29.8.03



DIAS ASSIM...CINZAS OU COLORIDOS

- Vamos desistir dessa porra de aula e rodar por aí? – sugeriu Caco, assim que Laura entrou no carro.
- Quê? – ela disse, ainda tonta pelo sono.
- Ah, confessa, essa uma idéia genial para essa hora da manhã – ajudou Nando, sentado com um cigarro no banco de trás do veículo – Pensa bem. Hoje é quinta feira, não estamos com a menor vontade de ficar trancados em uma estafante sala de aula, estamos com o tanque desse carro velho totalmente cheio, estamos com vários cd´s legais aqui e, melhor, temos que celebrar a sua viagem insana e inconseqüente que, lembre-se, será daqui pouco mais de um mês. Vamos embora. Hey Ho, babe, que pensa? – completou com um sorriso.
Laura olhou para os dois lunáticos, seus amigos de muito tempo e, com um sorriso bem menos amanhecido, sentenciou – Não precisa nem repetir. Vamos embora.

Caco ligou o carro e eles saíram acelerados, sem rumo certo, sob sorrisos e palavras. Rodaram e rodaram e rodaram e acabaram no litoral, numa praia deliciosamente vazia pelo dia totalmente nublado e chuvoso.

Ficaram por lá o dia todo. Beberam, fumaram, andaram, correram na areia, ouviram música, sorriram, sonharam, enfim, viveram, como todo dia deveriam viver, como todo dia poderia ser.

- Adoro dias cinzas de verão. Especialmente finais de tarde como esse. Adoro assistir a noite surgindo em dias cinzas – Caco disse, assim que os três amigos sentaram num tronco caído na areia – Acho tragicamente poético, deliciosamente vivo.
- Eu também – concordou Laura – Dias cinzas são confortáveis e, por mais estranho que possa parecer, transformam em coloridos todos os meus doloridos pensamentos cinzas. Minha vida nublada e aborrecida.
- O que é isso, Lalau? Enlouqueceu? – emendou Nando, contrariado - O que tinha que acontecer de ruim contigo já aconteceu, relaxa. Emprego perdido, vaga no ballet do Muncipal rejeitada, namorado roubado, família pirada, idéias perdidas, enfim, tudo o que se poderia imaginar e, pior, de uma vez só. Tudo ao mesmo tempo. Porra, nada mais pode te atingir querida – finalizou, sorrindo.
Laura fez um gesto gentil com a cabeça e, mexendo em seus longos e tumultuados cabelos vermelhos, retribuiu o sorriso, porém sem qualquer convicção.
- Ele tem razão Lalau, toda a razão. Detesto concordar com o Nando, mas, desta vez, ele tem toda a razão dessa droga de mundo. Você precisa acostumar-se. Essa É a sua vida - enfatizou. E se eles não entendem, que se fodam todos. Simplesmente que se fodam. O máximo que você pode fazer é divertir-se, e muito, com essa sua vidinha besta, porém adorável. Divirta-se. Sempre. De preferência, conosco – disse, quase gargalhando.

Ela abraçou os dois, com força e, segurando as lágrimas disse, contida – Vou sentir falta de dias cinzas em Londres. Com toda a certeza.
- Ei? – disse Nando, indignado e buscando esconder o desespero da despedida – Isso é impossível, impossível. O que mais tem em Londres são dias cinzas, querida.
Ela o olhou com carinho e disse, animada - Mas não dias como esse... definitivamente ... não dias como esse.





...sumi, mas já voltei...



GRAVANDO E APAGANDO MENSAGENS

Cansado, ele entrou em casa percebeu que havia mais de cinco mensagens telefônicas gravadas na sua velha secretária eletrônica. Ouviu parcialmente todas, na seqüência. Todas da mesma pessoa. Todas as malditas mensagens eram dela. Todas. Não chegou a ouvir nenhuma inteira. Apagava-as, tão logo ouvia aquela voz irritante no aparelho. Aquela voz irritante que tão bem ele conhecia. Desistiu do telefone, acendeu um cigarro e encheu um copo gigante de vodka. Sentado no escuro da sala descobriu, triste, que não sabia o que era perdão. Sorriu sozinho e respirou aliviado. Descobriu que melhor e mais cruel do que não saber perdoar, é não se importar com isso. Simplesmente não se importar.

