29.10.04

I CAN´T IMAGINE THE WORLD WITHOUT ME

- Então é isso? – ele perguntou, com um puta sorriso no rosto. Lindo. E como era lindo o seu rosto. Well, lindo de acordo com os pensamentos dela.
- Isso o quê? – ela retrucou, cínica.
- Isso, oras. Você vem, me atropela com o seu charme, me destrói com esses seus olhos maravilhosos, olhos grandes e brilhantes, com essas unhas vivas, vermelhas, divinas, com essa garrafa de champanhe..
- ... e litros de tequila – ela interrompeu.
- Isso – ele gargalhou – Copos e litros de tequila, olhos maravilhosos, charme inevitável, enfim, você me desarma com tudo isso e me deixa aqui nesta cama, nu total, sentindo apenas o delicioso calor do seu corpo gostoso e não vai me dizer mais nada? Não vai querer ficar comigo? Não vai querer voltar?
Ela cobriu com o lençol os seus seios pequenos e macios e suaves e tão tocados naquela noite e o olhou bem atenta, sem nada dizer.
- Não? – ele insistiu.

Enquanto apreciava aquele menino lindo ao seu lado, ela pensou em tudo o que havia sido feito nas últimas horas. Jogos, charme, provocações, beijos, decotes, saliva, dedos intrusos, suor, batom, sexo e sexo e sexo e amor e amor e amor. Ela pensou em todas as coisas ao mesmo tempo e deu um sorriso de alívio. Estava feliz.

- Está rindo de mim? – ele perguntou, enquanto fazia um carinho suave nos cabelos desarrumados daquela linda garota.
- Claro que não. Claro que não. Estou feliz. Apenas isso.
- Por nós?

Ela se levantou e foi até a pequena escrivaninha que havia no canto esquerdo do quarto, pegar um Marlboro.

Enquanto ela acendia o seu cigarro, ele permaneceu como que enfeitiçado, apenas olhando o corpo delicioso e perfeito e querendo saber porque motivo tinha aprontado tantas merdas com aquela garota.

- Sabe – ela disse, sem olhar para ele – talvez todas as coisas boas que passamos, mereçam ficar como a noite de hoje. Inesquecíveis e intocáveis em nossas memórias.

Ele deitou a cabeça sobre o travesseiro dela, adorando sentir o seu perfume e apenas disse, meio triste, meio perdido – Não consigo imaginar a porra deste mundo sem nós.

Ela deu uma tragada e apenas pensou, feliz, muito feliz – Exatamente esta a diferença, meu querido. Exatamente esta. Eu não consigo imaginar a porra deste mundo sem mim.


24.10.04

A LUA FLUTUA...

Nada pode ser tão belo a ponto de ser confundido com a lua. Nada. Coisa alguma nesta porra de planeta, neste universo tão grande e tão fodido, pode ser tão belo, tão maravilhoso, tão soberbo, tão divino, tão diferente, tão mágico, tão sublime, tão intrigante, tão suspeito como a lua. Cheia, minguante, nova ou crescente. Pouco importa. A lua é a inspiração dos amantes, a motivação dos suicidas, a desculpa dos bêbados, a testemunha dos homicidas. A lua é bela, é amarela, é grande, é eterna, é estranha, é quieta. Serena. Tão bela. A lua é o que não podemos tocar. A lua é o que queremos tocar. A lua é como o amor da garota pela garota. Inatingível e marcante. Sensível e intrigante. A lua é a minha companhia esta noite.

Ainda bem...
E QUEM VAI OLHAR PARA TRÁS? VOCÊ?

- Então, vamos fazer o seguinte... – ela disse, escolhendo com muito cuidado as suas próximas palavras – ... você me diz adeus de uma forma educada, fina, com muito carinho e gentileza e eu, otária e idiota, saio por esta maldita porta e nunca mais passo perto da sua vida. Combinado?
Ele socou o ar, impaciente e impotente, como se falasse aramaico, como se falasse uma língua própria e gritou - Você não entende ou não quer entender?
Ela apenas o observou, triste, e saiu pela porta da sala.

Sem olhar para trás... sem olhar...

