23.1.06

QUANDO A MELHOR OPÇÃO É ABRIR A JANELA E DEIXAR O CALOR SAIR...

E a noite estava quente. Muito quente. Tão fodidamente quente que ele mal conseguia pensar.

Mal conseguia pensar.

Mal conseguia pensar nos seus erros, mal conseguia pensar nos desejos, mal conseguia pensar em qualquer coisa que não fosse aquele maldito ar abafado, seco, sufocante e desesperador.

Mentira.

Grande mentira.

Uma mentira filha da puta.

Mais uma de suas mentiras.

Tão usuais e presentes na sua vida como a sua própria sombra. Mentiras tão presentes na sua vida como a nicotina, o ãlcool, os entorpecentes, a música e os erros.

Mentiras usuais e presentes.

Porra, e mesmo com todo aquele calor desesperador e cruel de Janeiro, óbvio que ele conseguia pensar direito em tudo o que havia feito, em todas as besteiras que havia dito e no grande erro que havia cometido. Mais um enorme erro dentro do infindável rol de besteiras que ilustrava sua vida.

- Você vai dizer apenas isto - ela perguntou, surpresa diante da porrada, surpresa diante da porrada verbal que havia tomado.
Ele ficou em silêncio e nada disse. Apenas concordou com a cabeça, como um idiota adolescente. Um idiota desarticulado e desvairado.
- Você é um imbecil, saca. Um tremendo imbecil. Um dos maiores imbecis que tive a infelicidade de conhecer. Um desgraçado e maldito imbecil que arruinou um bom pedaço da minha vida. E agora, cruel e sádico, vem e diz que tudo não passou de um grande erro. Um engano. Um engano. Um absoluto engano. Você é um tremendo de um filho da puta - vociferou, como se suas palavras fossem de estilhaços.
E foi embora para todo o sempre.


E depois de anos de beijos e transas e poesias e cartas de amor, certamente é por demais frustrante e decepcionante ouvir desta pessoa que foi - claro que foi - importante, que você é um tremendo de um filho da puta.

A imagem dela deixando o Clube Varsõvia e saindo apressada, deixando para trás as lágrimas e os seus cabelos cor de girassol, por um bom tempo marcará a lista de seus grandes erros.

Tudo porque ele teve medo.

Tudo porque ele teve muito medo.

Medo de ter medo e de mergulhar fundo demais.

Medo de ser um otãrio.

Medo de querer viver com a mesma pessoa pelo resto da sua vida.

Medo de ser uma pessoa normal.

Uma pessoa como todos nõs.

E enquanto estas cenas rodavam e rodavam a sua cabeça, como um torturante e penitente caleidoscõpio de dor e mea-culpas, ele lembrou o quão quente estava aquela noite.

Decidiu esquecer por um tempo, mas sem deixar o cerébro derreter.

Abriu a janela e deixou o vento entrar.

Ao menos de calor não iria morrer...

... apenas de dor.

Muita dor.

Como sempre!

16.1.06

HEY GLAU...

te disse parabéns??

e você, criadora do Varsóvia, precisava do conto abaixo.

e ele é todo seu...

beijos prá quem é de beijos
abraços prá quem é de abraços
O MELHOR DE UMA FESTA SURPRESA ENTRE DOIS AMIGOS (AMIGOS???)

- Então tá - ele disse, com sua sempre igual e adorável cara de cínico, que ela conhecia tão bem e há tanto.
- Então tá? Só isso? - ela perguntou, irritada diante dele. Irritada por sempre cair no papo dele. Irritada por gostar tanto e tanto e tanto dele. Irritada por ser AMIGA dele - Você esquece o meu aniversário, eu não aguento, reclamo com você, peço carinho e você apenas pede desculpas?
- Oras, o que mais você queria? - ele se defendeu, tentando ter a situação sob controle. Tentando parecer apenas ele.
- Talvez eu merecesse mais.
- E eu não te dou sempre mais? - ele perguntou, esboçando um sorriso e acendendo um cigarro - Vamos dançar?
Ela o olhou de forma inacreditável. Com um misto de surpresa e raiva, de amor e ódio, de fúria e decepção, de paixão e paixão.
Apenas balançou a cabeça.
- Porra, hoje é meu anivresário e você, além de esquecer, me traz aqui no Clube Varsóvia. Lugar nada especial.
- Pô - ele quase gritou - Como assim "lugar nada especial". Foi aqui que eu te conheci.
Ela sorriu com desdém, feliz com seu sarcasmo, feliz com sua ironia, feliz por ter acertado o alvo. Em cheio - É mesmo? Eu não lembrava.
Ele percebeu o descaso e apenas retribuiu o sorriso - Olha, deixa eu dizer uma coisa. Não foi à toa que eu te trouxe aqui.
Os olhos dele brilharam. Agora estava ansiosa - Não?
- Não. Deixa eu te dizer uma coisa.
- O quê? - ela perguntou, agora rápida e ansiosa.

