10.11.18




ELA SEMPRE ANDAVA DEVAGAR. SEMPRE DEVAGAR.


Ela andava devagar.
Sempre.
Caminhava lentamente mesmo sob a chuva.
Com seu delicioso guarda chuva amarelo.
Lindo.
Charmoso como ela.
Charmoso como tudo.
E como a chuva.
Apenas charmosa.
Mas ela andava devagar.
Sempre.
Lenta.
Caminhava lentamente mesmo sob a chuva.
Com seu delicioso guarda chuva amarelo.
Lindo.
Charmoso como ela.
Não se importava.
E fumava.
Um atrás do outro.
E parava nos botecos.
Um conhaque sempre é bom.
Dois ainda melhor.
E parar em botecos é bom.
Sempre alguém nota um guarda chuva amarelo em um boteco.
Sempre.
Ainda mais com ela.
Ainda mais com ela.
E ela andava devagar.
Sempre.
E fumava e bebia e caminhava.
Lenta.
Caminhava lentamente mesmo sob a chuva.
Com seu delicioso guarda chuva amarelo.
Lindo.
Charmoso como ela.
Charmoso como tudo.
A razão?
Não querer chegar a seu destino.
Não querer chegar.
Ou querer demorar.
Demorar muito.
Ainda que sob a chuva e sob o efeito de doses de conhaque e de nicotina.
Lindo guarda chuva amarelo.
Lindo.
Linda ela.
Linda.
Passo lento.
Corajoso.
Muito corajoso.
E um lindo guarda chuva amarelo.
Para aqueles dias de tormenta.
Muita tormenta.
Tormenta demais.
Mas ela andava lentamente e ia suportar.
Suportar e ser feliz.
Muito feliz.



9.11.18



PUNK. ELA.


Ela era.
Punk?
Definitivamente.
Muito.
Muito ela.
Cabelos coloridos.
Anéis.
Piercings.
Ela era.
Apenas ela.
Definitivamente ela.
E gostava de confrontar.
Não de ser confrontada.
Não.
Nunca.
Fofa.
Linda.
E punk.
Muito.
Com cabelos ruivos e longos. e gostava de mensagens de manhã.
Louca.
Linda.
Sempre.
E gostava de homens que escreviam com letra bonita.
Mas nem todos sabem isso.
Um horror se pensarmos na tecnologia de hoje.
Um horror.
Mas ela gostava.
Demais.
Punk em todos os sentidos.
Ela era.
Definitivamente.
Muito.
Cabelos coloridos.
Anéis.
Piercings.
Ela era.
Punk?
Definitivamente.
Tatuagem?
Não sei.
Mas creio que sim.
Pele, cheiro e toque.
Apenas ela.
Apenas ela.
Punk?
Claro que sim.
A mais fofa do mundo.
Sempre.




O AMOR CHEGA.

Cinzas.
Muitas cinzas.
E ela era ciumenta.
Muito.
Gostava de dominar e controlar.
Ciumenta.
Ciumenta demais.
E gostava do controle.
Ele não.
Um bobo.
Bobo.
Apenas um.
E as cinzas?
Elas apenas iam embora.
Ela?
Se rendia a ele.
Com todo o respeito.
Com todo o amor.
O amor chega.
Um dia chega.
Cinzas.
Muitas cinzas.
E ela era ciumenta.
Muito.
Gostava de dominar e controlar.
Ciumenta.
Ciumenta demais.
E gostava do controle.
Mas o controle pode mudar.
E quem disse que tem que haver controle.
Quem?



8.11.18




O QUE A FOTO NÃO REGISTRA


Fotos.
Fotos e mais fotos.
Ainda existem fotos?
Não sei.
Mas fotos são o máimo.
O máximo.
Registram sorrisos e tudo mais.
Sorrisos e tudo mais.
Tudo mais.
Mas o aroma do perfume não se registra.
Não.
Vontade e os desejos também não.
Não se registram.
O sabor da saliva também não.
O aroma do amor.
O aroma.
Mas são apenas fotos.
Fotos.
Fotos e mais fotos.
Sorrisos e tudo mais.
Tudo mais.
Apenas faces e faces e faces.
Sem odores e sabores.
Nada de desejos.
Nada de vontades.
Nada de arrependimentos.
Nada.
Fotos.
Fotos e mais fotos.
Sorrisos e tudo mais.
Tudo mais.
Mas o aroma do perfume não se registra.
Ele fica na memória.
Na memória do primeiro beijo deles.
O primeiro.
O primeiro...
Com muito aroma.
Com muita vontade.
Muita...
Muito...
Mas o aroma do perfume... ah, este não se registra...
Não.
Infelizmente.
Fica na memória.
Apenas.
Apenas isto...
O que já é muito...
Muito...
Muito...