15.10.04

ANA, ALICE E A CHUVA

- Vai chover – Alice disse, olhando para o céu cinza e frio.
- Tem razão – respondeu Ana – Está muito cinza hoje.
- É bom. Faz tanto tempo que não chove, não? E a minha avó sempre dizia que a água da chuva é a melhor para limpar os cantos sujos da casa e da vida.
Ana sorriu, confortável com o comentário familiar de Alice, feliz por tê-la por perto, sua melhor amiga de tantos anos, de tantas drogas, de tantas viagens, porradas, amores perdidos, enfim, de tudo o que apenas um melhor amigo pode ser, ver, sentir – Mas pelo menos a chuva pode esperar chegarmos em casa, não? É uma boa caminhada desta praia até lá.
- Ah, Ana, deixa disso, e desde quando você derrete com a chuva? Que se foda. Vai ser até bom. O dilúvio vai ajudar os pecadores e, principalmente, evaporar essa pinga da minha cabeça – gargalhou.
- Vamos, então? – insistiu Ana.
Saltando com rapidez da areia quase gelada, Alice concordou – Vamos, vamos, mas me deixa ir fumando – pediu.
- Você e esta merda dos seus cigarros – reclamou Ana, enquanto abria a bolsa de praia e pegava um Marlboro para a amiga - Você devia parar com isso, sabe? Seria bom. Bem bom.
- Não começa Ana, please. Este papo de novo, não. Não hoje. Quando der eu paro de fumar. Quando der.
- E isso nunca vai acontecer, né? Quer dizer, pelo menos nos próximos vinte ou trinta anos. Mas, relaxa, ainda assim eu gosto de você – amenizou Ana, enquanto abraçava a amiga – E me diz uma coisa – aproveitou – Você vai ligar para ele? – perguntou, com receio.
Alice fez que não entendeu, irônica – Ele quem?
- O Edu.
- Edu? Edu? Edu? – repetiu, tentando parecer engraçada – Não me lembro de nenhum Edu.
- Tá bem, tá bem. Depois, quando você quiser, falamos a respeito. Não precisa ser agora.
- Pode não ser nunca, Ana? – pediu, triste, Alice.

Ana ficou quieta e deu um abraço mais do que carinhoso em Alice.

Pensou que a chuva podia começar a desabar naquele exato momento.

Assim as lágrimas da sua melhor amiga neste mundo, ficariam escondidas...apenas escondidas...


11.10.04

SEXY CHUVA

Os vidros estavam embaçados demais, completamente turvos, formando uma redoma protetora, um campo de força, uma película invisível, enfim, um mundo à parte, descolado do nosso, para ele e para ela.

Os vidros estavam embaçados demais e era praticamente impossível, de dentro, enxergar as gordas gotas de chuva que desabavam sobre aquele carro parado.

E eles se importavam com isto?

Claro que não...

A chuva gelada e congelada sofria um nocaute técnico quando em contato com o calor que emanava do veículo.

O ar estava quente. Quente demais.

Quente por beijos, por toques, por carinhos, dedos molhados, por lábios mordidos, peitos suados, corpos aquecidos, línguas, cheiros, bocas, desejos, roupas, falta de roupas, por arrepios.

Eles se beijavam como se a chuva não fosse acabar. Como se o mundo fosse explodir, como se a lua fosse gritar, como se a noite pudesse sentir.

Ela, molhada. Ele, também.

A pele era uma só.

Um doce aroma de despudor e delícia impregnava seus corpos.

Ele sorria.

Ela também.

O amor estava no ar.

Os vidros estavam embaçados demais para que qualquer ser humano pudesse perceber isso. Perceber o quanto eles se amavam... o quanto eles se amavam...




