15.2.14



BIA E LECA


- Não acredito. Você está apaixonada, cacete? – Leca perguntou, percebendo o brilho lindo no olhar de Bia.

Ela disfarçou e apenas respondeu, lacônica - Deixa de ser boba – Bia disse, tentando disfarçar o indisfarçável – Apaixonada o caralho – emendou – Sou lá mulher de ficar apaixonadinha por alguém?

- Pára – dsse Leca, irritada – Te conheço desde os seis anos. Desde os seis anos. Conheço cada detalhe, cada sorriso seu. Vocè está apaixonada mesmo. Caramba! Vai me fazer o grande favor de dizer por quem? – perguntou.

- Deixa de ser trouxa Leca, por favor. Não sei da onde você tira estas bobagens, estas besteiras. Parece que não cresceu.

Leca a olhou com indignação e raiva – Porra. Estas bobagens e estas besteiras eu tiro de você mesmo. Tiro de você mesmo. Estamos aqui no Clube Varsóvia, que está bombando de gente chata, gente mala, idiota, presunçosa, aliás, uma porrada de pessoas dançando e você aí, distraída demais, com o olhar vago e brilhante, fumando os seus malditos cigarros e pensando em alguém, que não sei quem é,  com um sorriso no canto dos lábios, sem nem se importar com o que acontece ao seu redor. Não tem outra, você está apaixonadíssima. E nem me fala. Que saco.

- Besta – disse Bia, infantil e adorável.

- Fala Bia. Fala. Quem é o sortudo? Não vai dizer que é aquele otário do Edu? Aquilo é um traste. Não vale nada. Um imbecil. Esquece o cara. É o Cadu? Pedro? Tom? Quem é o imbecil? – perguntou, com sarcasmo.

- Você faz perguntas demais Leca. Perguntas demais – disse Bia – Podemos falar sobre qualquer outra coisa, por favor? – pediu, sem saco.

- Tá bem Bia. Tá certo. Vou te deixar em paz por poucos instantes. Conheço você como a porra da palma da minha mão e sei que você está mentindo. Enganando a mim, mais uma maldita vez. Ok. Sei que está de olho em alguém, apaixonadérrima. Vou pegar uma porra de uma bebida e já volto. Quer algo? Posso trazer – disse, gentil.

- Paz. Eles servem isto por aqui – respondeu Bia, com ironia.

- Vaca do inferno – brincou Leca e emendou – Te trago uma vodka. O mais perto da paz que você vai chegar hoje. Pode apostar.

E enquanto Leca se dirigia ao bar, Bia ficou olhando os deliciosos movimentos do seus quadris, os deliciosos movimentos daquela garota tão linda que ela conhecia desde os seus seis anos de idade. Sua melhor amiga. Sua maior paixão. Sua melhor tudo. Se me conhecesse tão bem, sua estúpida, você saberia quem é meu verdadeiro amor – pensou, triste e um pouco feliz, sem saber por onde andar e apenas aguardando a vodka e o retorno daqueles deliciosos movimentos de quadris.

 
Sem saber por onde começar...





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Um comentário:

Lorene. disse...

Sensibilidade que só você tem... =)