30.3.04

BATALHAS PERDIDAS (PERDIDAS??)

I begged you not to go.
I begged you, I pleaded.
Claimed you as my only hope
and watched the floor as you retreated.

(The Good Fight – Dashboard Confessional)

Nada como uma boa luta. Nada como uma boa batalha.

Nada.

Nada tão revigorante e também nada tão assustador, pois quem poderá nos deter quando, no auge da nossa fúria, deixarmos todos os nossos pensamentos cristãos de lado, e então, nosso único objetivo se transformar em um estranho e prazeroso desejo de vingança?

Ninguém...

Mas... foda-se, como eu ia dizendo, nada como uma boa luta. Nada como uma boa batalha. Nada e nada e nada e nada.

Porém, estranhos, a batalha, ainda que boa, cansa o lutador.

Cansa, claro que cansa. Cansa e mente quem diz o contrário, o avesso, o reflexo, o espelho.

A batalha cansa quando o gosto de sangue se torna palatável e a garganta deixa de suportar engolir a dor e a rispidez e a maldade. O sangue desce como líquido nojento e viscoso e o estômago não consegue mais suportar tanto amargor.

E os olhos? Ah, os olhos fraquejam e revelam a verdade, revelam o pavor, revelam o medo. E as lágrimas caem, desaforadas, contra a própria vontade dos olhos de quem luta.

Nada como uma boa batalha.

Mesmo que perdida. E ela sabe disso, sentada na sua cama, admirando no espelho de retângulos o seu pálido reflexo. O seu pálido reflexo feito de luta e de sangue, de desejos e desesperos, de tédio e de medo, de coragem escondida e de orgulho despedaçado.

E ela não percebe que, embora bem raso, o reflexo também mostra que só se arrebenta quem tem coragem. Só se fode quem dá a cara, quem chora em público, quem rasga a alma, para o bem ou para o mal, para o sorriso ou para o mal.

Para o sol ou para o mal.

E coragem era o que ela mais tinha... embora ainda não soubesse disso.

Embora ainda não soubesse...

E no bilhete amassado, ela implorava para ele não ir, ela implorava para ele não ir, a sua única esperança... e o chão era seu único panorama, após ele fugir da luta...fugir inteiramente da batalha...


29.3.04

ESPELHOS LOUCOS (TRANSFORMANDO SÁBADOS EM DOMINGOS)

E lá estava ela. Mais uma vez. Sentada àquela mesa de bar, olhando o movimento de pessoas estranhas, de pessoas comuns, de pessoas normais, de pessoas rasas, lotadas, aborrecidas. Olhando o copo de cerveja que ficava um pouco mais vazio a cada gole. Olhando os garçons, graciosos e mal humorados, levando e trazendo bandejas e copos e bebidas e comidas e cinzeiros sujos e cinzeiros limpos.

E lá estava ela. Ainda mais uma vez. Sentada àquela mesa de bar, olhando os sorrisos dos outros e lembrando dos seus próprios sorrisos antigos. Próprios sorrisos antigos. Bem antigos.

Sentada àquela mesa de bar. Tão dela e de suas preciosas amigas. Parecia que nada poderia devastar aqueles sonhos, aqueles desejos, aqueles beijos, aquela amor, aquela poesia, aquela loucura. “Quando eu queria mudar o mundo, meu carro vivia cheio de gente” – ela pensou, nostálgica, lembrando dessa frase profética, contida em um encarte de um velho disco de vinil que ela nem lembrava mais qual era. É, quando eu queria mudar a porra desse mundo, nem precisava de carro – completou, enquanto pedia a conta.

E assim, lacônica, a noite chegou ao fim.

Ela tomou lá as suas costumeiras cervejas, mas com uma diferença, uma ENORME diferença: ela estava sozinha. Sozinha...completamente.
Ninguém veio, ninguém foi, nenhuma delas, nenhuma delas. Todas as cinco “inseparáveis” amigas. Todas as cinco “inseparáveis” amantes. Todas as cinco “inseparáveis” irmãs. Nenhuma delas.

