31.5.10

A TEMPESTADE ESTÁ SÓ COMEÇANDO...

Às vezes, o céu fica bastante escuro, ainda que não seja noite. Nossas vidas também. Às vezes, ficam bastante escuras. Como se não houvesse amanhã, uma tempestade aproxima e promete devastar, inundar, causar, destruir, derrotar e levar tudo o que pudermos pensar. Tudo. Como se o breu das nuvens cinzas fosse a mera tradução dos nossos medos, nossos desesperos, nossa desesperança, nosso desejo de voltar a nascer. Recomeçar do zero. Recomeçar tudo. Tempestades são como a morte. Raios são como o último suspiro. Tempestades são o sexo. Raios, o gozo. Temos medo e somos fracos. Temos medo e somos fracos. Às vezes, uma tempestade pode nos dar muito mais pistas sobre quem realmente somos do que qualquer outra coisa. Do que qualquer outra fotografia ou impressão. Quando ficamos lá, quietos, à frente da janela, apenas observando o céu revolto e negro. O céu desafiador. Indestrutível. É quando percebemos que há muito mais coisas que podem nos matar lentamente, do que apenas a fumaça dos cigarros que tragamos, religiosamente, todos os dias. A tempestade pode ser libertadora. A tempestade é desafiadora. A tempestade pode ser apenas um detalhe. A tempestade pode ser o fim de algo que desejamos encerrar. Desesperadamente. Ou não. A tempestade pode ser qualquer coisa. Estou olhando através da janela neste exato momento. O céu está escuro e espesso. Vai chover muito. A tempestade está só começando. Só começando...


21.5.10

TO THE END


- O que vc quer de mim? – ela perguntou, aos gritos – Que porra você quer de mim?.
Ele olhou para o chão, triste. Não queria responder, não sabia responder. Preferiu o silêncio.
- Vai responder, seu filho da puta? Vai? – ela gritou, enquanto dava socos no peito dele. Socos não fortes, porém socos repletos de raiva, desespero e dor.
Ele ficou em silêncio. Ficou em total e absoluto silêncio, sem ter nada a dizer. Ela ter visto aquele beijo já era o suficiente.
- Seu idiota. Seu completo e estúpido idiota. Sai daqui. Agora! – ela gritou.
E ele saiu do pequeno apartamento e foi embora, descendo as curtas escadas daquele prédio tão antigo. E enquanto descia, podia ouvir, com desespero, o choro e a dor daquela garota tão especial, outrora o grande amor da sua vida. E caiu em choro e lamento.
Pobre diabo...