22.8.03



QUANDO AS CARTAS SÃO DEVOLVIDAS POR AUSÊNCIA DE ENDEREÇO

Ela abriu sua pequena caixa de papéis antigos, textos mal escritos e fotos amarelas e feias, e mal acreditou na carta que encontrou...

“Então você se acha assim mesmo? Um misto de erros e trapaças e enganos e fracassos. Uma piada. Uma piada sem graça. Uma pessoa a quem ninguém leva a sério, nem mesmo você. Uma pessoa desprovida de qualquer capacidade de as pessoas gostarem de você. Uma pessoa que pensa que a solidão pode aliviar sua dor, sua dor em existir, sua dor por não amar, sua dor por não compreender que você não é o centro do universo e que as pessoas não querem ser sua amiga. Não, querida, você está errada. Você não é nada disso. Você apenas precisa aprender que a vida não é feita de inverno e dias cinzas. A vida é feita de sonhos, de sol, de noite, de fúria, de desejos, de energia, de sorrisos e, claro, também de coisas ruins, desagradáveis e incômodas. Mas, ora, você está viva ou o quê? Você precisa aprender a ser você. Apenas ser você. Ninguém pede mais do que isso. E se todos te tratam como uma piada e não percebem que você quer chorar e quer gritar, mande todos para o inferno. É lá o lugar das pessoas tolas. O que nunca foi o seu caso, muito embora você ainda acredite nisso.
Te amo


E ela sorriu. Não acreditou que havia escrito aquela carta e nem lembrava que ela ainda existia. A carta que ela escreveu para ela mesma, ainda adolescente, numa solitária tentativa de aquecer seu coração numa solitária noite chuvosa de inverno. E por mais que ela ainda gostasse da noite e dos tons cinzas, sorriu com carinho ao perceber que aquelas palavras somente fariam sentido agora, anos depois, numa quente manhã de verão...



...nunca fiz isso...uma continuação. Estranho...


A CONTINUAÇÃO DO CONTO ANTERIOR...

Após o silêncio, ele decidiu ir embora. Tão logo ele fechou a porta para sair da sua vida, ela permitiu a primeira lágrima escorrer inteira pelo seu rosto. E ela sufocou o grito, muito mais por ele ainda estar por perto e poder ouvi-lo do que pela ausência de vontade em pronunciá-lo. E ela entrou em desespero e pensou que estava tudo errado na sua vida. Na sua ridícula vida. Que, no fundo, porra, não era nada ridícula, era apenas como a de todos nós. E enquanto chorava, ela sentia como se tivesse tomado um dos maiores golpes da sua vida. Um golpe forte, um soco pesado e violento. Uma porrada daquelas que machucam, que deixam marcas, que causam danos, mágoas. Daquelas que ferem. Que faz sangrar. Ela sentia como seu supercílio estivesse aberto. Como se o sangue jorrasse pela sua tez. Como se o sangue jorrasse e a sua mistura com o rio de lágrimas que ela produzia, criasse uma espécie de tinta psicodélica, uma espécie de tinta triste, uma espécie de tinta escura, vermelho sangue, utilizada para criar quadros sombrios, rejeitados, infelizes. Ela jamais pôde imaginar que a verdade contida nas palavras dele seria capaz de combater o seu amor. Jamais. E ela ficou andando de um lado para outro na sala, chorando e fumando e chorando e fumando e bebendo e andando e pensando e chorando e sem saber para onde ir ou mesmo sem saber o que fazer. Até que a noite morreu, o dia nasceu e ela desistiu. Jogou-se no chão como nocauteada. Como uma lutadora derrotada, sufocada em ferimentos, cuspindo sangue e sujando o chão com o que sobrou dos seus dentes. E ela ficou deitada por horas até o sol bater em sua cara como se fosse uma caixa de primeiros socorros caindo do décimo andar. Mesmo ferida, talvez eu ainda possa lutar – ela pensou, esboçando um sorriso – Caralho, é lógico que eu vou lutar. Pelo resto da minha vida...