E ela pagou a conta e enquanto saía do bar, foi surpreendida por uma grata melodia sussurrada pelo garçom velho, gracioso e mal humorado.

- Ei? – ela perguntou ao garçom – Que canção é essa?
Ele a olhou surpreso e respondeu com uma pergunta – Qual?
- A que você cantou baixinho agora. Essa que você sussurrou. Que música é essa? – ela insistiu.
- Não sei não, viu. Não tenho a menor idéia – ele respondeu – É uma música gringa aí, que estava tocando no andar de cima. Ficou na cabeça, mas não sei o que é.
- Canta de novo – ela pediu – Por favor.
Ele sorriu, sem graça e cantarolou totalmente desafinado e sem jeito e constrangido, mas feliz porque, rapidamente, ela reconheceu a canção e continuou sozinha.

- Todos os dias são domingos – ela disse, com um sorriso.
- Reconheceu a música? – ele perguntou.
- Sim. E posso dizer que ele tem toda a razão, todos os dias são como domingos. Obrigado.
- Bem, de nada mocinha. De nada. Não entendi nada, mas deixa para lá. Os dias não deveriam ser como domingos. De forma nenhuma. Mas... como é Deus quem escolhe... até a próxima.
- Até a próxima. Até a próxima – ela respondeu, sorrindo aliviada, pois, no fundo, sabia que não haveria próxima vez.

Nunca mais.


26.3.04

ESCREVI UM TEXTO E PERDI TUDO...PENA...
NOITES CLARAS OU NOITES INCÔMODAS (APENAS PARA QUEM CHORA, APENAS PARA QUEM CHORA)

A noite estava muito clara.

Muito clara.

O reflexo suave do luar invadia a janela aberta e pousava, inconseqüente, na fotografia rasgada sobre a cômoda.

A noite estava tão clara, mas tão clara que, mesmo com as luzes apagadas, era impossível esconder do espelho as marcas e os sulcos deixados pelas incômodas lágrimas amargas. Lágrimas salgadas. Lágrimas indesejadas. Lágrimas inevitáveis.

A noite estava tão clara e era apenas uma criança. Maldita criança.

Ela estava deitada no chão, olhando o brilho invasor e apenas pensando em como esconder tanta dor...como esconder tanta dor.

Às vezes é apenas... impossível...

Impossível...

23.3.04

O texto abaixo... é um texto daqueles que só se pode ler com os headphones ligados em ótimo volume.

Então, please, usem os headphones e fiquem felizes ... se esse for o caso, claro.

ALL STAR
(Nando Reis)

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias
Mas a terra avisto em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
Seu all star azul combina com meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua
Como ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas pra tua voz
Parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul...
"
TÊNIS VELHOS E AMORES PERFEITOS EM ESQUINAS DE SOL

Manhã de sol. Muito sol. Lugar? Uma esquina. Bairro? Qualquer um. Cidade? Qualquer uma. Poderia ser com você, não? Não?

Não duvide, por favor. Apenas não duvide.

...

Assim que virou a esquina, ele suspirou aliviado. Ela estava lá. Parada. Parada e linda e maravilhosa e contundente e fabulosa. Ainda mais uma vez, ela parada naquele ponto de ônibus, aguardando o seu matinal meio de transporte.

Ele sorriu de leve e sem graça, como em todas as manhãs; ela meneou sem graça a cabeça, como em todas as manhãs; ele evitou olhá-la, como em todas as manhãs; ela percebeu o olhar disfarçado, como em todas as manhãs; ele a achou linda, como em todas as manhãs; ela se achou feia, como em todas as manhãs; o ônibus chegou, como em todas as manhãs; eles entraram nele, como em todas as manhãs; sentaram-se longe, como em todas as manhãs; desceram em pontos distintos, como em todas as malditas manhãs.

...

Outro dia...

