23.7.04

moça das surdas palavras. aceito o template novo...

obrigado.
MELT WITH YOU

Tudo o que eu quero é um amor sincero, um amor eterno, um amor etéreo, um amor honesto, um amor externo, um amor interno, um amor esperto, um amor deserto, um amor cara de pau, um amor insano, imodesto, narciso, vagabundo, delirante, descuidado, cauteloso, imaturo, generoso, consciente, onisciente, onipresente, enfim, apenas o amor que eu sonho e que você não pode me dar...

DESCULPE dizer assim... por carta. Você merecia mais, mas eu não podia te dar. Definitivamente

Beijos.

Isadora


E ele rasgou a merda daquela carta com todo o ódio e fúria e rancor que jamais imaginou sentir.

Desabou em lágrimas, derretendo como gelo em asfalto quente.

Nem as suas drogas o ajudariam agora.

Precisava de...

Dela. Apenas dela.


20.7.04

WE COULD SEND LETTERS

- Então é isso? – Isa perguntou, enquanto dava um abraço apertado na amiga Ju.
- É – Ju respondeu, com os olhos cinzas de lágrimas – E você acha pouco? – continuou, tentando sorrir.
Isa ficou em silêncio e apenas encarou-a com seus lindos olhos azuis, agora com as mãos suavemente pousadas sobre os ombros da amiga.
- Também não é tão ruim assim, vamos. Estaremos próximas e continuaremos amigas. Grandes amigas. As melhores.
Isa sorriu sem jeito e disse, triste – As melhores amigas do mundo. As maiores de todas. As inseparáveis.
Ju a observou com ternura e fez um carinho nos cabelos bagunçados a amiga – Inseparáveis mesmo. Inseparáveis. Pode apostar nisso. Mesmo distante um oceano de você, espero que saiba que estou levando muito desse seu jeitinho, desse seu carinho, desse seu sorriso, desse seu olhar comigo. Estou levando aqui comigo. Por onde quer que eu vá.
- Os dias vão ser mais cinzas a partir de hoje, mas mesmo assim eu não quero ser dramática e excessiva – disse Isa, contendo o choro.
- Não querida, não pensa nisso. Nada de cores cinzas. Óbvio que eles existirão, mas os dias vão ser mais azuis do que cinzas. Azuis como os seus olhos.
- Isso tá parecendo uma novela mexicana, daquelas bem, mas bem cafonas mesmo – brincou Isa, abraçando ainda mais uma vez a sua amiga, naquele aeroporto frio e impessoal.
- De qualquer forma, nós ainda podemos escrever cartas uma para a outra, quando o medo chegar – disse Ju, animada.
Isa a olhou com um carinho que apenas as melhores amigas conseguem sentir e disse, realista – Querida, querida, querida. Não. Não. Hoje em dia as pessoas não escrevem mais cartas. Não. As pessoas não escrevem mesmo mais cartas. Mas, ainda assim, fique tranqüila, você está e estará sempre por aqui, no meu coração.

E choraram ainda mais uma vez, transformando despedidas em cartas em papéis de seda. Impossíveis de absorver palavras escritas em nanquim...


16.7.04


GARRAFAS E VERDADES (QUASE SEMPRE) NÃO COMBINAM

Nossa, deve ser meu décimo cigarro essa noite – ela pensou enquanto segurava um cigarro apagado entre seus dedos pequenos e frágeis, divertindo-se do próprio estado de perdição. Foda-se. Vamos continuar. Hey Ho Let´s Go – prosseguiu, enquanto girava a garrafa vazia de vodka sobre a mesa suja de metal daquele boteco indecente e esperava para saber quem faria a próxima pergunta.

Bingo. Ela perguntaria.

Pergunta: Você não acha que já deu no saco esse papo de que eu te assusto e você quer viver dentro dos limites de segurança e que nós dois juntos precisamos de um tempo?
Silêncio e breve resposta: Eu te amo, mas não estou tão pronto assim como você acredita.

Babaca – ela pensou – Idiota, babaca, cretino, imbecil, moleque, medroso, inseguro, otário, perdido, canalha. Não vê que isso é conversa mole? Não vê que é apenas desculpa? Clichê de sessão da tarde. Pára com isso – concluiu nervosa, enquanto acendia o tal cigarro que estava apagado.

