12.8.03



PALAVRAS E MANHÃS DE SOL

Ele abriu os olhos, devagar, e percebeu que provavelmente estava um puta sol naquela manhã de sábado. A claridade estava muito intensa dentro do quarto e, mesmo com a persiana fechada, dava para sentir o sol. Ele girou os olhos e deu um sorriso. Ela estava ao seu lado. Dormindo. Ele movimentou seu corpo devagar e saiu da cama sem fazer qualquer ruído. Foi ao banheiro, não sem antes admirar por alguns instantes o corpo dela, lindo, nu em sua cama. Ele estava feliz. Muito feliz.

Assim que saiu do banheiro, sua voz suave e doce e adoravelmente rouca preencheu o pequeno quarto.

- Já acordado? – ela perguntou, preguiçosa.
- Bom dia.
- Bom dia – ela respondeu, tentando cobrir parcialmente o seu corpo com o pequeno lençol de solteiro.
- É cedo ainda – ele disse – Não quer dormir mais um pouco?
- Não. Cansei.
- De dormir? – ele perguntou, com um sorriso.
- Não. Cansei de sonhar dormindo. Quero acordar. Quero viver. Quero gritar. Quero dar as boas vindas ao nosso amigo sol – ela respondeu, feliz.
- Então faça isso, querida. Então faça isso. Dá para começar hoje. Está um lindo dia de sol – ele disse, enquanto acariciava os seus cabelos – Vou preparar o café.

E enquanto vestia uma camiseta antiga qualquer, ele escutou, atrás dele, aquela voz suave e doce e adoravelmente rouca dizer baixinho, num tom quase inaudível – Te amo.
Ele virou-se surpreso e, com os olhos brilhando de luz e quase lágrimas, disse – Como?
- Eu te amo senhor Carlos Eduardo, vulgo Cadu. Eu descobri que simplesmente te amo. Preciso dizer mais? – emendou, alegre.
Ele caiu sobre a cama e disse, feliz – Parece um sonho, sabe? Eu preciso te dizer que eu também te amo? Depois de todo esse tempo?
Ela sorriu e respondeu, tranqüila, abraçando-o com muito amor – Claro que não. Seus olhos já me disseram tudo. Já me disseram tudo.

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