4.5.06

A LUA QUE TESTEMUNHA A NOITE

- Vai, me fode...

Palavras soltas dentro de um quarto de hotel, o Hotel Varsóvia, num ar repleto de veludo, fumaça, álcool e cores modernistas. Dois corpos. Mixados, misturados, molhados. Dois corpos como um. Dois corpos como um. Nada mais clichê, nada mais real, nada casual. Os corpos estavam tão unidos e as peles não relutavam em se encostar. Definitivamente não relutavam;. A saliva escorria e percorria cada centímetro de cada corpo, cada centímetro de cada desejo, cada centímetro de cada centímetro. E as línguas, vermelhas e inchadas, eram apenas um beijo. Um único beijo molhado, um beijo melado, um beijo memorável. Um único beijo sem fim. Singular Molhado de vontade. Repleto de vontade.

- Vai, assim...

E a lua, testemunha, apenas boiava no céu como quase imóvel. Como quase inerte. Silente testemunha. A lua, cheia e redonda, apenas assistia àquela cena. Apenas assistia a uma cena de cinema. Cinema antigo, noir, erótico, pornô. Deliciosa película pornográfica. Delicioso espelho de selvagens e deliciosos desejos sexuais.

- Vai, me fode atrás...

E além do odor, do gosto, do estímulo, dos toques e de tudo, ainda havia os ruídos. Os ruídos de um quarto de hotel antigo. O Hotel Varsóvia.

Molas de um colchão fofo, cheirando a mofo e sexo. E sobre este colchão, dois corpos nus eram pílulas "e". E as mãos deslizavam suaves através de cada extensão de cada corpo. Os toques, os cabelos, o suor, os beijos, as línguas, os desejos, as vontades, os líquidos, os lençóis, as perversões, as paixões, os ruídos, tudo era delírio e sexo e gozo.

- Vai, vai...

...

E a lua foi, finalmente, liberada. A fumaça de um cigarro aceso e dois corpos cansados e exaustos estirados pelo carpete bordô permitiram à lua, redonda e gorda e cheia, prosseguir com sua viagem, em busca de outros casais tão apaixonados quanto aquele.

...

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