6.4.06

o post abaixo é apenas a continuação da estória anterior...

nunca continuei um posto no outro

quem sabe costurando todos, não sai uma grande estória, com começo, meio e fim...

beijos...
BABE, WE WERE BORN TO RUN...

...

E ela ficou ali, apenas vendo o seu amigo desaparecer entre o agito do Varsóvia.

Ao olhar o seu copo quase vazio de Mojito, percebeu um guardanapo amassado, com um número de telefone e uma frase: "Liga prá ele. Seja feliz. Uma única vez em toda a sua vida. Te amo.".

Ela sorriu e chorou ao mesmo tempo, enquanto pedia ao garçom mais uma bebida.

Pegou seu celular, trêmula e discou os números anotados no guardanapo.

Toques... Uma voz.

- Alô?
Ela mal conseguia respirar de medo e desejo - Alô.
Um breve silêncio e uma voz suave, doce, feliz - Ei, não acredito. É você! Que bom. Que bom.
Ela apenas sorriu e murmurou um sim tímido.
- Não acredito que ele te convenceu. Não acredito.
- É. Pode apostar que ele tem argumentos fortes para convencer os outros.
- Ah, não duvido. Não duvido mesmo. Que barulho é este? - ele perguntou.
- Ah, é o Varsóvia. Estou aqui esta noite.
- Sozinha? - ele pergunotu.
- Sim. As usual - ela brincou.
- Humpf. A vida gosta de mudanças. Mas você está certa de estar aí, curtindo. E resolveu ligar? - ele perguntou.
- Sim. Tomei decisões. Saca? Vontades.
- Que bom. E fico feliz pacas de saber que estou entre elas - ele arriscou.
- É. Está. De certa forma - ela respondeu.
- Escuta - ele disse - Você vai querer ficar por aí, ainda?
- Não sei - ela respondeu, nada convincente, louca por um convite, louca por descobertas.
- Tenho uma idéia boa. Muitas coisas para conversar.
- Que idéia? - ela perguntou, ansiosa, estranhamente feliz.
- Quer ver o mar? - ele disparou.
Ela sorriu da brincadeira - O mar? O mar? Agora?
- É.
- Mas estamos a quase uma hora da praia mais próxima e já são quase duas da manhã - ela disse.
- E daí? Você se importa? Tem compromisso?
- Bem, amanhã é sexta. Trabalho.
- Permita-me dar um foda-se por você? - ele brincou.
Ela sorriu, adorando a idéia.
- Vamos lá. Vai ser divertido. Unico, ao menos - ele insistiu.
Ela olhou para as pessoas ao redor e disse, insana - Vamos. Vamos sim..
- Genial. Te pego aí no Varsóvia em 20 minutos.
- Simples assim? - ela pergunotu.
- Simples assim - ele respondeu.
- Então tá.
- Beijos.
- Beijos.
- Vai ser maravilhoso - ele finalizou.
- Tenho certeza disso - ela respondeu.

E enquanto desligava o telefone e tomava mais um gole do seu Mojito, ela mal podia acreditar em tudo o que havia dito. Em tudo o que havia ouvido.

Pela primeira vez em toda a sua vida ela iria fazer algo realmente importante. Algo realmente divertido.

Pela primeira vez ela iria simplesmente ter uma noite sem roteiro, sem começo, meio ou fim. Ter uma noite. Apenas ter uma noite dedicada a tudo o que ela mais desejava sentir.

Honey, cause Tramps like us were born to run....

4.4.06

QUANTAS PORRADAS ATÉ VOCÊ ENTENDER?

- Você espera isso mesmo? - ela perguntou, toda sorrisos.
Ele a olhou de uma forma engraçada, quase humorística, apaixonada - Claro. Você não?
Ela acendeu mais um cigarro e pediu ao garçom do Clube Varsóvia que servisse outro Mojito - Adoro esta canção - respondeu, apontando para o DJ do Varsóvia, solitário e em transe na sua cabine.
Ele riu alto, pouco surpreso com a resposta.
- Rindo? Pareço ser engraçada? - ela emendou.
- Parece não, querida, você É engraçada - ele disparou - Engraçada prá caralho.
- Não sei porquê.
- Porque sim. É hilário ver como você foge e como você dribla e como você evita uma das coisas mais inevitáveis da vida.
- Pff... lá vem. Nem precisa me dizer o que é esta "coisa" tão inevitável. Poupe fôlego.
- Não? - ele perguntou, atiçando.
- Não - ela concluiu, enquanto o garçom servia o seu terceiro Mojito naquela noite.
- Tem certeza que sabe tanto assim?
- Querido, eu tenho certeza do que você vai dizer. Vai dizer aquelas besteiras e mentiras que o amor é lindo, o amor é belo, o amor é vida, o amor constrói, o amor o cacete. Nem vem. O que é inevitável mesmo é a frustração, o desespero, o medo, o fracasso, enfim, tudo o que se refere a fracassos amorosos. Não espere nada diferente de pessoas como eu. Especialistas em desilusão e afins.
- Mas eu não espero nada diferente de você.
- Não? - ela perguntou, surpresa.
- Não - ele disse, tranquilo.
- Então, que porra você está dizendo?
- Estou dizendo que você vai se comportar como todas as vezes. Como todas as malditas outras vezes que deu sorte de encontrar alguém. Vai ser tola, infantil, boba, otária, dramática, desesperada, neurótica, medrosa, enfim, vai ser apenas você mesmo.
Ela olhou furiosa para ele, como querendo esmurrá-lo por dizer tantas verdades em uma única maldita frase - A vida é minha. Por que você não vai se foder? - disparou.
Ele a ignorou e prosseguiu, insolente - O que eu espero é dele. Apenas dele. Tudo o que eu espero é que ele consiga te fazer enxergar. Que ele consiga que você seja, uma única vez, capaz de dar alguma chance para alguém que parece realmente gostar de você. Uma única maldita chance para uma única maldita pessoa. Uma única maldita vez.
Ela apenas escutava.
- Você parece sempre querer sofrer. Sempre querer estar no spot do drama. Uma patética estrela do drama. E o que eu espero é que ele consiga fazer você mudar este foco. Quer ser dramática? Louca? Insana? Então seja. Mas, por uma única vez, seja dramática por algo que valha a pena. Seja dramática por amor, por paixão, por tesão, por emoção, por vida.
Ela apenas escutava, brincando com seu celular.
- É óbvio que isto tudo é conversa de botequim. Conversa lugar-comum, conversa clichê. Mas, querida, amar é clichê. E, cá para nós, um clichê muito mais bonito do que o batidíssimo clichê das "mal-amadas". Por que caralhos você não pode ser feliz uma única vez?
Ela acendeu outro Marlboro.
- É apenas isso o que eu espero. Que ELE consiga ser feliz e, quem sabe, leve você junto com ele neste mundo tão desconhecido.
Ela olhou para ele com os olhos borrados, cheios de lágrimas e apertou suas mãos com força.
- Vou indo - ele disse, dando um abraço e um beijo forte nela.

Ela ficou ali, apenas vendo seu amigo desaparecer entre o agito do Varsóvia.

Ao olhar o seu copo quase vazio de Mojito, percebeu um guardanapo amassado, com um número de telefone e uma frase: "Liga prá ele. Seja feliz. Uma única vez em toda a sua vida. Te amo.".

Ela sorriu e chorou ao mesmo tempo, enquanto pedia ao garçom mais uma bebida.

E dali até o final da noite, ninguém mais entendeu o que uma garota tão bonita fazia, ao celular, enquanto todos se divertiam no meio de um clube noturno...