8.12.03

SURFBOARD

Ele olhou ao seu redor e percebeu, enfim, pela primeira vez naquela porra de verão, como o dia estava bonito e colorido. Como os dias ERAM bonitos e coloridos. Como caleidoscópios, como caixas mágicas. Caralho, eu não havia percebido esse sol – ele pensou, surpreso – Até que enfim me dei conta disso...

De fato, tudo agora parecia diferente. O céu estava azul, as pessoas estavam sorrindo, o sol estava quente, as ondas estavam frias, a crianças apenas gritos e os sorvetes, derretendo.

Ele parou de respirar por um minuto para apenas

...

observar aquela movimentação toda. A movimentação da vida, a movimentação das pessoas, a movimentação da areia nos seus dedos sujos de cigarro barato, a movimentação lerda e lesada com a qual não estava mais acostumado.

Ele não estava mais pensando nela.

Deu um sorriso e levantou-se sem pressa. Limpou a areia que estava grudada em sua perna e espreguiçou-se com força, como se seus músculos fossem de brinquedo e seu corpo fosse um fantoche.

Olhou a onda quebrando no mar, colocou seu chapéu e seus óculos escuros e respirou profundamente a brisa do surfboard que vinha do mar.

Acendeu um cigarro para chocar o seu pulmão e foi caminhando, sem saber para onde ir, porém, feliz para caralho com todas as suas incertezas. Apenas muito feliz.


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