Nova rodada. Nova sorte. Ela perguntava, de novo.

Pergunta: Você não prefere ser homem e assumir suas vontades?
Novo silêncio, nova breve resposta: Pena que você me veja assim. Pena mesmo.

Que ódio. Seu demente, não percebe que você é tudo na porra da minha vida? Não percebe? Não percebe que quando temos medo de amar, temos medo de viver. E quem vacila, quem teme, quem geme, quem não se assume, quem sufoca, quem apavora, quem só chora, não vive. Perceba isso, idiota.

- Desculpe interromper mocinha, mas já está nascendo o sol, e estamos fechando para dormir umas poucas horas antes de abrir de novo. Não gosto de interromper suas viagens com essa garrafa de vodka, mas lamento, eu tenho que te dar a conta – disse a voz de um homem visivelmente cansado, em pé ao lado dela.

Ela encarou-o - meio bêbada, meio triste - e pediu desculpas. Pagou por toda a rodada de vodka barata e cigarros que havia consumido e saiu do bar sozinha e constrangida, apenas querendo saber a quem ela queria enganar.

Jogo da verdade não se joga sozinho. A menos que você queira se machucar. A menos que você queira muito se machucar... 
  

12.7.04

APENAS ELES. O MUNDO EM VOLTA POUCO IMPORTA

Eles estavam lá, sentados naquela mesa de bar, absolutamente alegres e felizes e contentes. Apaixonados. Simples assim. Apaixonados como sempre um pelo outro, apaixonados como sempre quiseram, como sempre puderam, como sempre foi. E, de acordo com os seus próprios e generosos corações, como sempre será.

E eles estavam lá. Sentados e conversando animadamente sobre todos e sobre nenhum assunto. Sentados e observando apaixonadamente cada detalhe um do outro. Cada detalhe do olhar, da pele, do rosto, dos cabelos, dos perfumes, das mãos, dos lábios, enfim, cada detalhe do seu próprio amor.

E os garçons passavam, os cigarros viravam fumaça, as bebidas acabavam, as pessoas mudavam, o bar “acontecia” e eles pouco se importavam, pouco se importavam, pois tinham um ao outro e isso era o mais importante. Naquele e em todos os momentos.

- Engraçado – ele disse, divertido, enquanto acendia mais um cigarro mentolado.
- O quê? – ela retrucou, curiosa.
- Estamos juntos há tempos e parece que mal acabamos de nos conhecer – ele disse.
Ela bebeu um gole do seu copo americano de cachaça doce e gostosa e provocou – Quer dizer que ainda sabe pouco sobre mim? Depois de todos esses anos? Mesmo depois dessa vida? Nunca teve curiosidade de saber mais?
Ele sorriu o seu sorriso mais brincalhão e respondeu, firme e divertido – Eu te conheço como a palma da mão, sweetie honey. Como a palma da SUA maravilhosa e pequena e linda mão. O que eu quero dizer, de verdade, é que mesmo depois de todos esses anos, eu te amo demais e ainda tenho muito, mas muito mesmo, para te amar. Curioso, né?
Ela o olhou doce e murmurou - Você é lindo – sem graça e tomando mais um gole do seu copo.
- Você é que é. Mais do que linda. Você é tudo. Tudo de bom. Toda boa. Aliás... – ele começou, deixando no ar o suspense.
- ... aliás? – ela perguntou, curiosa.
- Olha para o seu relógio. Já é meia-noite. Parabéns. Parabéns por mais esse seu aniversário – ele ergueu sua vodka, em um brinde sensacional.

E ela sorriu desastrada e contente e eles se beijaram de forma espetacular, de forma cinematográfica, como apenas os amantes conseguem. Como apenas o verdadeiro amor permite. Como apenas dois jovens – sempre – apaixonados.

As pessoas em volta eram apenas platéia...

...


BOBAGENS

E ele tinha medo de colocar os pés descalços no assoalho frio
(podia haver cacos de vidro no chão)
E ele tinha medo de acordar de madrugada
(podia não haver luz)
E ele tinha medo de encarar o espelho
(podia enxergar suas rugas)
E ele tinha medo de ouvir verdades
(podia perceber quem ele realmente era)
E ele tinha medo de perder os amigos
(podia ficar sozinho)
E ele tinha medo de ser ele próprio
(podia ser alguém que ele não gostava)