27.2.03



POSSO PEDIR DESCULPAS?

Eu vou atualizar isso aqui...estou no meio de uma tempestade de coisas para fazer e não tem sobrado muito tempo para fazer o que gosto...escrever, por exemplo...mas eu prometo escrever e amanhã, antes do carnaval, postar um conto sobre isso, inclusive, carnaval...

Alguém espera?

21.2.03



MANDANDO BEIJOS

hey pessoas…obrigado. Lógico que não vou desistir por causa de um e-mail babaca. Aliás, pouco me importa a média de visitas. Isso realmente não me importa. Me importa é alguém perder o tempo para me encher o saco. Mas vocês são ótimos amigos e adoro vocês por aqui. E isso é MUITO legal. E vocês sabem quem VOCÊS são...beijos a todos...e me fazem sorrir...sempre...thanx...so, let´s go to the paradise babies...right now...adoro vocês...

...olha a estrada que temos pela frente...melhor começar a viagme logo, né?





SMILES

Eles não paravam de rir. Estavam absolutamente enlouquecidos naquela noite. Tudo era motivo de risadas cúmplices, de sorrisos bobos, de piadas adoravelmente nonsense. Eles estavam felizes. Estavam contentes por terem um ao outro. Por terem um ao outro e estarem lá, juntos, ouvindo aqueles discos legais, fumando aqueles cigarros amassados, escutando o barulhinho bacana da chuva no quintal. E eles caíam na gargalhada, apenas de olhar um para o outro. Eles riam como se nada mais importasse além de uma boa paixão e estar bem e feliz. E enfim a noite morreu e o sol chegou, brilhante e histérico, como se estivesse sorrindo também...



20.2.03



POSSO NÃO DESISTIR?

eu escrevo esse blog há quase sete meses. E não é fácil escrever estórias, desenterrar memórias, abrir segredos...e sabe o que recebo no e-mail? "Hey, sua média de visitas é tão baixa...você acha que alguém se interessa? Que alguém quer ler o que escreve? "...e eu preciso responder e pensar que sim. Não importa se é uma, duas ou três pessoas...quem perde um minuto do seu precioso dia entrando aqui é uma pessoa muito importante para mim...uma pessoa muito especial...porque quer saber o que escrevo e não há felicidade maior do que essa...
obrigado...espero não desistir tão fácil assim...



LOVE BURNS

- Desculpe, eu esqueci o seu nome... - ele disse, tímido
- Cristine - ela respondeu animada.
- Desculpe. Sou péssimo com nomes. Mas sou bom fisionomista. E dificilmente eu me esquecerei de você. Também, com esses olhos...
- Olhos de que espécie?
- Lindos - ele disse, sorrindo.
- Obrigado. Você é gentil.
- E você é linda. E essas tatuagens são lindas...
- Você não quer tomar mais uma vodka? - ela perguntou
- Melhor não. Ela já deve estar saindo do banheiro e você sabe, tenho que levá-la para casa. Amanhã acordamos cedo.
- Bem, você é quem sabe - ela respondeu, com um olhar atrevido.
Ele apenas sorriu e disse - Cristine...não esquecerei esse nome.
- Espero que não - ela disse - Espero que não...





NINGUÉM NUNCA SE IMPORTA...NUNCA

Ninguém se preocupava com ele, muito embora o mundo sempre esperasse que ele resolvesse os seus problemas. Todos os seus problemas. E, no fundo, ele queria que todos explodissem. O mundo, os seus amigos egoístas, sua família egoísta, enfim, todos, todos aqueles que esperavam que ele conseguisse carregar um peso muito maior do que aquele que ele efetivamente podia suportar. Ele queria que o mundo soubesse que ele era capaz de chorar, capaz de sofrer, capaz de não ser capaz. Ele apenas queria ser normal e poder ser carente de vez em quando. Será que isso era pedir demais? Sua melhor amiga dizia, com frequência, que ele só não nasceu anjo por acaso e por algum engano divino. Quer saber? - ele pensava - Fodam-se os anjos...simplesmente fodam-se todos eles...





NADA

- Não chora - ele pediu
- Por que? - ela perguntou - Apenas para você se sentir melhor?
...e ficaram lá, em silêncio, por horas e horas e horas...apenas escutando a noite.

