27.8.04

DROPS COLORIDOS

Amarelo, verde, azul, pistache, barbante, vermelho, branco, marinho, bordô, lilás, bege, violeta, todas as cores. Todas as cores. Ela estava entediada, brincando de comer suas balas doces, suas balas coloridas. Ela estava cansada, de saco cheio, querendo que os seus drops fossem tudo aquilo que ela mais queria.

Ao menos naquele momento. Naquela madrugada abafada, quente, suada.

Ela o queria de volta, mesmo sabendo, no entanto, que jamais daria certo.

Não por falta de vontade. Não por falta de tesão. Apenas por falta de ... algo mais?

E ela estava perdida entre os seus pensamentos, brincando com o baleiro de alumínio, presente da sua mãe.

Depois de algumas pastilhas, ela sorriu feliz.

Pouco importava se eles iam dar certo ou não. Pouco importava se ela estava sozinha naquela madrugada abafada, quente e suada.

Ela seria feliz. Isto já estava decidido.

Ela merecia isso.

E no outro canto da cidade, sem nem a conhecer (ainda), ele dirigia o seu carro a toda velocidade nas pistas vazias da madrugada, ouvindo Iggy Pop no rádio e esperando por todo o amor que um dia ainda iria encontrar.

Eles mal sabiam das próprias vidas.

A imprevisibilidade de nossas vidas é tão adorável, tão mágica... sempre... assim como as cores das balas embrulhadas.

Adorável surpresa nas palmas das mãos.



POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(CANDY - IGGY POP)


It’s a rainy afternoon
In 1990
The big city geez it’s been 20 years-
Candy-you were so fine

Beautiful beautiful
Girl from the north
You burned my heart
With a flickering torch
I had a dream that no one else could see
You gave me love for free

Candy, candy , candy I can’t let you go
All my life you’re haunting me
I loved you so

Candy, candy , candy I can’t let you go
Life is crazy
Candy baby

Yeah, well it hurt me real bad when you left
I’m glad you got out
But I miss you
I’ve had a hole in my heart
For so long
I’ve learned to fake it and
Just smile along

Down on the street
Those men are all the same
I need a love
Not games
Not games

Candy, candy, candy I can’t let you go
All my life you’re haunting me
I loved you so
Candy, candy , candy I can’t let you go
Life is crazy
I know baby
Candy baby

Uou uou uou
Candy, candy, candy I can’t let you go
All my life you’re haunting me
I loved you so

Candy candy candy
Life is crazy
Candy baby

Candy baby,
Candy, candy
"

AMORES (NA SEÇÃO DE ACHADOS E PERDIDOS)

Clube Varsóvia, mesa 01. Madrugada de terça.

- Odeio isto, sabia? – ela desabafou no Clube Varsóvia, enquanto virava por entre os seus lábios doces e suaves, um copo de algum destilado forte.
- Odeia o quê? Falei algo errado? – ele perguntou, quase assustado.
- Cara, você é surpreendente mesmo, mas eu odeio, odeio, odeio, simplesmente odeio isto – ela quase gritou.
Ele ficou intimidado, querendo apenas entender – Fiz bobagem?
Ela ignorou - Odeio a forma como você me encontrou, me entendeu, me fodeu, me amou, me descobriu. Absolutamente odeio a forma como você invadiu o meu mundo e fez com que eu me tornasse apenas louca e completamente apaixonada por você. Odeio isto. Odeio estar completamente louca por você.
- O que eu posso fazer? – ele disse, meio cool, meio sonso.
Ela encarou os seus maravilhosos olhos pretos e murmurou – Nada porra. Faça apenas o que já está fazendo, mas não me machuque. E venha perto agora e me dê um beijo espetacular. Cena de cinema.

...
I never dreamed that I’d love somebody like you
I never dreamed that I’d lose somebody like you

...

Clube Varsóvia, mesa 17. Madrugada de terça.

- Odeio isto, sabia? – ela desabafou no Clube Varsóvia, enquanto virava por entre os seus lábios amargos, um copo de algum destilado forte.
- O quê? Falei algo errado? – ele perguntou, completamente assustado.
Ela olhou com rancor - Eu odeio, odeio, odeio, simplesmente odeio isto – ela gritou.
Ele ficou intimidado, já havia entendido.
- Odeio a forma como você me encontrou, me entendeu, me fodeu, me amou, me descobriu. Absolutamente odeio a forma como você invadiu o meu mundo e fez com que eu me tornasse apenas louca e completamente apaixonada por você. Odeio isto. Odeio ainda estar completamente louca por você.
- O que eu posso fazer? – ele disse, babaca.
Ela encarou os seus maravilhosos olhos pretos e murmurou, triste e zangada – Nada porra. Apenas suma da minha vida, definitivamente. Me deixe em paz. Cena de cinema.

