6.10.05

O ENÉSIMO COMEÇO

- Não, eu não sei, definitivamente eu não sei - ela disse relaxada, inteira feliz.
- Tem certeza que não? - ele respondeu, provocante.
- Eu realmente não sei porque você diz isso. Porque diz que gosta de mim. Porque me dá tanta alegria, porque quer tanto e sempre me fazer feliz. Eu não sei. E eu não entendo as suas razões, sabe? Juro que eu não entendo.
- Nem eu as suas. Não entendo tanto pessimismo e tanta vontade por dias cinzas. Você pode me fazer feliz. É só isso o que eu quero. É muito? - ele sorriu.
Ela o encarou com surpresa - Preciso mesmo explicar? Preciso mesmo sempre explicar porque tenho tanto medo?
- Você é quem me diz.
- Não vou dizer. Desta vez não. Não quero. Não quero. Vou apenas viver.
- Sabe que eu prefiro assim? Nada de medos, nada de dramas. Apenas nós e o que sentimos. Prefiro apenas o teu silêncio e este brilho lindo nos teus olhos.
- Te dá prazer né? Me ter desta forma.
- Claro que dá. Você nem imagina o quanto. Me dá um beijo. Agora.

E assim que eles se beijaram, ela gritou e vibrou por dentro com aquela felicidade da paixão que ela adorava. Deixou o medo escondido em alguma gaveta bem trancada. Assim que seus lábios se molharam, ela percebeu que talvez a sua vida não precisasse ser sempre um remake do mesmo filme.

Aquele estranho e dolorido filme de amores perdidos e corações no chão.

O que ela mais queria era um final feliz.

A certeza de um final feliz.

pobre garota amedrontada...

feliz garota apaixonada...

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