18.2.03



REGANDO AS FLORES COM LÁGRIMAS

Ele apenas queria expressar o seu amor de alguma forma. Ainda que ela não o entendesse. Ele queria demonstrar que a amava verdadeiramente. Queria demonstrar que se importava com ela, que pensava nela, que queria o seu bem, a sua felicidade, o seu sorriso. Queria demonstrar todo esse amor, fosse através de uma pintura, de uma música, um poema, um cartaz, uma faixa, uma pichação, um cd, o que fosse. Ele apenas queria que ela soubesse. Ele apenas queria que ela soubesse que ele a amava. E ele esperou. Esperou e esperou e esperou o momento que ele julgou apropriado. E tal momento finalmente apareceu.

Só que tudo deu errado.

O estrago foi feito, não havia remédio e já era tarde demais para voltar atrás. Tarde demais. E ele resolveu que não iria chorar. Decidiu que o mundo poderia muito bem se foder. Preferiu ir ao Clube Varsóvia dançar e dançar a noite toda, como se o amanhã fosse algo simplesmente inexistente. Como se o amanhã fosse uma planta regada com lágrimas de pessoas tristes que se arrependem pelo que não fizeram. Esse sim o pior crime do mundo...esse sim...





SENDO ALVO E GOSTANDO DISSO...MESMO SEM SABER A RAZÃO

Ele estava sentado em um balcão de uma padaria no centro da cidade, perto do seu trabalho. Havia saído tarde aquela noite. Já passava das três horas da manhã. E como era sexta feira e a semana tinha sido “metal pesado” e ele já estava cansado disso, após anos e anos de trabalho, decidiu que Deus lhe autorizara a tomar algo bastante alcoólico naquela noite. Apenas para sorrir um pouco - justificou.

- Você tem isqueiro? – ela perguntou
- Não. Não fumo – ele respondeu para a garota que lhe havia feito tal pergunta.
- Nem eu, por isso não tenho isqueiro – ela retrucou

Diante de tal comentário ele afastou os seus óculos e virou lentamente os seus olhos para a direita, de forma a observar melhor a moça que havia lhe pedido o tal isqueiro. Devia ter um pouco mais da metade da sua própria idade.

- Não fuma? Então porque diabos me pediu um isqueiro? – ele disse
- Porque eu estou precisando fumar a porra de um cigarro – respondeu, balançando um Marlboro bastante amassado, por entre os seus dedos.
- Tá. Tudo bem, mas se você não fuma, não vejo razão para começar agora.
- Querido, você não é a minha mãe, o meu pai e nem tampouco a minha vó. Então, caso você tenha possibilidades de fazer essa porra acender, ótimo. Do contrário, não precisa ficar aí, fazendo qualquer espécie de sermão. Não tô com saco. Aliás, o menor saco.

Ele observou melhor aquela garota. Ela devia ter uns vinte e um, vinte e dois anos de idade. Era bonita, mas estava verdadeiramente destroçada. Devia ter saído de casa com bastante maquiagem, mas a mesma era só pó aquela altura da noite. Dava para perceber as manchas causadas pelas lágrimas. Sim, definitivamente, ela chorou bastante aquela noite. Havia uma tristeza inconfundível em seus olhos negros e profundos. E isso ele percebia bem. Sabia como eram as marcas de lágrimas.

- Não tenho isqueiro, mas tenho conhaque, quer? – ofereceu uma dose.
- Obrigado – ela disse – Ao menos você me ajuda de alguma forma.
- De nada. Sempre é bom uma companhia, não é mesmo?
- Sem dúvida – ela disse, distante
- E então, posso saber a razão do início do seu vício? – ele perguntou, com um sorriso.
Ela o fitou fixamente nos olhos e respondeu, seca – Você pode me dizer por que sempre temos que nos machucar e quebrar a cara nessa droga de vida? Por que sempre temos de afastar as pessoas que amamos, por que sempre temos de engolir sapos, tubarões, leões ou seja lá o que for? Me irrita isso, sabe. É difícil, às vezes.
- Também não é assim. Concordo com você, mas as coisas não são sempre tão ruins, não é mesmo? Há coisas boas – ele completou, tomando mais um gole de seu conhaque.
- É? – ela questionou, irritada – Então você pode me dizer o que há de bom na sua vida, por exemplo. O que há de bom em ser gordo, velho, estar perdendo os cabelos, e estar sentado, em plena madrugada de sexta para sábado, em uma padaria velha do centro da cidade, tomando uma porra de um conhaque de última categoria, e ainda por cima sozinho, já que se não fosse a idiota aqui, o senhor provavelmente estaria trepando com alguma puta decadente que cobra miséria aqui nesse centro sujo.

