5.2.14


BOA NOITE. MUITO BOA NOITE, MEU QUERIDO...


Ela olhou para ele com ternura e muito carinho. Suspirou profunda e longamente. Ele era o seu Ringo Starr. O seu preferido, o seu preferido de todo o sempre e de todos os tempos. O seu ídolo e hitmaker do coração. No entanto, não acreditava naquele bobo dormindo, desmaiado no seu sofá. Porra, mesmo com a justificativa do litro de Campari barato que tomaram sozinhos, ela continuava sem acreditar em tudo o que ouviu dele ao longo das últimas horas. Continuou sem acreditar no que conversaram e no que foi dito por ele naquela noite e madrugada. Os recados dados, as indiretas, as confissões atrasadas, os medos, os receios, as besteiras, a preferência dele pelo Campari. Ela ficou triste, porém resolvida. Sexy Sadie por demais. Ficou sem acreditar na imaturidade dele, nos medos e nas bobagens que ele disse e, infelizmente, nas merdas que ele assumiu fazer depois. E ele fará. Ficou melancólica. Respirou fundou e foi para o quarto. Pegou um lençol verde barato e leve que estava no seu quarto e o cobriu com carinho e doçura. Estava um calor dos infernos naquela metrópole, mas a tempestade que desabava lá fora podia causar vento, gripe e dor e, convenhamos, gripe no verão é muito pior do que amores mal resolvidos. Causa muito mais mal estar. Pode apostar. Ela olhou mais uma vez para ele com ternura e amor. Fez um cafuné nos seus cabelos totalmente detonados e desgrenhados ao longo do sofá e tentou, por um breve instante, imaginar o que aquele “idiota” sonhava. O que ele queria além de ser feliz. O que ele “realmente” sonhava. O que ele era. Realmente. Deu um beijo breve, leve e lindo em seu rosto e lhe desejou, em sussurro, uma boa noite. Uma boa noite, repleta de sonhos adoráveis e anjos bons. Fumou um último baseado rápido enquanto apreciava a tempestade e enquanto apreciava aquele garoto lindo dormindo em seu sofá e foi dormir com a sensação de dever cumprido e com o coração leve. Ela ouviu uma última vez os raios que despencavam lá fora e teve a certeza de que, pela manhã, ele não estaria mais ali. Naquele sofá e nem coberto por aquele lençol verde. Ele nunca mais estaria ali. Nunca mais. Dormiu em paz e teve sonhos bons. Sonhos muito bons...

 


 

Um comentário:

emdorfina disse...

Suave como brisa de fim de tarde...