Manhã de sol, muito sol. Assim que ele virou a esquina, ele suspirou nervoso e aliviado. Ela estava lá. Parada. Parada e linda e maravilhosa e contundente e fabulosa. Ainda mais uma vez, ela estava parada naquele ponto de ônibus, aguardando o seu matinal meio de transporte.

Todo ritual foi feito pelos dois, como em todos os dias, exceto por um detalhe. Um ENORME detalhe que poderia mudar tudo na vida dos dois: eles sentaram-se lado a lado. No mesmo banco.

- Oi – ele disse, tímido.
- Oi – ela respondeu, brincando com os cabelos.
Ele ficou meio bobo, sem saber o que dizer, até que soltou, trôpego – Coincidência, né? Todos os dias nos encontramos – puta que merda. Porque fui falar uma merda dessas – ele imediatamente pensou, já arrependido.

Ela sorriu, sabendo que ele havia falado besteira e tentou protegê-lo - Nem tudo pode ser atribuído à coincidência nesta vida, sabia? Nem tudo. Às vezes as situações, por mais absurdas que sejam, podem simplesmente ... acontecer. Por um motivo maior ou menor ou mesmo por nenhum motivo – ela sorriu, sabendo, óbvio, que TAMBÉM havia falado besteira.

Ele retribuiu o sorriso daquela garota. A mais linda que ele já havia visto. A mais linda de todas. A garota com um sorriso de arco-íris. A garota com um sorriso carrossel. A garota de cabelos curtos, roupas simples e tênis adoravelmente sujos.

- Sempre reparei no seu tênis, sabia? – ele disse, agora um pouco menos nervoso, mas ainda tremendo.
- Verdade? Ele é velho. Sem importância. Sem muita importância – ela respondeu.
- Mas são azuis. Combinam - ele defendeu.
Ela o encarou com surpresa - E daí? Você gosta de azul?
- Amo, claro, aliás, se todo azul fosse assim... – ele disse, sem completar.
- Como meu tênis? - ela tentou.
- Não. De forma alguma. Azul como seus olhos.

Ela o encarou, em silêncio.

Ele prosseguiu - Se todo azul fosse assim como o do tom dos seus olhos, a All Star não fabricaria nada em outras cores. Nada. Porra nenhuma. Tênis ou produto nenhum. E o mundo nem sentiria falta.

Ela sorriu, sem graça.

Ele também, mais muito mais por estar feliz do que sem graça, afinal ele, pela primeira vez na sua vida, estava certo de que não havia falado qualquer bobagem. Certo de que estava certo e muito certo de querer o seu amor. Apenas querer o seu amor.

Azul como todos os azuis. Azul como um All Star velho.

...

Manhã de sol. Muito sol. Lugar? Uma esquina. Bairro? Qualquer um. Cidade? Qualquer uma. Poderia ser com você, não? Não?

Não duvide meu amigo, não duvide ... apenas não duvide.

Só duvida quem não ama, porra!!!


17.3.04

escrever sobre canções de amor ou acabar com os textos? todos?

13.3.04

eu magôo pessoas?
isso não é nada bom, nada bom...
VERDADES À TARDE...

- Então tá - ele disse, nervoso
- Como assim? - ela respondeu
- Então tá, porra. Você já disse tudo o que tinha para dizer. Já disse o que queria dizer. Já disse todos os absurdos que queria. Só que eu cão concordo com essa merda toda. Eu não concordo com todas as besteiras e com todas as merdas e com todo o ressentimento que você me disse, que você me jogou na cara.
- Tem medo da verdade? - ela arriscou, sarcástica
Ele a olhou com ódio. Um ódio jamais antes visto - Não. Não tenho medo da verdade. Tenho medo de você.

Ela a encarou fria e distante, como se não fosse a mesma pessoa que há dois anos estava com ele, e disse, aflita - Você deve ter medo de você querido. Apenas de você. Não do nosso amor, que já foi pro saco, e nem de mim, que nada te fiz além de te falar umas merdas de verdades. Isso dói seu babaca. Em nós dois, caralho. Mas você tem que escutar. Tem que escutar. Uma vez na vida que seja.