OS DEDOS E A NEVE


E ela queria os seus dedos.
Todos.
E a neve.
Os dedos.
Longos.
Lentos.
Úmidos.
Todos os dias.
Todos os dias.
E a neve.
Fofa.
Lenta.
Úmida.
Todos os dias.
Todos os dias.
E a língua, óbvio.
Ele queria muita língua.
Muita língua.
Muitas misturas e dobraduras.
Muitos dedos.
Muitos dedos.
Muita neve.
O motivo?
Apenas paixão, desejo e tesão.
Precisa de mais?
Não...
Apenas um aquecedor e um lençol de seda.
Apena isso.
E dedos.
Muitos dedos...
Mais de vinte...



7.11.18



VENUS AS A BOY (HARDCORE II)


E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Todos os dias.
Bilhetes, salivas e desejos.
Todas as salivas.
Todos os desejos.
Todos os seus dedos.
E ela queria os seus dedos.
Todos.
Todos os dias.
Nos melhores lugares.
Em todos os lugares.
Nos lugares mais impróprios.
Nos lugares mais úmidos.
Dentro dela, simples assim.
Ela queria os dedos dele ali.
Todos.
Todos os dedos.
Roçando, provocando... tudo.
Dedos úmidos.
Úmidos pelo tesão de um ao outro.
Desejo e vontade.
E ainda assim, com frio e tudo, ele pensava em escrever.
E ela em foder.
Mas não.
Ele queria tocar.
Queria sentir.
Seios.
Dedos.
Sentidos.
Pernas.
Tudo mais.
Sem fôlego.
Sem fôlego.
Frio, calor e neve.
Dedos úmidos.
Neve.
Muita neve.
Frio.
Muito frio.
Mas com muito calor.
Muito calor.
E vontade.
E desejo.
Mas ele escrevia.
Idéias que surgiam.
Idéias.
Cheiros e vontades.
Cheiros dela.
Cheiros dele.
Bilhetes todos os dias.
Gozo todos os dias.
Todos os dias.
E ele pousava os bilhetes na mesa da cozinha.
Diariamente.
Para quando ela acordar preparar o café e ler.
E se tocar.
E gozar.
Todos os dias.
Todos os dias.
E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Ele?
Apenas queria ela.
Nua e linda.
E seu perfume.
Todos os dias.
Sob um lençol qualquer e com a neve lá fora.
Nua e linda.
Como apenas ela...
Apenas ela...
Sem neve e sem roupa.
Apenas seu perfume.
Apenas ela.
Apenas eles...
Nus e amantes.
Desejo.
Muito desejo...




VENUS AS A BOY (HARDCORE)


E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Todos os dias.
E ela queria os seus dedos.
Todos os dias.
Nos melhores lugares.
Nos lugares mais impróprios.
Nos lugares mais úmidos.
E ainda assim, com frio e tudo, ele escrevia.
E dedilhava.
Sem fôlego.
Sem fôlego.
Antes de sair.
Neve.
Muita neve.
Com frio.
Muito frio.
Mas com muito calor.
Muito calor.
E vontade.
E desejo.
Mas ele escrevia.
Idéias que surgiam.
Idéias.
Cheiros e vontades.
Cheiros dela.
Cheiros dele.
Bilhetes todos os dias.
Gozo todos os dias.
Todos os dias.
E ele pousava os bilhetes na mesa da cozinha.
Diariamente.
Para quando ela acordar preparar o café e ler.
E se tocar.
E gozar.
Todos os dias.
Todos os dias.
E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Ele?
Apenas queria ela.
Nua e linda.
E seu perfume.
Todos os dias.
Sob um lençol qualquer e com a neve lá fora.
Nua e linda.
Como apenas ela...
Apenas ela...
Sem neve e sem roupa.
Apenas seu perfume.
Apenas ela.
Apenas eles...
Nus e amantes.
Desejo.
Muito desejo...




