20.4.11

MEDO? MUITO!

Sinto um breve sopro de medo e desespero a me corroer o peito. Um breve, porém profundo, sopro de medo e desespero. Medo. Medo de encarar a minha própria vida e todas as bobagens que dela fiz. Medo de encarar o espelho, de frente, e perceber que do alto de todos os meus anos vividos, não fui capaz de manter a verdade como a linha mestra dela. Como a guia. Como o farol a iluminar cada passo dado no escuro. Sinto um breve sopro de desespero a me corroer o peito. Aquele desespero que muito embora desperta uma vontade absurda de correr sem parar para qualquer lado, mas que, na verdade, te deixa apenas imobilizado, estático, congelado, sentindo o suor frio escorrer pela testa. Sinto medo e desespero com a mesma frequência com que respiro. Uso e abuso do álcool das drogas, do cigarro, da mentira. Subterfúgios e desculpas. Não consigo encarar os que amo. Sinto como se minha vida fosse uma fraude bem arquitetada pelo destino. Uma fraude bem arquitetada pelo tamanho, porém uma fraude grosseira e equivocada, pelo objetivo. Penso que deveria me arrepender e começar tudo de novo. Penso e, sinceramente, acho isso mesmo. Se fosse possível um botão de recomeçar, certamente, ele seria bastante amado neste exato momento. Bastante querido. Objeto de desejo dos fracassados, dos derrotados, dos mentirosos, dos ladrões, dos sujos, dos feios, dos malvados. Penso que eu deveria tentar recomeçar. Recomeçar. Recomeçar? Errar de novo ou realçar os acertos, porque sim, também, nem tudo foi escuridão e desastre. Nem tudo. Poucos e esparsos acontecimentos que me ocorrem agora são dignos de nota e orgulho. Poucos. Poucos e esparsos. Marcantes momentos. Engraçado isso, aliás. Como é possível sua vida ser um desastre no cômputo geral, porém ter momentos de brilho e delícia bastante pontuais, inimagináveis na vida de qualquer outra pessoa? Como? Seria uma armadilha do destino, apenas com o intuito de nos deixar confusos e atarantados, para nos deixar com medo de atitudes temerárias e atrapalhadas? Penso que não sumo daqui, numa viagem sem fim ao deserto de Mojave, porque sei que talvez existam duas ou três pessoas nesta terra que, de verdade, sentirão minha falta, minha ausência. Gosto de pensar que minha voz, em algum momento, cria uma fagulha de alegria em alguém perdido por aí. Creio, ou quero crer, que minha presença alegra os olhos de alguém, por alguns instantes, por alguns segundos. Aquele breve momento de alegria que você demonstra, ao ver um rosto conhecido. Penso que, no final das contas, os erros são grandes e severos, porém menores do que os acertos. Do que os momentos mágicos que eu mencionei há pouco. Será que alguém pode ser tão geminiano a este ponto? Rejeitar seus erros de forma tão virulenta, porém desejar ardentemente repetir sua vida para gozar os acertos. Na verdade, todos são assim. Acredito que todo ser humano desejar refazer sua vida. Refazer sua vida e apagar os erros grosseiros, as mágoas que provocou, as mentiras que contou, os amigos que abandonou, os beijos que não deu, as pessoas que enganou, enfim, apagar o que deu errado. No fim, a madrugada é a melhor amiga. Quieta e serena, não julga. Quieta e serena, não julga. Apenas observa e sussurra entre o vento que sopra pelas frestas das janelas do apartamento vazio, qual o melhor caminho a tomar. Qual o melhor caminho a tomar. O resto? Bem, o resto é por nossa conta. Apenas por nossa conta.

Um comentário:

cfb disse...

O melhor caminho a tomar? Você acabou de dar!! Saber que errou e que pode acertar. Pode encarar todos os que ama. Estamos de braços abertos para lhe confortar, ajudar e tudo mais. bjs CFB