beber Artur – disse Clara, brincando – Você está mais vermelho que o vinho.
- Não. Tudo bem. Vamos brindar. Vamos brindar ao nosso futuro.
E celebraram dentro da angústia, da mentira, do amor, da verdade, dos sentimentos. Cada um do seu jeito. Cada um da sua forma. A noite e a celebração/derrota de cada um estava apenas começando.

by eReSaW



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