18.8.03



QUANDO O SOL DEMORA DEMAIS PARA NASCER E A LUA, CRUEL, NADA FAZ...NADA FAZ...

- Vamos dançar Nando? – Ciça disse, com um dos seus maiores sorrisos.
- Agora? Já é quase meia noite. Você quer sair? – perguntou.
- Não. Subimos no telhado do prédio. Situação não usual. Diversão garantida. Aproveitamos e dançamos admirando a cidade, as luzes, a noite, os prédios.
- Claro – disse Nando, levantando e pegando seu casaco.

E o edifício era daqueles antigos, típica construção dos anos sessenta, com um terraço gigante, enorme, cheio de pastilhas coloridas e com um amplo espaço vazio, perfeito para se admirar a noite, perfeito para danças noturnas, perfeito para sonhos românticos.

- Não acredito! – Nando disse, assim que chegou ao topo do prédio – Você colocou essas velas? E essas flores? E esse rádio? Ficou lindo Ciça...absolutamente lindo.
- Fico feliz que tenha gostado. É para você. Para nós dois.
- Ciça, eu preciso falar com você – disse Nando, sério.
- Depois querido, agora eu quero dançar.

E dançaram e dançaram e dançaram... por momentos que mais pareceram horas, eles dançaram felizes, quase como crianças.

- Nando? – Ciça disse, quase tímida, enquanto observavam o barulho da noite
- Sim?
- Nunca te disse antes, mas eu te amo...desculpe. Eu precisava dizer isso.

Depois de breves segundos de silêncio, ele respondeu – Ciça, Ciça... eu não sei o que te dizer. E eu não quero te machucar e eu não quero te ferir. E eu precisava ter tido coragem para ter te falado antes. Eu não queria ser canalha. Ao menos hoje não. Não podemos mais ficar juntos.
- Eu sei. Eu sei. Não precisa dizer nada.
- Ciça...eu não te amo. Ao menos não da forma como você gostaria.
- Eu já havia percebido – ela disse, tentando conter as lágrimas – Eu já havia percebido. Inútil tentativa de recuperar o que se perdeu. Desculpe-me.
- Nunca é inútil – Nando tentou animá-la – Nunca. Você fez o certo. Espero que não me odeie.

Ela o abraçou com força e disse, chorando baixinho – Sabe o que é mais irônico? No dia em que fui mais feliz, por ter tido a coragem de dizer tudo aquilo que sempre evitei, fui, também, a pessoa mais triste desse mundo. Por exclusiva culpa minha...por exclusiva culpa minha...
- Irônico... – ele afirmou, abraçando-a com força.

E ficaram ali, por horas, tristes e calados, esperando a noite sair de cena. Tristes e calados, tristes e calados...



13.8.03



Acrescentei alguns links de blogs bacanas que ando lendo...visitem...vale a pena

12.8.03



PALAVRAS E MANHÃS DE SOL

Ele abriu os olhos, devagar, e percebeu que provavelmente estava um puta sol naquela manhã de sábado. A claridade estava muito intensa dentro do quarto e, mesmo com a persiana fechada, dava para sentir o sol. Ele girou os olhos e deu um sorriso. Ela estava ao seu lado. Dormindo. Ele movimentou seu corpo devagar e saiu da cama sem fazer qualquer ruído. Foi ao banheiro, não sem antes admirar por alguns instantes o corpo dela, lindo, nu em sua cama. Ele estava feliz. Muito feliz.

Assim que saiu do banheiro, sua voz suave e doce e adoravelmente rouca preencheu o pequeno quarto.

