21.9.04

NOITES SEM BEIJOS

Um beijo. Apenas um beijo.

Gostoso, afetuoso, molhado, sedutor, quente, úmido, apaixonado, enfim, um puta beijo.

Um beijo, com amor ou sem. Era tudo o que ela mais queria naquela noite de lua e de estrela.

E enquanto tomava o seu ácido e olhava para o céu, ela pôde perceber como o terraço solitário daquele prédio cinza e velho era acolhedor.

Acolhedor como as mãos daquele cara que ela não tinha.

A cidade não descansava debaixo do seu olhar severo e magoado. As buzinas gritavam por amores urgentes, amores perdidos, amores carentes, amores desfeitos, amores satisfeitos, por amores inexistentes, por amores, apenas por amores e ela sorriu ao perceber que ninguém sacava o mesmo.

Poucos têm este dom – ela pensou – O dom divino e maravilhoso de perceber o amor.

E ela lembrou do sorriso lindo e charmoso daquele menino besta que havia lhe dado tchau.

Ao invés de chorar, ela sorriu.

Coisas de noites de lua cheia. Coisas de noites de lua cheia.



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