26.12.03

desejo a todos vocês um ÓTIMO 2004.

E não pensem que o conto abaixo é triste. É um recomeço. Um ano novo. Novinho em folha. Para todos nós.

Beijos para quem é de beijos
Abraços para quem é de abraços...
ANO NOVO. NOVO?

E lá estava ele. Testemunhando seu vigésimo segundo reveillon. Vigésimo segundo? – ele pensou – Saco. Sempre a mesma coisa – prosseguiu com sua chatice.

Na verdade, pelo menos para ele, aquele parecia o seu trigésimo ou quadragésimo reveillon ou mesmo muito mais do que isso.

E ele estava sozinho naquela praia cheia de cerveja e de uma multidão suada e molhada e feliz. Cheia de gente cheia de vida. Cheia de sonhos. Decidiu dar meia volta e retornar para casa. Ao menos lá eu posso estourar meus tímpanos com um bom punk rock e não com essa merda toda de fogos e o caralho.

Faltava pouco mais de uma hora para o fim de tudo quando ele deitou-se no sofá rasgado do seu pequeno apartamento. Acendeu um incenso qualquer da sua colega de apartamento e colocou um bom disco de rock. Rock pesado para matar o samba. Todo carnaval tem seu fim, né? – ele riu, divertindo-se sozinho.

E entre um trago e outro daquele Campari forte e amargo, ele gargalhou como se estivesse enlouquecido.

Adeus ano velho – ele pensou – Já vai tarde, otário. E ele ficou lá, deitado no velho sofá rasgado.

E em pouco tempo ele ficou quieto, apenas esperando o ano acabar. Apenas esperando e desejando que todas as coisas ficassem melhores. Melhores nas próximas horas, nos próximos dias, no próximo ano.

E o que ele menos desejava era ficar sozinho. Como estava naquele maldito momento, ao som de distantes e cruéis fogos de artifício.


18.12.03

QUEBRANDO ONDAS

- Eu adoro o Natal – ela disse, entre uma tragada e outra, com um sorriso no canto dos lábios.
- É verdade? – ele perguntou – Eu não ligo muito. Dizem que o Natal só é encantador para quem teve uma infância feliz e é, efetivamente, uma pessoa feliz – emendou.
Ela o olhou com desdém – Da onde você tira essas coisas?
Ele sorriu e respondeu, animado – Leio por aí. Eu sou uma pessoa bem informada.
- Minha infância foi bacana e, apesar de tudo, sou quase toda feliz, mas gosto do Natal por causa do clima, das pessoas, enfim, tudo parece mais... sereno, mais tranqüilo e seguro, mesmo com a correria e a loucura das pessoas e todos os seus preparativos.
- Já escreveu sua carta para o Papai Noel? – ele perguntou, acendendo um Marlboro.
Ela o encarou com uma certa dose de tristeza e respondeu, seca – Não, ainda não a escrevi.
- Ué, e o que está esperando? Já é quase Natal – ele disse.
- Expectativas por expectativas, eu deixo apenas as coisas acontecerem. Esperar a onda perfeita, sabe? Esperar a onda perfeita para enfrentar a maldade do mar.
Ele a olhou com muito carinho e perguntou, lindo – Vamos?
Ela respondeu, surpresa - Para onde?
- Alguma praia distante. Talvez lá você encontre alguma onda perfeita.
E saíram abraçados por aí. Noite afora. Como dois amigos queridos. Como dois amigos perfeitos.


ELA foi adorável. E inspirou-se no esfumaçado e enlouquecido Clube Varsóvia. Fiquei MUITO feliz...

Obrigado!
TEM CERTEZA?

E ela disse, implacável - O amor não existe, seu idiota.
Ele a olhou com os olhos de uma criança. Triste. Melancólico. Desolado - Mentira. Se ele não existisse eu não estaria aqui agora, destroçado.
- Tem certeza? - ela perguntou, cruel e violentamente, virando as costas e deixando apenas lágrimas para trás.

15.12.03

Izis, obrigado pelo template. Eu achei que ficou sensacional. Obrigado.
UM NOVO MUNDO PELAS JANELAS DAS ÁREAS DE SERVIÇO

Ela estava com os olhos cheios. Cheios de fumaça, cheios de vodka barata, de cansaço, de pensamentos antigos, de pensamentos infelizes, de planejamentos destroçados, de sonhos esquecidos, de lágrimas incontidas, de vida desmoronada. A sua vida. A sua própria vida.

Ela, enfim, estava com o saco cheio. Muito cheio. E aquela área de serviço era pequena demais para todos aqueles problemas e aquela fumaça.