- Eu acho que vou fazer uma tatuagem - ele disse, evitando chorar.
- Então é isso, viramos amigos? - ela perguntou.
- Claro que não. Eu te odeio - ele disse, sério.
- E eu te amo - ela respondeu, pegando o resto do baseado que ele segurava, a sua bolsa em cima da cama, não sem antes dizer - E eu apenas te amo. mas vou deixar de amá-lo. Pode apostar...pode apostar.

12.3.04

TODOS OS AMORES QUE HOUVER NESSA VIDA. TODOS

Ela entrou em casa completamente atordoada. Seus olhos brilhavam e seus lábios ainda estavam molhados pela paixão. Ela não acreditava em tudo aquilo. Não, ela não acreditava. Parou em frente ao espelho do hall da sala e ficou admirando suas feições. Percebeu que aquele brilho no seu olhar e o vermelho dos lábios era apenas...amor.

Um amor descoberto. Surpreendente. Novo.

Simplesmente amor? E ele precisa ser definido?

Ela encheu um copo americano de gim e virou em um gole. A mistura dos sabores era deliciosa.

No bolso do casaco dela, um guardanapo amassado e todo roto, escrito com pequenas letras feitas em lápis grafite:

Será que você ainda não percebeu que eu te amo, porra!
Então eu digo com todas as letras.
EU TE AMO.
Me dá um BEIJO AGORA!
Alice
”.

...

Ele entrou em casa completamente atordoado. Seus olhos brilhavam e seus lábios ainda estavam molhados pela paixão. Seu queixo ardia e o cheiro de perfume era intenso. Ele não acreditava em tudo aquilo. Não, ele não acreditava. Parou em frente ao espelho do hall da sala e ficou admirando o seu reflexo. Percebeu que aquele brilho no olhar e o vermelho dos lábios e o sorriso escondido era apenas...amor.

Um amor descoberto. Surpreendente. Novo.

Simplesmente amor? E ele precisa ser definido?

Ele encheu um copo americano de tequila branca e virou em um só gole. A mistura dos sabores era deliciosa.

No bolso do casaco dele, um guardanapo amassado e todo roto, escrito com descuidadas letras feitas em lápis grafite:

Será que você ainda não percebeu que eu te amo, porra!
Então eu digo com todas as letras.
EU TE AMO.
Me dá um BEIJO AGORA!
Pedro
”.

...

Eles entraram em casa completamente atordoados. Os olhos brilhavam e seus lábios não conseguiam desgrudar por tanta paixão. O cheiro dos perfumes e do tesão era intenso. Intenso e delicioso. Eles não acreditavam em tudo aquilo. Não, eles não acreditavam. Não pararam em frente ao espelho. Já sabiam, lá no fundo, que tudo aquilo era apenas...amor.

Um amor descoberto. Surpreendente. Novo.

Simplesmente amor. E ele precisa ser definido?

Eles encheram as suas bocas com beijos e saliva e paixão e viraram tudo em um só gole. Satisfação.

No chão do quarto, um guardanapo amassado e todo roto, escrito com excitadas letras feitas em lápis grafite:

Nando,
Será que você ainda não percebeu nos amamos, porra!
Então eu digo com todas as letras.
EU TE AMO.
Faz amor comigo, AGORA!
Lívia
”.


11.3.04

GAROTOS E GAROTAS. MOLEQUES E...