...
No I don’t wanna fall in love
[this love is only gonna break your heart]

...

Curioso como uma mesma canção pode servir de trilha sonora para situações opostas. Curioso.



POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(WICKED GAME - CHRIS ISAAK)


"The world was on fire
No one could save me but you.
Strange what desire will make foolish people do
I never dreamed that I’d meet somebody like you
And I never dreamed that I’d lose somebody like you

No, I don’t want to fall in love
[this love is only gonna break your heart]
No, I don’t want to fall in love
[this love is only gonna break your heart]
With you
With you

What a wicked game you play
To make me feel this way
What a wicked thing to do
To let me dream of you
What a wicked thing to say
You never felt this way
What a wicked thing to do
To make me dream of you
V and I don’t wanna fall in love
[this love is only gonna break your heart]
And I don’t want to fall in love
[this love is only gonna break your heart]

{world} was on fire
No one could save me but you
Strange what desire will make foolish people do
I never dreamed that I’d love somebody like you
I never dreamed that I’d lose somebody like you

No I don’t wanna fall in love
[this love is only gonna break your heart
No I don’t wanna fall in love
[this love is only gonna break your heart]
With you
With you

Nobody loves no one
"

ESTAREI AUSENTE POR ALGUNS DIAS...

VOLTO LOGO. PEÇO DESCULPAS A MIL E-MAILS QUE NÃO RESPONDI. EM SETEMBRO VOLTO E RESPONDO.

I AM SO SORRY

AMO TODOS E ADOREI O TEMPLATE!!!

23.8.04

POSSO VOLTAR A ESCREVER?

EM MADRUGADAS QUENTES COMO ESSA...
NA MADRUGADA,AS LUZES SÃO TÃO FRACAS

Ele tocava os teclados do seu piano como se estivesse esmurrando alguém. Na verdade, ele não estava tocanado nada. Estava apenas socando as notas, socando o desejo, socando os seus sonhos, destruindo a sua vida frustrada cheia de dor. Não havia música. Havia apenas dor.

Em cima do piano não havia mais espaço para as latas de cerveja amassadas, as fotos jogadas e os cinzeiros sujos. As sobras dos cigarros transbordavam, como se fossem afogá-lo. Como as lágrimas que insistiam em pular dos seus olhos azuis.

Ele socava o piano.

E nas suas mãos, havia sangue do esforço repetido. Na sua mente, havia o olhar dela, lindo. No coração, havia um vazio. Na boca, o gosto do seu batom.

Amor impossível.

Como ele pôde perceber (tarde demais) que ELA era a mulher da sua vida?

Tarde demais... tarde demais.

A mulher do seu melhor amigo.

Na sua mente havia apenas medo.

Na madrugada? Nem as estrelas ousaram brilhar.

Nem as estrelas.

E ele apenas tocava piano. Esperando a luz chegar.

...

"It was late last night
I was feeling something wasn’t right
There was not another soul in sight
Only you, only you
So we walked along,
Though I knew there was something wrong
And the feeling hot me oh so strong about you
Then you gazed up at me and the answer was plain to see
’cause I saw the light in your eyes"
(I saw The Light - Todd Rundgren)

11.8.04

O AVESSO DO DESEJO

Ela estava quieta apenas observando o mar, cenário tão raro em sua vida.

Suas mãos deslizavam sobre a areia e seus dedos finos, pequenos, brancos como a neve, deixavam rastros confusos e sem sentido naquele lençol de desejo.

Quadro a quadro. Detalhe a detalhe. Romance (feliz ou não). O filme era lindo. Lindo. A cor azul do mar sempre combinou com a cor do céu em estado paranóico. A cor chumbo, cinza, urbana.

Ela não percebia ninguém ao redor. Ninguém. Nem alma, nem sombra, nem morte. Estava tão vazia a praia. Tão vazia.

Assim como meu coração – ela pensou, inquieta e desconfortável. E pensar que ele já esteve tão cheio – continuou - Tão lotado e preenchido de amor e desejo e paixão e descontrole e passividade e agressividade e carinho e fúria e masoquismo e horror.

E hoje? Bem, hoje não.