Ele a olhou sério, surpreso com aquela agressividade abrupta, que o atingiu como um soco na cara e tomou outro gole do conhaque.

- Desculpa – ela disse, quase chorando – Desculpa, desculpa, desculpa...você foi super gentil comigo e aqui estou eu, a imbecil, quebrando de novo aqueles que me estendem a mão. Me desculpa – e começou a chorar.
- Relaxa garota. Relaxa. Você tem razão. Às vezes precisamos escutar coisas que nos façam acordar.
- Me desculpa, me desculpa – ela repetia baixinho e sem parar, agarrando o seu braço.
- Jorge – ele gritou – Jorge, me arruma um maço de cigarros e mais dois conhaques – ele gritou para o moço que estava atendendo os poucos clientes da padaria.
- Hey – ela interrompeu – Você não fuma!
- Nunca é tarde para começar não é mesmo? – disse com um olhar carinhoso, sorrindo seu mais belo sorriso e abraçando-a gentilmente para enfrentarem aquela noite de conhaques, cigarros e verdades, que somente os estranhos podem dizer...somente eles...



14.2.03



Espero voltar a atualizar isso com mais frequência...



O QUE VOCÊ VAI FAZER QUANDO DEIXAR DE SER TRISTE?

- O que você vai fazer quando deixar de ser triste? – ela perguntou, assim, rápida e certeira, enquanto acendia um cigarro.
- O quê? – ele respondeu.
- O que você vai fazer quando deixar de ser triste? – ela insistiu – É uma pergunta simples.
- É Elvis Costello isso, não é?
- Exato. Uma de suas belas canções – ela respondeu – Aprendi isso assistindo a peça “A Vida é Cheia de Som e Fúria” sobre aquele filme Alta Fidelidade, do carinha que amava música mais do que tudo na vida. E me surpreendi como a frase dessa música combina com você.
- Por que você acha isso? Sou triste? Muito triste?
- Não o tempo todo, mas o tempo suficiente para me deixar preocupada com você.
- Eu não sou triste – ele mentiu – E não precisa se preocupar.
- Olhe, eu sou sua amiga há praticamente dez anos e tudo o que eu sei é que você é uma pessoa maravilhosa, cheia de vida, com ótimas idéias, com bom gosto, com bom humor, enfim, com tudo o que é minimamente necessário para ser feliz e ser amado. No entanto, querido, você insiste em ser amargo e insiste em afastar as pessoas ao seu redor e insiste em querer parecer uma pessoa insuportável. Isso tudo é medo? – ela perguntou, já sabendo a resposta, afinal o conhecia há vários anos.
Ele olhou em seus olhos por breves instantes, enquanto completava o seu copo com aquela vodka de quinta categoria que estavam tomando – Não. Não é medo – ele disse – É apenas bom senso. É apenas discernimento. É saber que você não é capaz...
- ...capaz do quê? Porra!!! Capaz do quê? – ela o interrompeu, irritadíssima - Que espécie de lixo você tem nessa cabeça idiota, que o impede de perceber quem é você – completou, puta, completamente irada.

Ficaram em silêncio por alguns instantes e ele disse, numa voz sorridente, quase sarcástica – Bem, se eu deixar de ser triste um dia, a primeira coisa que vou fazer é evitar, sistematicamente, tomar essa droga de vodka de quinta categoria.
- E asegunda – ela perguntou de volta, sorrindo
- Bem, eu vou passar a usar guarda chuva colorido em dias de chuva – respondeu

Gargalhando ela emendou – Bem, ao menos é um começo. Ao menos é um começo. Te amo seu trouxa, brinda comigo vai, ainda que com essa vodka de péssimo gosto.



13.2.03



POR QUE EXISTE TANTA INVEJA EM ALGUMAS PESSOAS???

IDIOTAS...tenho pena deles...



LINHAS OCUPADAS OU OS IDIOTAS É QUE SÃO?

