30.1.04

TODAS AS CORES REFLETEM AS DORES

Havia ratos correndo sem parar, pelo asfalto ainda úmido com a maldita chuva quente que desabou durante toda a madrugada. Já fazia mais de uma hora que havia chovido. A umidade quente e presente nos poros da calçada e nos poros do maldito asfalto era como veneno. Um doce e suave veneno, capaz de matar o mais “corpo fechado” dos mortais. Aquele pobre coitado com o coração fechado para o sorriso, para a dor, para, enfim, o que for. Apenas os ratos, as baratas, a sujeira, as guimbas amassadas de baseados mal fumados, as pulgas, os cacos, os destroços, enfim, apenas o lixo e o que não importava e o coração fechado podia com toda aquela umidade.

A noite era cinza; a lua, encoberta, amarela; a lágrima, presente, escura; a raiva, abafada, barbante; a dor, evidente; tão branca; a saudade, suave, azul; o amor, destruído, vermelho...ferido de morte. Como se não houvesse mais amanhã.

E ele estava lá...com os ratos, o asfalto, a dor, a madrugada...apenas chorando.


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