E seus dedos finos e pequenos e brancos como a neve que ela jamais viu ou tocou, continuavam a deixar rastros sobre a areia. Porém, não mais sentido, não mais sem função. Seus rastros eram como um desenho. O corpo de um menino lindo. Um menino incrível. Um menino adorável. Um menino distante. Um menino familiar. Um menino que não (mais) a amava.

Um menino cruel. Muito cruel.

Ela imaginou a razão daquilo tudo.

Não conseguiu qualquer resposta.

O amor ainda era maior do que qualquer outro sentimento, exceto o desejo.

O desejo de sorrir, o desejo de viver, o desejo de amar, o desejo de esquecer, o desejo de lembrar, o desejo de trepar, o desejo de beijar, o desejo de sofrer, o desejo de ver o mar, o desejo de se embriagar, o desejo de navegar, o desejo de voar, o desejo de ser ativa, o desejo de ser passiva, o desejo de ser gentil, o desejo de ser agressiva, o desejo de estar, pelo resto da vida, com ele ao seu lado.

cada desejo tem seu avesso. questão de tempo até a menina descobrir. questão de tempo...


10.8.04

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
SO FAR AWAY
(CAROLE KING)


"So far Away
Doesn't anybody stay in one place anymore?
It would be so fine to see your face at my door
Doesn't help to know that you're just time away
Long ago I reached for you, and there you stood
Holding you again could only do me good
How I wish I could, but you're so far away

One more song about moving along the highway
Can't say much of anything that's new
If I could only work this life out my way
I'd rather spend it being close to you
But you're so far away
Doesn't anybody stay in one place anymore?
It would be so fine to see your face at my door
Doesn't help to know you're so far away
Yeah, you're so far away

Traveling around sure gets me down and lonely
Nothing else to do but close my mind
I sure hope the road don't come to own me
There are so many dreams I have yet to find
But you're so far away
Doesn't anybody stay in one place anymore?
It would be so fine to see your face at my door
And it doesn't help to know you're so far away
You're so far away
Yeah, you're so far away
You're so far away
"


DISTÂNCIA

Não – ele pensou, assustado e cansado – Não. Não, mesmo. Sem mais viagens, sem mais delírios, sem mais problemas, sem mais brincadeiras – continuou, enquanto apagava o cigarro mentolado dentro de uma lata de cerveja vazia.

O barulho do chuveiro era forte. O barulho do que ele mais gostava.

Ele estava sentado sobre a cama com os lençóis desarrumados, ouvindo as gotas explodirem no chão do boxe, como se fosse possível voltar o tempo e ter tudo o que ele perdeu.

Ele decidiu ir até o banheiro acabar com aquela palhaçada.

Antes de entrar no cubículo que ele chamava de banheiro, parou e ficou apenas imaginando.

Imaginou como se fosse hoje. Ela dentro daquele boxe, linda, tomando um dos seus deliciosos banhos quentes, semi-nua, semi-encoberta pela espuma do shampoo barato, completamente maravilhosa.

Decidiu matar seu passado. Entrou no banheiro e desligou a torneira fria do chuveiro.

Vazio. Totalmente vazio e ela não estava lá.

E ele ficou chorando sozinho no chão do banheiro. Gritando em silêncio as palavras da velha cantora, que martelavam nas caixas de som.

Seria tão bom te ver na minha porta
E não ajuda nada saber que você está distante
Distante
Tão distante


Cruéis, porém tão reais.


9.8.04

(SONHANDO) APENAS POR QUERER NÃO ACORDAR

Sonhos? Sonhos mesmo? Daqueles do tipo conto de fadas? Sonhos assim, dessa natureza?

Quem nunca os teve?

...

Ela era apenas uma garota anti-película, ou seja, uma garota normal, do tipo que NUNCA se vê nos cinemas.

Suavemente doce, dolorosamente comum, estranhamente alegre, sensivelmente simples.

Ela era somente uma garota normal.

Ele? Não, ele definitivamente não. Ele não era nada normal. Nada mesmo.

Ele era seguro, confiante, conquistador, bonito, inteligente, esperto, moderno, educado, grosseiro, arrogante, charmoso, afiado, enfim, um garoto totalmente película, do tipo que SEMPRE se assiste nos cinemas.

Ele era obcecado por ela.

Ela não gostava de ficar próxima a ele.

Ele teve o ego ferido transformado em amor. Ela não.

Ela? Ela teve o amor transformado em medo.

E jamais ficaram juntos, muito embora ambos quisessem. Desesperadamente.

...

Sonhos? Sonhos mesmo? Daqueles do tipo conto de fadas? Sonhos assim, dessa natureza?