- Alô - ele disse, assim que atendeu ao telefone
- Alô - uma voz tímida, feminina, respondeu do outro lado da linha - Eu gostaria de falar com o Eduardo. Ele está?
- Quem quer falar? - a voz masculina perguntou
- Uma amiga antiga dele. Ana. Ele está?

Após alguns segundos de silêncio, ele disse, parecendo animado - Ana? Ana? AnaHoney? Do colégio São Carlos? Não acredito...é o Edu que está falando. Você é a Ana? A MINHA Ana?
- Oi - ela retrucou, completamente sem graça.
- Não acredito! Fantástico. Como você está? Bem? Há quantos anos não nos falamos. Que surpresa boa.
- Fiquei feliz que você reconheceu. Feliz mesmo. Como está?
- Bem, bem. E você menina? O que anda aprontando?
Ela hesitou por alguns instantes e respondeu - Nada. Eu apenas estava resgatando alguns amigos antigos. Algumas pessoas queridas. Precisava conversar com elas. Entende? Eu apenas precisava conversar com pessoas amigas. Seu pai me deu esse telefone.
- Fico feliz que depois de todos esses anos você ainda lembre de mim - ele emendou
- Nunca esqueci das pessoas importantes que marcaram a minha vida. Você é uma delas. Já te falei isso.
Ele sorriu sozinho com o elogio e respondeu - Você também querida, você sabe disso. E o que tem feito? Tanta coisa a conversar não?
- Tanta coisa. Tanta coisa.
- Escuta. Posso te ligar outra hora? Vamos marcar um almoço ou algo assim? Agora estou meio complicado por aqui.
- Claro - ela respondeu sem graça
- Eu te ligo então. Beijos. Foi ótimo conversar com você. Beijão. Tchau.
- Tchau - ela respondeu, surpresa.

- Quem era ao telefone Edu? - sua mulher perguntou, no mesmo momento em que ele desligava o telefone.
- Ninguém importante Carla. Uma amiga de uma amiga que queria um telefone de alguém que eu nem lembro mais quem era. Coisas chatas de pessoas antigas do colégio. Vai entender - respondeu, beijando-a suavemente - Quer que eu abra um vinho?

E do outro lado da cidade, Ana permanecia estática, com o telefone nas mãos e com lágrimas nos olhos por ter percebido o fato de aquela ter sido a última conversa entre dois grandes amigos. Entre duas pessoas que já foram tão íntimas e hoje nem sombra disso são. A última conversa dela com um grande amigo. A última...

Ele sequer havia perguntado seu telefone...sequer havia feito essa gentileza...



11.2.03


USE O HEADPHONE, POR FAVOR
PLACEBO - COME HOME


Ela estava quietinha, encolhida no canto do quarto. Estava anoitecendo e as luzes estavam apagadas. Não havia ninguém em casa. Ainda bem. Ela não queria ser incomodada por nada nesse mundo. E nem por ninguém. Nem que o planeta explodisse e virasse pó cósmico, ela queria ser tirada do seu quarto e da sua escuridão e da sua vida. O som rolava sem parar alguma canção antiga, no melhor estilo início dos anos sessenta, que ela nem sabia qual era. Ela colocou o primeiro disco do seu pai que encontrou. Normalmente detestava música, porém naquele momento queria ter alguma coisa para distrair seus pensamentos. Naquele momento ela estava entrando em desespero. Sabia que não ia conseguir ficar ali parada por muito tempo. Sabia que não ia conseguir ficar sozinha por muito tempo. Sabia que a música iria parar daqui a alguns instantes. Sabia disso e tinha medo. Muito medo. Pensou então, que aquilo de nada adiantava. Precisava achar o caminho de volta. Isso sim

...todo céu é azul, menos para mim e para você...



"Come Home"
(Placebo)


Stuck between the do or die, I feel emaciated.
Hard to breathe I try and try, I'll get asphyxiated.
Swinging from the tallest height, with nothing left to hold on to.
Every sky is blue, but not for me and you.
Come home, come home, come home, come home.
Glass and petrol vodka gin, it feels like breathing methane.
Throw yourself from skin to skin, and still it doesn't dull the pain.
Vanish like a lipstick trace, it always blows me away.
Every cloud is grey, with dreams of yesterday.
Come home, come home, come home, come home,
come home, come home, come home, come home.
Always goes against the grain, and I can try and deny it
Give a monkey half a brain, and still he's bound to fry it.
Now the happening scene is dead, I used to want to be there too.
Every sky is blue, but not for me and you.
Come home, come home, come home, come home,
come home, come home, come home, come home.