INSISTINDO EM SER TRISTE

- É muito mais difícil escrever sobre a alegria do que sobre a tristeza, você não acha? – ela perguntou, parecendo preocupada.
Ele a observou por alguns instantes e disse, tranqüilo – Não tenho dúvidas sobre isso. A tristeza é muito mais simples de ser transformada em palavras, em descrições, enfim, é muito mais simples de ser transformada em cenários do que a alegria. A alegria talvez não inspire tanto. Não renda tantos frutos nestas nossas cabeças confusas.
- Então, é exatamente por isto que eu escrevo tanto sobre a tristeza. Por ser mais fácil. Quero as coisas mais fáceis para mim.
Ele a encarou com desaprovação e disse, baixo – Ué... – ele questionou – Deu para ser covarde agora?
- Eu? Covarde? – ela retrucou – Talvez. Você vê algum problema nisso? Algum problema em querer evitar problemas?
- Claro que vejo, minha querida, claro que vejo. Você é maior do que estas lágrimas e esta choradeira e esta merda toda. Você insiste em chorar e chorar e chorar. Já percebeu? Isso enche o saco, sabe? Enche muito o saco. Você é bem maior do que isto tudo, bem maior. Mas não, você insiste em não enxergar isto, insiste em ser triste, insiste em parecer sofrida, amarga, desinteressante, cansada. Não existe um limite para tanta auto-piedade? Será que vou ter escutar isto pelo resto dos meus dias?
Ela pareceu chocada diante de tanta sinceridade e suas pequenas mãos começaram a tremer, enquanto ela acendia um cigarro. O último do maço – Você não pode estar falando sério. Definitivamente. Há quantos anos me conhece? Quantos?
- O suficiente para entender tudo isso. O suficiente para te entender.
- Cara, não seja canalha comigo, por favor. Você pode ser tudo, mas canalha, não. Por favor. Não sei como alguém pode ter prazer em ser da forma como você me descreveu. Não mesmo – ela sentenciou -Tudo o que eu quero são sorrisos e manhãs de sol, não o contrário. Há algo errado com isso?
Ele a encarou no fundo dos seus olhos, bem no fundo dos seus olhos e quase gritou - É o que você busca? É o que você busca? Sorrisos e manhãs de sol?
- Melhor pedir a conta – ela sussurrou, enquanto pensava e curtia o seu último cigarro, tentando descobrir como aquele maldito à sua frente sabia tão bem sobre sua alma.

4.10.04

SANGUE COLORIDO

O gosto de sangue nos seus lábios era tão forte que parecia um vinho ruim. Detergente.

O cheiro de cigarros baratos e sujos no ar era tão denso que parecia sufocar. Azedo.

O medo era tão evidente que fazia mais do que assustar. Suor.

Talvez de todas as coisas surpreendentes que ele viveu, a que mais o assustou foi, sem dúvida, toda aquela cena ocorrida na madrugada de inverno.

Tapas na cara dados de forma verbal.

Rasgos na carne provocados por palavras certeiras.

Arranhões profundos causados por olhares raivosos.

Ferimentos, ferimentos, ferimentos.

O gosto de sangue nos seus lábios era tão forte que parecia real.

O amor estava desfeito.

Sem primaveras para poder ressurgir.

Fênix? Ora, quem disse que lendas são reais? Quem disse?

... com certeza um idiota ferido e apaixonado, ferido e enlouquecido, ferido...muito ferido.


1.10.04

PEQUENOS DIÁLOGOS II

- Há algo que eu ainda possa fazer? - ele perguntou, sem jeito.
- Pode sim - ela respondeu.
Os olhos do garoto ficaram ansiosos, esperando uma resposta
- Vá se foder. Suma daqui e da minha vida e nunca mais me ligue, se possível.

Ele não se defendeu. Apenas chorou.

Lágrimas tristes em madrugadas de inverno.

Pobre idiota...
TROCANDO SORRISOS POR BEIJOS NA BOCA

- O que você quer de mim? – ele perguntou, calmo e com um sorriso sereno.
Ela apenas sorriu de volta, sem nada dizer.
- Não vai me responder? Ou não quer me responder? – ele insistiu, brincando de jogar.
- Talvez não, talvez sim. Será que precisamos deste tipo de resposta? Será que realmente precisamos ter este tipo de certeza? – ela devolveu a pergunta.
- Não sei. Apenas quero saber se realmente vale a pena estarmos aqui, no Varsóvia, a esta hora da noite, trocando olhares e mensagens subliminares de amor – ele disse – Apenas isso.
- Mensagens subliminares de amor? – ela repetiu, surpresa.
Ele apenas assentiu com a cabeça, balançando suavemente os seus longos cabelos coloridos, tornando-o, por um breve momento, o homem mais charmoso do universo.
- Subliminares? – ela perguntou, mais uma vez – Subliminares? Será que você ainda não percebeu que a coisa que mais quero na vida é estar com você? – ela escancarou.
Ele sentiu seu rosto queimar e o suor brotar em sua testa. Sem jeito, disse – Então é neste momento que o mocinho beija a menina e tudo acaba bem?
Ela segurou em sua mão e respondeu – É neste momento que o mocinho beija a menina. Se tudo vai acabar bem? Well, isso depende de quem?
- Pouco importa – ele respondeu, enquanto se aproximava daquela linda menina ruiva, para um dos beijos mais suaves e apaixonados de todos os seus dezenove anos.