Ele fez um sinal com a cabeça e o dj mandou uma canção antiga, uma balada, uma canção cheia de idas e vindas. Uma canção deles.

- Somos amigos ou não? - ele perguntou.
Ela sorriu com a cabeça - Somos né?

Quando a gente conversa / Contando casos, besteiras

- Eu quero mais que isso.

Tanta coisa em comum / Deixando escapar segredos

Ela o encarou de uma forma surpresa - Como? Não entendi.

E eu não sei que hora dizer / Me dá um medo

- Porque você não ouve de vez em quando?

que medo

Ela levou a mão a boca, tentando disfarçar o sorriso, tentando disfarçar a alegria, tentando mostrar o amor e conter as lágrimas - Não estou entendendo - ela disse, não querendo acreditar.

Eu preciso dizer que eu te amo / Te ganhar ou perder sem engano

- Eu te amo, porra!

Eu preciso dizer que eu te amo

E o beijo que a pista presenciou foi absolutamente lindo, lindo, lindo. Dois amigos, uma história de amor. Um empurrãozinho para a confissão, o medo deixado de lado.

...tanto

E eu, pobre diabo, assisti naquela noite a tudo isso, largado no balcão do Clube Varsóvia, tomando minha vodka gelada e vagabunda e fumando meus Marlboros nada light.

E sorri como um tolo, feliz por, novamente, presenciar o amor, em sua mais simples e ingênua forma, porém a mais verdadeira...

... e agora não posso deixar de contar a vocês que o amor ainda existe...

... sorte nossa...

... toda nossa!

12.1.06

APENAS UM FECHO...

Pele com pele. Lábios com lábios. Toques com toques.

Apenas um fecho entre os colos...

Toques, dedos, texturas, sonhos, desejos, vontades, cheiros, pele.

Pele com pele. Lábios com lábios. Toques com toques.

Apenas um dedo entre os sexos...

Dedos macios, dedos suaves, dedos sutis, dedos, bocas, beijos, desejos.

Pele com pele. Lábios com lábios. Toques com toques.

Apenas um segundo entre os gostos...

E os gostos e os lábios pareciam querer ser um só. Surgidos da mesma saliva. Da mesma fonte, fonte de distintas nascentes.

E o peito parecia querer explodir. Explodir e surgir para brigar com a respiração ofegante, trêmula, insana, apaixonada. Escola de samba ritmada. Fogos de artificío ensurdecedores.

E o peito parecia querer apenas surgir. Bronzear sob a luz do luar. Bronzear sob a luz amarela do luar. Linda. Dos amantes.

Corpos unidos.

Beijos e toques e dedos e pele.

Apenas um fecho...

Os vidros do carro eram estilhaços de imagens, estilhaços repletos de desenhos e figuras distorcidas pelo ar embaçado.

Imagens de dois jovens apaixonados.

Pele com pele. Lábios com Lábios. Dedos com dedos.

Olhares trêmulos.

Ela estava quase despida, quase nua, quase em transe, porém TODA tesão, toda molhada, toda excitação.

Ele estava quase vestido, quase louco, quase em transe, porém TODO tesão, todo duro, todo excitação. Seus dedos a um clique de tudo.

A um clique dos seios.

Apenas um fecho...

Nada mais quando ele o abriu...

... apenas os seus seios...

apenas os seus seios e os desejos loucos de dois jovens apaixonados...

apenas um fecho...

11.1.06

EY, EU VOLTEI...

e queria dizer que estou CHEIO de idéias e feliz.

e com vontade de agradecer e desejar um FELIZ 2006 A TODOS

see you...