E AGORA, QUEM VAI CONSERTAR A LUA QUEBRADA?

...você não ia me proteger? Não ia?

A lembrança da sua voz doce e desesperada o afligia enquanto ele ia para casa...Odiou ela ter lhe mostrado aquele pequeno pedaço de papel. Odiou ELE ter escrito aquele pequeno e idiota pedaço de papel. Não foi justo. Definitivamente não foi justo. Mas, afinal, nunca é, não é mesmo?

...você não ia me proteger? Não ia? – ele lembrava, enquanto seus olhos percorriam o velho pedaço de papel, escrito por ele há tempos que mais pareciam séculos atrás...

"...e ele deu um tiro para a lua para celebrar o seu amor e para celebrar os seus beijos. A lua foi duramente atingida
e provocou uma espetacular chuva de estilhaços, que mais parecia uma chuva de fogos de artifício. Uma chuva de todas as cores, de todas as cores. Mas alguns pedaços caíram e algumas pessoas se feriram. Algumas pessoas menos ela...porquê ele estava lá para lhe proteger...sempre...
Beijos
Te Amo. Sempre.
"




...eu gostaria de escrever um livro. Um livro sobre o Clube Varsóvia, por exemplo. Na verdade estou escrevendo um livro, mas não sou organizado o suficiente para fazê-lo existir...seria tão melhor se apenas pudéssemos encadernar idéias, não acham?

6.2.03



...às vezes sou repetitivo...não gosto disso...não mesmo, mas creio que vou continuar sendo...



Você já bebeu a salgada água do mar? A doce água do lago? A amarga água da lágrima? Você já dançou a alegre dança do amor? A suave dança da despedida? A trágica dança do adeus? Você já escutou a gostosa música da felicidade? A poderosa música da amizade? A triste música da decepção? Já viveu? Já morreu? Já sentiu? Já temeu? Já suou? Já gozou? Já esqueceu? Já foi humilhado? Castigado? Premiado? Amou? Não amou? Pensou que fosse o suficiente? Pensou?

Então...nunca é...



TRISTES CANÇÕES EM PRETO E BRANCO

E ele tocava violão muito bem. Tá, não era um mestre, mas tocava com bastante prazer as músicas que ele realmente gostava. Amava tocar e tocar e tocar o seu velho violão. Só não amava mais esse prazer do que conversar com a garota do “fundo” da sala, a sua melhor amiga desde sempre. Ele a adorava. Verdadeiramente. Adorava passar as noites de sábado na casa dela, quando seus pais viajavam, bebendo gim, fumando cigarros, papeando e, claro, tocando violão para ela. Ela pedia as músicas e ele só prosseguia tocando e emendando uma na outra. Ela pedia REM, Smiths, Wilco, o que fosse, e lá ia ele agradá-la com seu dedilhado macio, experimentando um arranjo aqui, outro ali. Mas ele percebeu, um certo dia, que havia mais do que amizade. Havia amor naquilo tudo. Havia um amor maior do que ele seria capaz de expressar em simples palavras. Ele jamais havia sentido algo assim por outra pessoa. Aquele sentimento era amor verdadeiro, na sua forma mais brutal, na sua forma mais bela e na sua forma mais cruel. Então, ele resolveu demonstrar todo aquele amor, por pior que fosse o resultado, por piores que fossem as conseqüências. E resolveu fazê-lo através de uma linda balada de amor, especialmente escrita e composta para ela. Assim fez. Noites foram passadas em claro, acordes de todos os tipos foram experimentados, letras e mais letras foram escritas e ele, depois de muito tempo, se deu conta de que a música para ela estava definitivamente pronta. Sua pequena obra prima declarando todo o seu amor. Naquela noite quente de sábado ele chegou animado e feliz à casa dela. Ela, por sua vez, também estava radiante, com um brilho enigmático no olhar. Parecia saber o que a esperava.

Mas não sabia, podem apostar.

