25.2.05

E QUEM QUER SER AUDREY HEPBURN?

- A "minha" Audrey Hepburn - ele disse a ela com um sorriso, enquanto saíam do cinema e momentos antes de beijarem-se com amor. Muito amor.

...

E, tempos depois, em uma noite qualquer, o mais assustador não era o escuro do céu, nem a chuva que desabava pesada e cheia de raiva e cheia de risos, e nem tampouco os trovões que explodiam de minutos em minutos em um brilho de luz negra sinistro, sádico, ilustrativo de todo o seu poder devastador.

E o mais assustador naquela noite qualquer de chuva e tempestade, não era os pobres diabos mortais que vagavam de bar em bar, de corpo em corpo, de cigarro em cigarro, de batom em batom, de banheiro em banheiro, de latrina em latrina, durante toda a madrugada, apenas buscando um refúgio sobressalente e adicional à vida.

O mais assustador naquilo tudo, naquele quadro de madrugada barata, de madrugada perversa, de madrugada perdida, naquele cenário de vazio e desespero e medo e solidão, era que ela estava pouco se importando com qualquer coisa que não fosse o seu baseado babado e melado de saliva e sua tequila pobre e podre.

O mais devastador era que ela permanecia sentada em um lugar qualquer daquele boteco encardido e imundo, alheia a tudo, apenas fumando e bebendo e pouco se importando com a tempestade que açoitava a noite, com os bêbados que maltratavam os fígados, com as putas que vilipendiavam os corpos, com as drogas que iludiam as vidas e com os cheiros que azedavam as esquinas.

Tudo o que ela queria além das drogas e do álcool naquela merda de noite, era difícil demais. Dolorido demais. Insuportável demais.

Tudo o que ela queria era esquecer que, um dia, já foi Audrey Hepburn.

... apenas isso e os créditos finais.

21.2.05

DESEQUILÍBRIO OU DESENCONTRO?

Talvez o que ela mais queira é apenas um pouco de paz, tranqülidade, carinho e amor.

É pedir muito?

Talvez o que ele mais queira é apenas um pouco de paz, tranqüilidade, carinho e amor.

É pedir muito?

Talvez eles precisem apenas se encontrar em uma esquina, em um bar, boteco, em uma balada, em uma noite, em um encontro.

Ao acaso, uma brincadeira do amor.

E este momento pode acontecer a qualquer momento. Agora, daqui a pouco, daqui a duas horas, dois dias, dois anos.

E tenham certeza que é pedir muito, nesta hora, para que eles percebam.

Que eles percebam o seu momento ideal.

Pedir muito?

É, mas não custa sonhar...

15.2.05

blog novo...

eu e a querida lalyil estamos escrevendo nossos contos em outro endereço...

aqui: no VENUS IN FURS

fetiches, desejos, sonhos, enfim, coisas boas...

espero que gostem...

MAS O VARSÓVIA CONTINUA AQUI... (pelo menos por enquanto hehehehe)
CANÇÃO DO AMOR ADOLESCENTE

- Faz uma canção de amor para mim? - ela pediu, enquanto ele brincava com o piano.
Ele sorriu apenas com o olhar - ele adorava fazer isso - e ficou em silêncio.
- Faz? - ela insistiu, sentando ao seu lado no banquinho ruivo do piano.

Ele desviou o olhar daquela garota linda sentada ao seu lado e encarou o instrumento à sua frente. Começou a dedilhar alguns acordes, a brincar com as teclas.

Brancas, pretas, pretas, brancas, todas as teclas do piano.

Seus dedos finos, suaves, firmes e marcantes iam e vinham, como num toque de seda.

Ele interrompeu a brincadeira, antes que o conjunto virasse canção.

Ela olhou para ele meio surpresa, meio divertida - Estava lindo. Não quer? - perguntou, alisando os cabelos longos e pretos dele.
- A canção já está feita - ele respondeu - Basta olhar para nós neste exato momento. Não é uma bela canção de amor?

Um puta beijo foi o grande acorde final...

10.2.05

COMEÇO DE FESTA

Ela estava feliz. Toda feliz. Exceto ela e sua tequila, não havia mais ninguém na pista do Clube Varsóvia. Nenhum cliente, apenas os garçons que arrumavam, lentamente, o ambiente. Ela estava feliz. Toda feliz. O sol ameaçava nascer por entre as frestas da janela, mas ela nem pensava em ir para casa. Era apenas sorriso.

- Gostou da festa, querida? - perguntou Justo, um moreno alto, forte, antigo garçom do Varsóvia e seu amigo de longa data - Foi um dos melhores aniversários do Varsóvia.
Ela sorriu grande, mostrando os dentes perfeitos sem nem tentar esconder toda a sua felicidade.
- Fico muito contente - emendou Justo - Você merece. Foi um sucesso a noite. Foi um sucesso. Pena que já acabou.
Ela fez um sinal negativo com a cabeça, enquanto virava o último gole da tequila - Não Justo, de forma alguma, está tudo apenas começando. Tudo começando.
Ele sorriu e disse, verdadeiramente feliz e moleque - É mesmo. Eu bem vi vocês dois juntinhos, juntinhos.
Ela deu uma gargalhada e despediu-se do amigo com um forte abraço.
Saiu do Varsóvia não como entrou no começo da noite.

Saiu com menos batom, com menos perfume, com mais idade, porém muito mais feliz e com um coração pulando de paixão.

Como num conto de amor... como num conto de amor...

E a canção não saía de sua cabeça - minha mente não esquece você / minha mente não esquece você / até eu encontrar um novo alguém

Ela sorriu por já ter encontrado...