9.9.05

À LUZ AZUL DO MONITOR

Chovia horrores naquela madrugada.

No apartamento, repleto de cinzeiros sujos e cds espalhados, apenas ela e a escuridão e a luz azul fantasmagórica que brotava do monitor do seu computador.

Caralho, isto é apenas um computador, não é real - ela resmungou alto, enquanto lia, atenta e excitada, as palavras que surgiam á sua frente.

Pura insanidade.

- Então, você não me disse o que está vestindo - ele escreveu, esperto, na sua vez de responder àquele chat.
Ela pensou e respondeu, trêmula - Apenas uma camiseta de banda e uma calcinha velha, de dormir. Saca? Aquelas mais gostosas para ficar em casa em noites de chuva .

Ela esperou ansiosa a próxima mensagem.

- Camiseta de banda? Qual banda? - finalmente ele perguntou.
Ela olhou para a camiseta e não acreditou que iria responder a verdade - Motörhead. Era do meu irmão.
- Mas aposto que fica muito melhor em você. Aposto mesmo.

Ela sorriu com o elogio barato e delicioso.
Ele prosseguiu - E a outra peça?

Ela sentiu o estômago apertado, quase na garganta - A calcinha? O que tem a calcinha? É de ficar em casa. Gostosa para isso .
Ele foi rápido - Não é isso que quero saber - jogou, cruel.
- O que quer saber?
- Molhada?
Ela gemeu baixo ao ler as palavras na tela do seu computador. Agora mal conseguia escrever. Só os seus Marlboros a faziam tocar os pés no chão.
- Muito - confessou.

Ele esperou para responder, o suficiente para fazê-la acariciar os seus próprios seios.

- Adoro - ele, finalmente, escreveu.
- Lingeries molhadas? - ela arriscou, provocando.
- Não. Camisetas do Motörhead hahahahaha.
Ela sorriu, aliviando a tensão.
- Na verdade - ele continuou - Adoro é vê-la deste jeito.
- Transtornada? - ela arriscou.
- Não. Excitada. Quase nua, querendo se tocar.
Ela não resistiu e finalmente alcançou o que queria, completamente molhada. Nada respondeu.
- Amanhã nos falamos - ele disse, ainda mais cruel - Melhor pararmos por aqui.
- Tá - ela mal respondeu.
- Boa noite. Dorme bem.
- Você também.

E ela nem se preocupou em desligar o monitor. Ainda lendo aquelas palavras, se ajeitou na cadeira e abriu suas pernas trêmulas. Tirou o pouco que vestia e se tocou e se tocou e se tocou, molhada e excitada.

Chovia horrores ainda no começo da manhã.

No apartamento, cinzeiros sujos e cds espalhados dividiam espaço com camiseta de banda atirada pelo chão.

E ela dormia no sofá. Cansada, exausta e com um sorriso satisfeito nos lábios.

Completamente satisfeito.

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