- Preciso te dizer uma coisa muito importante – ele disse, enquanto pegava a garrafa de gim que estava nas mãos dela.
- Eu também. Algo maravilhoso – ela emendou – Algo que certamente precisará de uma de suas músicas especiais seguido de um de nossos brindes especiais.
- Que bom. Espero que sim. O que houve? – perguntou, animado.
- Estou totalmente apaixonada – ela disse, feliz como raras vezes ele a viu.
- Apaixonada? – ele retrucou, surpreso.
- Apaixonada. Apaixonadíssima, eu diria. Lembra do Zeca? Que estudou com a Helen? Então, finalmente rolou. Saímos e as coisas estão indo bem e eu sempre quis ficar com ele e estamos juntos há umas duas semanas. E estou feliz pra caramba...muito, muitíssimo feliz.
- Ora, você nunca me disse nada – ele reagiu, tentando esconder da melhor forma possível os bilhões de estilhaços em que havia se transformado – Fico feliz - mentiu.
- So...let´s celebrate babe – ela disse, virando um copo de gim – E você? O que queria me dizer? – perguntou.
- Nada especial. Queria te mostrar uma música que fiz para a minha irmã dedicar ao seu namorado. Mas mudei de idéia, agora que você me contou essa novidade. Resolvi transformar essa balada, numa canção para você e ele. A canção de vocês.
- Você é lindo! Te adoro, amigo! Sempre... – ela disse, enquanto o abraçava com toda a ternura possível de caber em um abraço.

...e ele tocou. Com toda a força do mundo, uma das mais tristes e belas canções de amor de todos os tempos...



5.2.03


AGORA SIM...os comments funcionam...por favor, depois de todo esse trabalho, espero que comentem...
Obrigado...

Comments...comments...


Instalei os comments, mas sabe que funcionam...

4.2.03


COMO SE FOSSE FÁCIL ENTENDER...

Ele estava lá, parado, naquela sala fria, olhando a maldita carta devidamente pousada sobre o aparelho de som. Ele chegou e a carta já estava lá. Quieta. Com certeza colocada naquela posição por Dona Francisca, a faxineira da vizinha que, de vez em quando, fazia uns favores para ele e arrumava algumas coisas no seu apartamento. E a carta estava lá. E ele ficou absolutamente surpreso ao ver a mesma. Não esperava que ela enfim chegasse um dia. Não esperava, por mais que a desejasse ardentemente. Por isso ele estava aflito. Queria e não queria abrir a porra daquela carta. Sabia que o seu conteúdo seria triste. Muito triste. Por isso mesmo ele desejava ter força suficiente para não abri-la. Acendeu um cigarro e ficou lá, parado, imaginando como era imaturo e tolo e cretino por não conseguir abrir uma carta enviada por alguém que ele queria tão bem. Alguém que ele queria muito bem. Mas, no fundo, ele não era imaturo e tolo e cretino. Ele era apenas uma pessoa com medo naquele momento e isso não é, ao menos não deveria ser, motivo para ele se sentir fraco e pequeno e frágil. Ele apenas estava com medo de ter a certeza sobre o que ele, no fundo, já desconfiava. Quem nunca se sentiu assim? Quem nunca se sentiu assim?
O fato é que depois de horas ele acendeu um último cigarro encorajador e abriu a droga da carta com raiva, como se o papel e aquele envelope de cor cinza fossem os responsáveis por toda aquela angústia. Ele abriu a carta e pôs-se a correr os olhos sobre as letras manuscritas de forma avessa. Pôs-se a correr e a correr e a correr os seus olhos e, ao final das últimas palavras, os mesmos estavam afogando em lágrimas. Afogando em lágrimas. E ele deu um grito que possivelmente acordou toda a vizinhança.

...mas não chorem por ele. Ele fez o que deveria desde o início. Encontrou o espelho, antes que fosse tarde demais para mudar o que ele refletia. Antes que fosse tarde demais.




LUTA LIVRE CONTRA NINGUÉM

De repente ele teve que lutar. Mesmo sem saber a razão. Mesmo sem saber contra o quê. Talvez as respostas fossem descobertas depois. Talvez as respostas viessem com o tempo. Porém ele não podia esperar. Teve que lutar. Ainda que fosse ferido. Ainda que detestasse aquele gosto amargo de sangue descendo pela garganta.