26.3.04

NOITES CLARAS OU NOITES INCÔMODAS (APENAS PARA QUEM CHORA, APENAS PARA QUEM CHORA)

A noite estava muito clara.

Muito clara.

O reflexo suave do luar invadia a janela aberta e pousava, inconseqüente, na fotografia rasgada sobre a cômoda.

A noite estava tão clara, mas tão clara que, mesmo com as luzes apagadas, era impossível esconder do espelho as marcas e os sulcos deixados pelas incômodas lágrimas amargas. Lágrimas salgadas. Lágrimas indesejadas. Lágrimas inevitáveis.

A noite estava tão clara e era apenas uma criança. Maldita criança.

Ela estava deitada no chão, olhando o brilho invasor e apenas pensando em como esconder tanta dor...como esconder tanta dor.

Às vezes é apenas... impossível...

Impossível...

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