- Já acordado? – ela perguntou, preguiçosa.
- Bom dia.
- Bom dia – ela respondeu, tentando cobrir parcialmente o seu corpo com o pequeno lençol de solteiro.
- É cedo ainda – ele disse – Não quer dormir mais um pouco?
- Não. Cansei.
- De dormir? – ele perguntou, com um sorriso.
- Não. Cansei de sonhar dormindo. Quero acordar. Quero viver. Quero gritar. Quero dar as boas vindas ao nosso amigo sol – ela respondeu, feliz.
- Então faça isso, querida. Então faça isso. Dá para começar hoje. Está um lindo dia de sol – ele disse, enquanto acariciava os seus cabelos – Vou preparar o café.

E enquanto vestia uma camiseta antiga qualquer, ele escutou, atrás dele, aquela voz suave e doce e adoravelmente rouca dizer baixinho, num tom quase inaudível – Te amo.
Ele virou-se surpreso e, com os olhos brilhando de luz e quase lágrimas, disse – Como?
- Eu te amo senhor Carlos Eduardo, vulgo Cadu. Eu descobri que simplesmente te amo. Preciso dizer mais? – emendou, alegre.
Ele caiu sobre a cama e disse, feliz – Parece um sonho, sabe? Eu preciso te dizer que eu também te amo? Depois de todo esse tempo?
Ela sorriu e respondeu, tranqüila, abraçando-o com muito amor – Claro que não. Seus olhos já me disseram tudo. Já me disseram tudo.



BOA VIAGEM

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(DEUS - SERPENTINE)


- Então é isso Bia? – Gloria perguntou, com uma certa tristeza no olhar.
- Receio que sim. Receio que esse é o momento de dizermos “até a volta”. E pode apostar que eu vou voltar. Quando? Não sei, mas vou voltar.
- Vai me escrever, pelo menos?
- Claro que sim Glorinha. Claro que vou. Uma carta por cada sentimento que eu tiver que dividir com você. Uma carta por cada novidade, enfim, milhares de cartas.
- Espero que você não esqueça disso – pediu, enquanto abraçava com força a amiga.
- Claro que não vou esquecer. Claro que não.
- Você não precisava ir, precisava? – perguntou Gloria, fazendo força para não chorar.
- Querida, você sabe que sim – respondeu Bia, com um sorriso terno – Você sabe que eu preciso fazer isso. Que eu preciso encontrar e colar bem colado todos os estilhaços em que me transformei. Você, mais do que ninguém, sabe como eu estou feliz com tudo isso. Como estou feliz em poder ir.
- Tem razão Bia. Desculpe-me. Você tem toda a razão. Você merece ser feliz e eu estou muito feliz por você. De verdade. Espero que entenda esse rio de lágrimas. Você vai fazer muita falta.
- Eu entendo querida, eu entendo. Mas vou estar por perto. Pode apostar.
- Então vá. É seu avião que estão chamando agora, não? Vá antes que você o perca – disse, quase gaguejando.
Bia a olhou com muito amor e lhe deu um forte abraço e um beijo. Gloria disse – Vá, vá, e cuidado com o dinheiro e com seus documentos e não beba e não fume demais. Sei como você é. Seja cuidadosa.
- Pode deixar querida, pode deixar – disse Bia, mergulhando entre a multidão, não sem antes virar e mandar um beijo carinhoso com a mão para a amiga que a observava naquele frio e triste saguão de aeroporto – Eu vou estar por perto – gritou Bia, para surpresa dos guardas do aeroporto – Eu vou estar por perto. Até a volta.
- Boa sorte querida, boa sorte. Seja feliz... – disse Gloria baixinho, entre lágrimas e sorrisos e saudades.



Serpentine
(Deus)


"I'm caught in the flow of things
My memory's a broken machine
This is how my day begins
This is just one day unseen

Lets do it serpentine any time
Lets do it right here
Lets do it serpentine, i don't mind
Lets do it right here

It is bad that you're good for me
Did I love you just randomly?
I'm caught in the flow of sound
And you're just some melody

Let's do it serpentine, any time
Let's do it right here
Lets do it serpentine, i don't mind
Lets do it right here

There's a cute little litany
Put it on my shoulder
Eight o'clock and we agree
It makes me look much older

Got my clockwork company
Got my dark green trenchcoat on
I'm sure it will always be
Someone staying and someone gone

