17.2.14



FESTA


- Posso te dizer uma coisa? – ele perguntou, cheio de charme vagabundo, barato, meio bêbado, todo chato.

- Sim – ela respondeu meio seca, toda dura, sem querer aproximação com ele. Não era o tipo de homem que ela queria. Nem de longe. Nem de longe, mesmo.

- Seus brincos são verdes e combinam com os seus olhos castanhos. Adorei a mistura – ele disse.

- Sério? – ela respondeu sem saco, sem a menor paciência – Tem um motivo para isso – completou.

- Não acredito – ele disse – Não acredito mesmo. Eu sabia que isso ainda iria acontecer comigo. Coisa de destino.

- Como? – ela perguntou sem entender porra nenhuma.

- Destino, química, paixão, atração. Estas coisas. Adoro brincos verdes e olhos castanhos. Você se produziu, sem saber, para mim. A vida é assim. Inexplicável. Destino. Noites de sábado.

Ela olhou para ele com desdém e respondeu seca e direta – Olha, não quero ser grossa então é melhor deixar para lá. Me esquece.

- Como? Você é linda. Adorei a produção. Toda para mim.

- Querido – ela respondeu, com um tom severo – Não é para você.

- Como? – ele insistiu.

- Esta “produção”, como você diz, é para outro alguém. Para outro alguém. Não para babacas otários e bêbados. Quer que eu desenhe ou você entendeu?

Ele a olhou com um misto de raiva e indignação – Sério? Então cadê ele? Se fosse tão importante estaria aqui. Você não estaria sozinha.

Ela riu e deu uma bela tragada no seu Marlboro. Depois, de forma direta disse – Ele está aqui seu imbecil. Dentro do meu coração. Apenas dentro do meu coração. Preciso desenhar ou apenas te dar um murro?
E a noite de sábado continuou. Feliz para uns. Triste para outros. Coisas de sábados á noite. Sorte de quem está longe. Sorte de quem está longe e confia...

Um comentário:

emdorfina disse...

Ai, esse é uma graça. Uma graça, simplesmente.=)