16.11.05

JUST LIKE HONEY

Garrafas geladas de tinto chileno não aliviavam muito aquela altura da madrugada.
Hmmmm ajudavam, claro, mas não aliviavam. Não da forma como ela queria. Não da forma como ela, definitivamente, gostaria.
Apenas o desespero ecoava na noite escura.
E como as garrafas geladas de tinto chileno, nem os cigarros, as pílulas coloridas, as pastilhas acidas, ou mesmo as canções de Jesus and Mary Chain, podiam aliviar alguma coisa.
Não àquela altura da madrugada veloz.
Não àquela altura da madrugada voraz.

just like honey / just like honey

Enfim, nada acalmava os ânimos, as vontades, o suor.
Nem mel em alto teor etílico.
Apenas sonhos em estados criogênicos.
Sonhos congelados esperando viver.
The living dead strikes again.
E enquanto isso, nos seus fones de ouvido

just like honey / just like honey

Porém, nada aliviava o seu corpo da forma como poderia ser.
Da forma como, caralho, deveria ser!
E o pior é que as madrugadas quentes são as que mais sufocam, as que mais ardem, as que mais despertam o desejo, a gula, a vontade, a sede, o pecado.
As madrugadas quentes são devastadoras.
E cruéis.
Insanas.
E absurdas.
Devastadoras.
E enlouquecedoras.

just like honey... just like honey

As janelas abertas não trazem ar refrescante.
As janelas abertas permitem à luz do luar, malvada, invadir e tornar o ambiente ainda mais quente.
Ainda mais demoníaco.
E após garrafas geladas de tinto chileno, nada como dormir e não sonhar...
Nada como dormir e não sonhar...

just like honey / just like honey

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