Let's do it serpentine, any time
Let's do it right here
Lets do it serpentine, i don't mind
Lets do it right here
"

7.8.03



FELIZ DEZ ANOS (PASSADOS)

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(REBEKAH DEL RIO – LLORANDO (CRYING))


– Feliz ano novo! - ela gritou, feliz e com um dos sorrisos mais lindos que ele jamais havia visto.
- Feliz 1993 – ele respondeu, dando-lhe um abraço apertado.
- Não acredito que estamos mais uma vez celebrando toda essa loucura, juntos – ela disse.
- Nem eu querida. Nem eu.
- E cada vez mais amigos. Cada vez mais próximos. Cada vez mais irmãos.
Ele sorriu e disse, vibrando – Toma mais um gole. Esse espumante de quinta categoria vai renovar seu espírito para o ano que começa agora.
Ela virou um gole direto no gargalo e retrucou – Bem, se vai renovar alguma coisa, isso eu não sei, mas que vou ficar completamente chapada, isso eu tenho certeza.
- E isso é só o começo da nossa amizade – ele advertiu.
- Porra, e como – ela respondeu – Você vai ter que agüentar a velhinha bêbada aqui durante vários e vários anos.

- Olha a pose do casal –gritou de surpresa Paulo, amigo dos dois e o único munido de uma câmera fotográfica para registrar o “lunático reveillon” daquele jovem grupo de amigos naquela praia cheia de areia, garrafas, velas, desejos e esperanças. Os dois se abraçaram e o momento se registrou.

- Feliz 1993! – disseram, em coro.
- Para vocês também – respondeu Paulo – Pode deixar que eu dou a foto depois. Ficou linda. O lindo retrato de uma amizade.
- Por toda a eternidade – ela gritou.
- Por toda a eternidade – gritaram, juntos
”.

Sua cabeça não parava de reproduzir, de maneira exaustiva e claustrofóbica, todo esse diálogo. Lá estava ele sozinho naquela noite cheia de ruídos e estrelas, com uma foto amarelada e amassada nas mãos e uma vida inteira na lembrança.

Sozinho até o telefone tocar.

- Alô – disse, distraído.
- Oi. Te acordei?
- Não, mãe. Estava arrumando a mala – respondeu.
- Liguei para desejar uma boa viagem e uma ótima passagem de ano querido. Te amo.
- Também te amo, mãe. Obrigado. Feliz ano novo para você amanhã. Se der eu te ligo.
- Pode deixar. Nos falamos quando você voltar – ela disse.
- Tá. Tchau.
- Tchau querido. Feliz 2003!
- Feliz 2003 – ele respondeu.

Assim que desligou o telefone ele olhou novamente para a amarelada fotografia em suas mãos – Amigos por toda a eternidade. Tá bom! - pensou, com ironia e crueldade – Sete anos...sete anos sem nos falar...por onde será que ela anda? – prosseguiu – Foda-se! Pouco importa. Feliz 2003 e chega dessa porra de música espanhola – sentenciou, socando o cd player, para depois jogar a fotografia dentro de um velho baú e preparar, em paz, sua mala de viagem, sua vida de ano novo...



Llorando (Crying)
(Rebekah Del Rio – Trilha Mullholand Drive)


"Yo estaba bien
Por un tiempo
Volviendo a sonreir
Luego anoche te vi
Tu mano me tocó
Y el saludo de tu voz
Te hablé muy bien
Tú sin saber
Que he estado llorando
Por tu amor
Llorando por tu amor
Luego de tu adiós
Sentí todo mi dolor
Sola y llorando
Llorando
No es fácil de entender
Que al verte otra vez
Yo esté llorando
Yo que pense que te olvide
Pero es verdad es la verdad
Que te quiero aun mas
Mucho mas que ayer
Dime tu que puedo hacer
No me quieres ya
Y siempre estare
Llorando por tu amor
Llorando por tu amor
Tu amor se llevo
Todo mi corazon
Y quedo llorando
llorando, llorando por tu amor."

4.8.03



DETESTANDO SÁBADOS, DOMINGOS, SEGUNDAS, TERÇAS...