Tudo por que mesmo longe, ele estava por perto. Perto demais.

Mas ainda assim – ela pensou - Ainda que enfurnada em uma área de serviço pequena, escura, com um cigarro vagabundo e amassado pelo bolso da calça jeans, ainda assim eu estou melhor do que olhando para ele, olhando para todos aqueles idiotas na sala de estar que o adoram e o acham um amigo. Um grande amigo.

Farta. Ela estava farta.

- Oi – uma voz disse atrás dela.
Ela não respondeu, sequer se virou. Sentiu apenas seu sangue derreter e sua cabeça explodir.
Ele não se aproximou. Sereno, apenas disse – Não quer conversar? Você acredita mesmo que eu seria capaz disso? – ele perguntou, com um olhar ingênuo.
Ela permaneceu quieta, apenas olhando a cidade molhada, através da janela daquela maldita área de serviço.
- Você realmente não quer nem um amigo? – ele insistiu.
Ela se virou abruptamente, com ódio. Ódio e ódio e ódio. Cuspiu as palavras como se as mesmas fossem balas de artilharia, prontas para acertá-lo, prontas para derrubá-lo morto ao chão – Amigo? Amigo? Ora, vá se foder, seu grande babaca. Quem você pensa que é? Quem você pensa que é? – gritou, descontrolada – Você acha que eu quero mais alguma coisa com você? Você acha que isso é possível? Depois de toda a merda que você fez?
Ele encarou-a assustado, sem dizer nada.
- Você acha que eu tenho algum sentimento por você além de raiva e ódio e desprezo? Você acha? Você conseguiu, querido, você conseguiu, depois de muito tentar, foder de vez com a minha, com a sua, com a nossa vida. Você conseguiu foder com tudo. Mas, claro, você deve estar feliz, afinal você é especialista nisso, não? Você é especialista em magoar e foder e destruir. Especialista em egoísmo e dor.

Ele ficou apenas quieto. Sabia que não havia como voltar atrás. Sabia que ela estava certa. Sabia que ela não o perdoaria ainda mais uma vez. Sabia que ele sempre fodia tudo. Sempre.

Fitou-a uma última vez com um carinho incomum e cruel e virou-se de costas, deixando-a sozinha, também por uma última vez.

Ela apenas o viu ir embora para, depois, sentar-se no chão frio daquela área de serviço.

Ficou ouvindo as risadas e as conversas na sala de estar, desejando, como nunca desejou antes, que seus sonhos nunca mais se tornassem pesadelos. Nunca mais.


12.12.03

tou invadindo seu blog. ainda tá com umas palas. =/

fala se gostou... se não, eu faço outro! =D

izis

11.12.03

estou quase de volta...pronto para mais uma.
posso pedir uma canção???

8.12.03

SURFBOARD

Ele olhou ao seu redor e percebeu, enfim, pela primeira vez naquela porra de verão, como o dia estava bonito e colorido. Como os dias ERAM bonitos e coloridos. Como caleidoscópios, como caixas mágicas. Caralho, eu não havia percebido esse sol – ele pensou, surpreso – Até que enfim me dei conta disso...

De fato, tudo agora parecia diferente. O céu estava azul, as pessoas estavam sorrindo, o sol estava quente, as ondas estavam frias, a crianças apenas gritos e os sorvetes, derretendo.

Ele parou de respirar por um minuto para apenas

...

observar aquela movimentação toda. A movimentação da vida, a movimentação das pessoas, a movimentação da areia nos seus dedos sujos de cigarro barato, a movimentação lerda e lesada com a qual não estava mais acostumado.

Ele não estava mais pensando nela.

Deu um sorriso e levantou-se sem pressa. Limpou a areia que estava grudada em sua perna e espreguiçou-se com força, como se seus músculos fossem de brinquedo e seu corpo fosse um fantoche.

Olhou a onda quebrando no mar, colocou seu chapéu e seus óculos escuros e respirou profundamente a brisa do surfboard que vinha do mar.

Acendeu um cigarro para chocar o seu pulmão e foi caminhando, sem saber para onde ir, porém, feliz para caralho com todas as suas incertezas. Apenas muito feliz.


Estou devendo...e-mails e mais e-mails...essa semana...me aguardem

3.12.03

Pensei em desistir de tudo que escrevo por aqui. Desistir mesmo. De vez.

Não para chamar a atenção, mas apenas por reconhecer que me falta o oxigênio para escrever, me falta a vida para escrever.

Mas mudei de idéia. Como bom inconstante que sou.

E fico feliz por ter minha vida de volta.

Ainda hoje um conto sobre dia de sol, areia branca quente e mar frio.

Bem frio.