17.6.03



NAMORADOS...

Eles eram dois adolescentes. Dois adolescentes descobrindo o mundo, descobrindo a vida, tentando, experimentando, buscando saídas e caminhos e o que mais fosse necessário para ser feliz. Eles eram apenas dois adolescentes. Adoravam estar juntos. Precisavam se falar praticamente todos os dias. Precisavam se VER praticamente todos os dias. Adoravam estar grudados.

Eram adolescentes...

E o tempo foi passando e passando e passando. E, de repente, eles ainda adoravam estar juntos e ainda adoravam se falar todos os dias e ainda precisavam se VER todos os dias e ainda adoravam estar grudados, mas não de um modo pesado, sufocante, asfixiante. Apenas de um modo tranqüilo, feliz, em paz. Como somente quem ama MUITO é capaz de sentir...

E depois de todo esse tempo – anos - lá estavam os dois, com rugas, ainda mais uma vez, sentados na fofa areia daquela praia, naquele dia nublado como o chumbo.

- E quantos anos faz hoje? – ele perguntou, enquanto acendia um cigarro e abria uma cerveja.
- Que estamos juntos? – ela respondeu, com um sorriso gostoso nos lábios, ajeitando o seu velho chapéu de palha, mais apropriado para um dia de sol do que para aquele dia de chuva.
Ele retribuiu o sorriso e disse – Exato.
- Estamos juntos o tempo suficiente para eu saber que dificilmente vou deixar de te amar. O tempo suficiente para eu saber que sou feliz como nunca e o tempo insuficiente para te ter por perto, porque, meu querido, isso eu quero por todo o resto da minha vida. Ainda que ela esteja próxima do fim.
- Me dá um beijo agora vai... – ele pediu feliz, apenas feliz como uma criança e apaixonado como qualquer um de nós, como sempre, e cada vez mais...



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