POR FAVOR, USE OS HEADPHONES
(TORI AMOS – I DON´T LIKE MONDAYS)


Ele estava sem muito saco naquela noite de sábado, mas, ainda assim, graças à insistência deles, resolveu sair com os seus amigos para beber, dançar, conversar, fumar, enfim, viver uma típica noite de sábado como faz todo ser humano que está...vivo. E, ainda que não fosse esse exatamente o seu caso, lá foi ele, mais uma vez, ao Clube Varsóvia, para sentar e fumar um Marlboro atrás do outro, enquanto os seus amigos dançavam e se embriagavam.

E enquanto a música preenchia o ambiente de modo devastador e o álcool começava a cumprir o seu papel de desinibidor supremo, ele fez exatamente como a sua mente solitária havia, cruel e repetidamente, planejado antes da chegada dos seus amigos. Ficou prostrado em uma cadeira nada confortável do Varsóvia, ouvindo o som e apenas olhando a diversão, como se ela não lhe fosse jamais permitida.

Mas o acaso conspira.

Entre um cigarro e outro, ele percebeu uma garota dançando numa mesa próxima à qual ele estava sentado. Uma garota linda. Linda de verdade. Com longos cabelos castanhos e, Deus, como ele adorava longos cabelos castanhos. De imediato ficou encantado com a garota. Ela dançava freneticamente com movimentos adoravelmente desajeitados e doces. Não dançava muito bem, mas isso pouco importava, já que certamente dançava com vontade, com um estranho e suave sorriso estampado no rosto, que a deixava absolutamente sedutora e o deixava absolutamente hipnotizado. Curvado. Apaixonado.

Não demorou, a linda garota de longos cabelos castanhos percebeu aquele olhar intruso e repetido. E assim que o fez, sorriu para ele, desajeitada.

Mas sempre o medo se repete.

Ele retribuiu o sorriso, tímido, e ficou pensando se deveria ou não conversar com aquela linda garota. Quando finalmente se decidiu ele percebeu que ela estava acompanhada. Ficou feliz por ter decidido ir embora, sem trocar uma só palavra com a linda garota de cabelos castanhos.

Assim que se levantou olhou ainda mais uma vez para ela que, doce, devolveu o olhar carinhoso, como se retribuísse todo o desejo exibido em seu olhar.

E as noites acabam sempre iguais.

Ele partiu do Varsóvia sem se despedir de ninguém. Assim que entrou no táxi, pediu ao motorista que ligasse o rádio e tentou, de toda a forma, esconder a vontade que tinha de rir de sua própria idiotice, de rir da sua própria estupidez, de rir do seu próprio medo, enfim, de chorar, da sua própria realidade.

Era uma noite de sábado...mas para ele, era sempre segunda de manhã...uma fria e solitária manhã de segunda...



I Don´t Like Mondays
(Boomtown Rats, versão Tori Amos)


The silicon chip inside her head
gets switched to overload
and nobody's gonna go to school today
she's gonna make them stay at home
And Daddy doesn't understand it
He always said she was good as gold
And he can see no reason
Cos there are no reasons
What reasons do you need to be shown

Tell me why
I don't like Mondays
I want to shoot
The whole day down

The telex machine is kept so clean
and it types to waiting world.
And Mother feels so shocked
Father's world is rocked
And their thoughts turn to
Their own little girl
Sweet 16 ain't that peachy keen
No it ain't so neat to admit defeat,
They can see no reasons
Cos there are no reasons
What reasons do you need to be shown

All the playing's stopped in the playground now
She wants to play with her toys awhile
And school's out early and soon we'll be learning
That the lesson today is how to die
And then the bullhorn crackles
And the captain tackles
With the problems and the how's and why's
And he can see no reasons
Cos there are no reasons
What reasons do you need to die



eu quero escrever sobre sombras e sorrisos, sobre sol e lágrimas, sobre contrastes, sobre vida, sobre o que realmente importa. Nunca pensei que fosse tão difícil...



Alguém conhece alguma editora de livros? Perguntar não ofende, né?
Obrigado...