Quem já os realizou?


6.8.04

CATACUMBA
(for iris...)


Ela era simples e tranqüila e suave e gentil. Respirava tranqüilidade.

Ela queria amar. Apenas amar. Com toda a sua força, com toda a sua vontade, com toda a sua juventude, com todos os seus medos.

Problema de quem não acreditasse nisso.

Catacumba não a prende. Catacumba não a afeta. Catacumba não a aquece.

Ela queria apenas ser o que sempre foi. Uma pessoa apaixonada por tudo o que lhe dava prazer.

Apaixonada pela sua vida.

E isso NUNCA é pouco.

E se ele não percebia isso, quando olhava no fundo dos seus olhos, well, azar o dele. Perdeu o jogo, a vida, a aventura, o caminho.

Sorte dela. O leque de opções estava de novo aberto, conspirando a seu favor.

Ela sentiu o coração aquecido enquanto dançava ao ritmo daquele repinique eletrônico. A troca de olhares foi imediata e o leque voltou à sua mente.

Sentiu seu coração fervendo.

De repente, a noite era a melhor coisa que havia acontecido a ela. Ainda que dentro de uma catacumba. Um clube qualquer chamado Catacumba... para dançar e viver enquanto se pode sorrir.

E isso, bem, isso ela sempre poderá... sempre!!!


BATOM ROSA

Ela estava toda desajeitada sobre a cama, sentada em diagonal, toda louca, toda afoita, toda cena, pintando as unhas dos pés. Apenas uma toalha envolvia os seus longos cabelos molhados. A cena era delírio. O esmalte escorria entre os dedos e manchava os seus dedos pequenos, finos, estreitos. Definitvamente, Eva, a manicure da esquina tinha muito mais prática. Mas quem se importava? Ela ouvia uma canção, uma balada. Estava sozinha em casa. O telefone tocou. Insistente. Ela não atendeu. Sabia quem era, sabia o que queria. Ela pouco se importava com quem a chamava.

Ela apenas se importava com os seus vinte e poucos anos e com a cor do seu esmalte. Esmalte vivo que deveria, sem a menor sombra de dúvida, apenas combinar com o tom do seu batom rosa.

3.8.04

BLACKBIRD

Eles estavam tranqüilos, sujos, quietos, lado a lado, ombro a ombro. Apenas deitados. Apenas amigos.

Eles estavam jogados na areia úmida, ouvindo o barulho do mar e tendo como varanda particular o nascer do sol. O nascer do sol, esse eterno cartão postal.

Postcard para crianças, postcard para drogados, postcard para dementes, postcard para apaixonados, postcard para encurralados, postcard simples, totalmente embaralhado por gigantescas doses de cerveja.

Mas o nascer do sol era apenas paisagem e o silêncio, o verdadeiro vilão, era o culpado. Rompido apenas por Netuno.

E eles estavam sedentos, sebentos, inquietos, lado a lado, ombro a ombro. Coitados.

O verão havia chegado ao fim há meses. A praia ficaria durante todo o resto daquele dia como estava naquela hora do amanhecer: vazia.

E o sol nascia belo e longe, bem longe, enquanto a noite fazia força para não ser vencida.

Eles permaneciam quietos, ouvindo o barulho do mar.

- Olha – ele disse, apontando um pássaro negro e lindo, pousado na areia e cantando algum réquiem afinado para a madrugada.
- Que lindo – respondeu ela, doce, erguendo um pouco, mas muito pouco, a sua cabeça toda envolta em areia para observar aquele pássaro.
- Ele está machucado, não? – ele perguntou.
- E quem não está? – ele retrucou, deixando de olhar o pássaro.
- Tem uma canção dos Beatles que eu adoro – ele disse, animado – Blackbird.
- Nunca ouvi – ela retrucou.
- Mas precisa, sabia? Tem um trecho que é ideal para quem vive machucado – ele continuou – Diz mais ou menos assim – “Blackbird cantando na morte da noite / Pegue suas asas quebradas e aprenda a voar / Toda a sua vida / Você apenas estava esperando este momento para se levantar ... Toda a sua vida / Você apenas estava esperando este momento para ser livre”.
Ela ficou em silêncio por breves instantes e perguntou – Será que somos nós?
Ele não respondeu, preferiu o silêncio, enquanto o pássaro negro abria suas asas e começava a voar...


2.8.04

...devo posts novos aqui, e-mails e muito mais coisas...

cumpro amanhã, se me permitirem...

combinado?