VENUS AS A BOY

E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Todos os dias.
Mesmo sem inspiração e ainda com frio ele escrevia.
Antes de sair.
Neve.
Muita neve.
Com frio.
Muito frio.
Mas ele escrevia.
Idéias que surgiam.
Idéias.
Bilhetes todos os dias.
E pousava os mesmos na mesa da cozinha.
Diariamente.
Para quando ela acordar preparar o café e ler.
Todos os dias.
Todos os dias.
E ela queria bilhetes todos os dias.
Todos os dias.
E ele escrevia.
Ele?
Apenas queria ela.
Nua e linda.
Todos os dias.
Sob um lençol qualquer e com a neve lá fora.
Nua e linda.
Como apenas ela...
Apenas ela...
Sem neve e sem roupa.
Apenas ela.
Apenas eles...



AURORA BOREAL


E o clima fora daquele quarto era frio.
Muito frio.
Neve caindo sem parar.
Sem parar.
Menos 4 graus.
Menos 4 graus.
Mas dentro do quarto o clima era quente.
Bastante quente.
Muito amável.
Adorável.
O barulho da neve respingando na janela era ótimo.
Um elixir.
Uma sedução.
Dois corpos nus em uma mesma cama sob o mesmo lençol.
Atrelados.
Atropelados.
Nus.
Quentes.
Esquentando um ao outro.
Um ao outro.
Apenas nus.
E um lençol.
E o clima fora daquele quarto era frio.
Bastante frio.
Muito frio.
Menos 4 graus.
Menos 4 graus.
Mas dentro estava quente.
Bastante quente.
Úmido.
Muito úmido.
Perfume, desejo e vontade.
Perfume de vontades.
Desejo de coisas novas.
Vontade de mudar.
Tudo novo.
E a neve caindo.
Muita neve.
Muito frio.
Muito calor e abraços.
Beijos.
Úmidos.
Muito eles.
Muito eles.
Dois corpos nus.
Aquecimento global.
Algo melhor que isto?
Não há.
Nem que a neve nos leve.
Nem que a neve nos leve.
Corpos nus e quentes.
Apenas abraçados.
Apenas abraçados.
Sentidos.
Partes e peças.
Tudo o que se deve sentir.
Perfume, desejo e vontade.
Perfume de vontades.
Desejo de coisas novas.
Vontade de mudar.
Tudo novo.
E a neve caindo.
Muita neve.
Muito frio.
Muito calor e abraços.
...


31.10.18



NUCA


Ela entrava em transe. Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
Muito feliz.
Não existiam mais as más notícias.
Não.
Definitivamente não.
Sem contas, protestos, cobranças ou ligações indesejadas.
Nada.
Nada a perturbar.
Existiam apenas os lábios de Fernanda em sua nuca.
Lábios deliciosos e densos.
Intensos.
Sempre pintados de uva.
Sempre lindos.
E os arrepios.
Muitos arrepios.
E ela entrava em transe.
Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
Muito feliz.
Não existiam mais as más notícias.
Não.
Defitivamente não.
Havia um aroma de uva no ar.
Um perfume.
E palavras sussuradas na dose certa.
Na dose certa.
E ela entrava em transe.
Transe total.
O lábio de Fernanda em sua nuca a deixava completamente feliz. Muito feliz.
E molhada.
E o abraço que vinha depois era como um gatilho para uma boa noite.
Toques.
Reflexos.
Seios.
Desejos.
Pelos.
E a chuva lá fora não importava mais.
O que importava era o vinho e a luz torpe da sala.
Os corpos se juntando.
E o delicioso aroma de uva invadindo a sala.
Um perfume.
Um perfume avassalador.
E palavras sussurradas na dose certa.
Na dose certa.
Medida ideal.
E elas entravam em transe.
Transe total.
Elas.
Apenas elas.
E a vagabunda sala de estar como testemunha...
Testemunha ocular...