- Então tá – ele disse, ríspido – Faça o que bem entender da sua vida.
Ela apenas o olhou com um ligeiro ar de superioridade – falsa e fugaz superioridade – e disparou, fingindo ser má – Eu sempre fiz o que quis da minha vida. Só que você, idiota, nunca percebeu – finalizou, virando mais um gole de tequila.
Ele a encarou por alguns segundos - Tem razão querida. Tem toda a razão. Eu nunca percebo nada da sua vida, nada do que você faz, nada do que você pensa, nada do que você é, enfim, nada do que se passa ao meu redor – ele disse, agora irônico – Absolutamente nada. Porra nenhuma. Nada, nada e nada!
Ela sorriu, marota - É por isso que você é meu melhor amigo – sentenciou, com um belo e lindo sorriso.
Ele retribuiu o sorriso e falou, com todo o afeto, como o quintal da casa da avó – Você é um doce, sabia? Um doce. De verdade. Um adorável presente. Daquelas pessoas que surgem na nossa vida do nada, apenas para torná-la mais suportável a cada dia, mais confortável a cada briga, mais...mágica. Mais mágica a cada dia.

Ela apenas abaixou os olhos, agora completamente sem graça.

- Olha só. Não precisa ficar sem graça. É sério, querida. Não estou te sacaneando ou coisas afins. Estou dizendo a verdade. Apenas isso. Quer um cigarro?
- Você precisa parar de fumar seu tonto – ela advertiu – Está ficando cada dia mais crônico esse vício.
- Dos poucos vícios que eu tenho, talvez esse seja o menor.
- Poucos vícios? Hahaha, sei – ela gargalhou – Bem, preciso ir. Depois nos falamos, my dearest and beautiful friend. Tchau – ela disse, indo embora do Clube Varsóvia

- Ei? – ele disse, antes de ela partir – Estela.
Ela virou-se e disse – O quê?
- Estela.
- Quem é Estela? – ela perguntou.
- Era o nome dela. Estela. Uma garota adorável, fantástica. Um doce.
- E?
Ele encarou o fundo do copo de tequila, agora vazio, e disse, nostálgico – Uma garota na minha classe do colegial. Nunca vi tanta molecagem e tanta brincadeira e tanta vida e tanta energia naquela garota. Ela sabia de rock, de garotos, de cigarros, de bebidas, de namoros, de brincadeiras, de poesia, de tantas coisas. E estava sempre sorrindo. Sempre. Uma moleca. Uma adorável e irresponsável moleca, mas, porra, quem precisa ser responsável quando se tem a vida toda pela frente?
- E o que aconteceu com ela?
Ele a olhou nos olhos e disse – Não sei. Nunca mais soube dela.
- Mais uma das suas molecagens, então. Sair da sua vida sem avisar.
- Você não vai fazer isso comigo também, né? – ele perguntou, charmoso.

Ela nada disse. Apenas assoprou um beijo, mostrou a língua, deu seu melhor sorriso e começou a ir embora do Varsóvia.

Ele ficou lá sentado por algum tempo, pensando em todas as bobagens da sua vida, quando, do nada, foi interrompido por um garçom com um bilhete na mão.

Claro que não, seu bobo. Claro que não. A minha maior molecagem é estar sempre do seu lado.
Beijos
Ana


E ele sorriu. Feliz por ter e por também não ter a sorte de que tanto precisava. De que tanto precisava.


MUITAS IDÉIAS...
SAUDADES DE VOCÊS...

9.3.04

PASSADO

- Você podia ter sido menos cruel - ela disse, agressiva, enquanto a festa rolava insana.
Ele a olhou com um misto de pena e falta de carinho e falta de pudor e disparou - E você podia ter sido mais compreensiva.
Seus olhos ferveram de ódio. Ela podia sentir a raiva explodindo em cada pálpebra
- Compreensão? Compreensão? - ela repetiu e desistiu, apenas para depois virar-se e deixar todo o seu passado para trás...

quem já não fez isso antes? Livrar-se do passado

... antes que ele fizesse isso por nós...
NOITES QUENTES E LÁGRIMAS DOCES

A noite estava tão quente. Ele mal podia respirar. Talvez o medo. Talvez o cigarro. Talvez os seus excessos. Talvez apenas o calor.

A noite estava tão quente.

- Maldita - ele pensou - Será que quem ama pode ser tão cruel, tão cruel assim?

A noite estava tão quente. Seu coração, ao contrário... e aquelas lágrimas não eram nada doces.

Definitivamente!