6.3.03



A CONTRACAPA DO ALMANAQUE DOS SONHOS...

Ele estava sentado no chão frio, ao lado da cama, totalmente no escuro. Ele fumava um cigarro e a brasa rala do mesmo era o único fiapo de luz que podia ser percebido no quarto. Ele sentia um vazio quase indescritível. Nada de sono. Ausência total de vontade de dormir. Ele estava muito desperto. E desesperado. Sabia que havia errado e Puta que pariu, eu sempre erro – pensava. Estava de saco cheio disso. Já fazia três semanas e ele, todos os dias, tinha vontade de ligar e se desculpar e saber como ela estava. Pensava que poderia apagar todos os erros que cometeu, todas as besteiras que disse, todo o medo que sentiu, apenas com um telefonema. Ele queria de volta a vida dela. Para poder dormir em paz ou para faze-la efetivamente feliz? Não sabia a resposta. Ao menos não naquela noite escura. Não naquela noite.

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