24.2.10

BABIES

"Estou deixando a minha vida passar. Isto é grave. Bastante grave. Está passando rapidamente e tudo o que eu queria era poder ter paz. Não beber, não fumar, não fazer merda, enfim, deitar a cabeça no travesseiro de forma tranqüila e calma, e dormir o sono dos bons, o sono dos justos, o sono dos normais. Muito ao contrário, tudo em que me meto remete ao caos, ao desespero, aos problemas. Falta de bom senso, falta de critério, falta de razão, Falta de juízo, como costuma dizer os sábios mais velhos. Ok, ok, juízo também não é tudo na vida. Viver sem um pouquinho de imaturidade ou de risco não é exatamente viver. Mas a vida deve ser vivida de forma alegre e divertida e não necessariamente como um fio de nylon, no qual você tem que caminhar por quilômetros, tendo um abismo colossal abaixo. Não, a vida pode ser mais leve, como um copo de suco gelado, irrepreensível diante de tardes de calor insanas. A vida merece mais, não menos. A vida merece muito, não pouco. Cansei de errar e chorar e chorar e chorar. Não meros erros casuais, surgidos da própria aventura de viver. Falo de erros gritantes, indesculpáveis, gigantes, erros repetitivos, que você comete com a mesma freqüência com que os Stones ainda tocam Satisfaction. Erros em looping sem fim. A vida merece muito. Eu mereço uma noite de sono tranqüila, uma noite de sono sem surpresas, uma noite de sono sem que os sonhos ruins apareçam inesperadamente e me façam acordar à beira do precípio, acordar desesperado, acordar surpreso por lembrar do erro. Surpreso e com medo. Muito medo. Este tipo de noite não é viável, não é saudável, não é nada mais do que puro lixo que eu recuso. Chega. Não quero mais. Quero um copo com água gelada e uma tarde de sol. Quero suspirar de alívio e prazer. Quero gozar e ser feliz. Será que isto é pedir muito? Será que isto é possível? Espero, do fundo do meu coração, que sim. É o que eu quero agora... definitivamente.

Portanto, te digo ADEUS...

Foi bom e tals, porém ADEUS..."


...

Ela baixou os olhos da carta que ele mandou e ficou em silêncio, ouvindo apenas as gotas de chuva espancando a janela naquela madrugada de verão.

Carta... porra, ninguém mais escreve estas merdas hoje em dia, porque ele precisava fazer isso? Escrever uma carta assim, em um papel todo amassado e ser tão cruel. Idiota – pensou, sem rumo.

Ela deixou o papel cair no chão e se encolheu toda no sofá. Chorou como uma pequena garotinha perdida. Chorou como uma adolescente apaixonada e perdida. Chorou como alguém que perdeu o verdadeiro amor. Para todo o sempre...


Um comentário:

Lorene disse...

...O teu blog também me apetece! me faz muito bem!