17.2.09

WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS

Hoje em dia, todos os meus amigos me detestam.

Todos.

Simplesmente todos.

Hoje em dia eu tenho certeza disso. E, na verdade, são amigos porque eu ainda assim os considero. Unilateral e solitariamente, ainda assim eu os considero. Mas, triste, eu sei que apenas eu ainda os considero. No meu pequeno e inchado coração, eles ainda são meus amigos. Recuso a aceitar o oposto. Recuso a reconhecer o contrário.

Simplesmente recuso.

E o que eu fiz de tão grave?

Tudo. Simplesmente tudo.

Cometi os piores erros que se pode cometer.

Menti, fraudei, trapaceei, não fui sincero, errei, não acertei, quis, não quis, fugi, corri, zombei, deixei na mão, enfim, fiz tudo aquilo que não se deve fazer com amigos. Nunca. Nunca, nunca e nunca. E, desta forma, por óbvio que todos, mas todos os meus amigos hoje me detestam.

Amigos reais, virtuais, imaginários, inimigos, enfim, todos e todos e todos. De todos os tipos, cores, formatos, sexos e maneiras. Cometi toda sorte de crime que se possa imaginar. Cometi todo tipo de erro que se pode imaginar. Fiz tantas besteiras que não existem estrelas capazes de representar.

Exagero? De certa forma.

Realidade? Com toda a certeza.

E, na verdade, errei aqui e acolá porque quis demais e fiz de menos. A noite nunca ajudou. A minha vida nunca ajudou. Porque confusão e erros se misturam. E a noite, ah, a noite é implacável com quem erra. Implacável. A noite não perdoa vagabundos que excedem os limites, canalhas que extrapolam, idiotas que fogem, covardes que se escondem, imbecis que erram.

Alines, Alices, Gláucias, Elisas, Marias, Gustavos, Pedros, enfim, todos os meus amigos sabem disso. Todos eles sabem disso. E, portanto, não é de se admirar que todos me detestem. Hoje e por muito tempo a contar de hoje.

- Amigos? – ele perguntou, ansioso.
- Não – ela respondeu, direta.

O silêncio invadiu todos os espaços da sala. Todos os espaços.

Ele virou e saiu. E não disse nada até sair, com as lágrimas escondidas.

A palavra mais cruel e sincera desde sempre: Não.

Apenas isso: NÃO.

- Medo? – ela perguntou.
- Sim. Medo. Muito medo – ele respondeu.
- Mas, medo do quê, exatamente? – ela insistiu.

Ele ficou em silêncio e nada respondeu. Nada respondeu.

Como uma criança psicodélica, achou engraçado por alguns instantes ter o poder de voltar no tempo.

O doce e dolorido poder de voltar no tempo.

E aprender a não errar...

Aprender a não errar...